Num país vizinho ao Brasil, o Uruguai, o debate sobre o uso de celulares por alunos do ensino médio voltou ao centro das discussões, graças a uma iniciativa universitária. A Facultad Universitaria Central (CUC), vinculada à Universidad Nacional de Cuyo (UNCuyo), anunciou a adoção de um sistema de armazenamento de telefones durante o período letivo.
A proposta busca reduzir distrações e reforçar a dinâmica do ensino presencial em sala de aula. A medida vai começar a valer neste ano e prevê que os estudantes depositem seus aparelhos, ao entrar na sala, em uma caixa de madeira com compartimentos individuais. O recipiente permanecerá trancado até o fim das atividades. O uso dos dispositivos será permitido apenas quando houver solicitação expressa do professor para fins pedagógicos específicos.
A iniciativa partiu da diretora da CUC, Andrea Radich, que assumiu o cargo no início do ano e incluiu a regulamentação dos dispositivos eletrônicos em seu plano de gestão. Segundo ela, a proposta pretende ampliar a concentração, estimular a interação entre os alunos e reduzir o uso automático dos celulares durante as aulas, criando um ambiente mais propício ao aprendizado.
Universidade do Uruguai inicia testes de aulas sem celulares
A Direção de Ensino Secundário da UNCuyo esclareceu que não se trata de uma proibição formal nem de uma norma geral para todas as escolas da universidade. A chefe do departamento, María Ana Barrozo, informou que o projeto será avaliado ao longo de três meses, período em que serão analisados os impactos na rotina escolar e na dinâmica pedagógica. Em seguida, pode ser ampliado para outras esferas do país sul-americano.
De acordo com a universidade uruguaia, a proposta funciona como uma “pausa tecnológica” temporária. A intenção não é tratar os celulares como algo ruim, mas delimitar o uso para favorecer períodos de atenção. Uma experiência parecida já tinha sido aplicada em 2025 na Escola Superior Agrícola e Enológica da própria UNCuyo, como parte de um teste institucional.





