Desde que apresente condições físicas e cognitivas, todo e qualquer cidadão pode ter acesso à emissão da carteira de motorista. No entanto, entrou em discussão, em Portugal, o debate sobre a condução envolvendo idosos, já que uma petição pública propõe proibir pessoas a partir de 75 anos de dirigir. Nesse cenário, o etarismo ganha os holofotes e gera descontentamento entre essa segmentação.
Carteira de motorista em pauta
Conforme a análise das autoridades, o intuito da petição é estabelecer uma idade limite para garantir o direito a dirigir. A proposta prevê o cancelamento automático da carta aos 75 anos, já que há a sustentação do elevado risco de declínio cognitivo, visual e motor. Na prática, isso ocorre devido aos constantes casos envolvendo manobras perigosas, circulação em contramão ou dificuldade em reagir a imprevistos.

Em contrapartida, especialistas em geriatria e segurança rodoviária reforçam que a medida pode comprometer o direito de ir e vir de milhares de pessoas. Sobretudo, os profissionais reforçam que nem todas as pessoas acima de 75 anos apresentam o mesmo ciclo de envelhecimento natural e que a noção para conduzir um veículo pode ser comprometida em qualquer faixa etária.
Enquanto a petição é discutida, os motoristas idosos permanecem à frente do volante e com suas carteiras de motorista em mãos. Segundo a legislação atual, a renovação do documento precisa contar com exames médicos obrigatórios, dispensando um teto etário. Para os apoiadores da medida, o limite ainda não é suficiente para antecipar os riscos durante as avaliações.
Implicação perante a proibição
Caso as autoridades decretem um limite máximo para garantir o direito à condução, é possível que pessoas acima de 75 anos sejam marginalizadas. Em outras palavras, sem alternativas viáveis de mobilidade, esses indivíduos tendem a sofrer com o isolamento social, dificuldades no acesso a cuidados básicos, como saúde, e perda de qualidade de vida.
A fim de evitar transtornos ainda maiores, é importante que transportes públicos sejam adaptados para garantir uma melhor acessibilidade. Por sua vez, é importante que os serviços atendam às demandas, incentivando sempre a interação com outras pessoas. Assim, sem novas alternativas, a terceira idade corre o risco de enfrentar questões psicológicas devido ao sentimento de não pertencimento.





