O direito ao voto coloca todo e qualquer cidadão acima de 18 anos como agente necessário para o andamento social. No entanto, a possiblidade de contribuir com a evolução constitucional nem sempre respeitou as divergências de classe, raça, sexo ou grau de instrução. Isso porque antes de 1985, quando foi promulgada a Emenda Constitucional nº 25 à Constituição de 1967, os analfabetos não tinham o direito de votar.
Ser invisível socialmente é um problema que afeta milhões de brasileiros, que vivem à margem do desprezo coletivo. Porém, os decretos presentes ainda no período colonial e imperial foram colocados abaixo, garantindo aos analfabetos o direito ao voto após 104 de exclusão. Por ocuparem parcela considerável da população brasileira, a escolha dessas pessoas pôde mudar o destino dos governantes.
Com a presença dos, até então, excluídos no ato democrático, o sistema de votação precisou passar por uma outra reformulação. Isso porque anteriormente era comum que os candidatos tivessem seus nomes escritos nas cédulas eleitorais. Portanto, a antiga medida foi abolida para que números com as fotos dos políticos facilitassem a vida daqueles que não possuíam grau de escolaridade.
De acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o número de cidadãos brasileiros analfabetos aptos a votar nas eleições municipais de 2024 foi de 5,5 milhões. Em resumo, a quantidade em questão corresponde a 3,57% de um eleitorado composto por 155,9 milhões de pessoas.
Brasil registra menos taxa de analfabetos em 10 anos
Apesar das adversidades apresentadas ao longo dos anos, o Brasil comemorou a redução do número de analfabetos com 15 anos ou mais desde 2016. A façanha foi anunciada em junho deste ano, por intermédio da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua), assinada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística.
Para se ter uma noção, no ano de 2016 o percentual de pessoas que não sabiam ler e escrever representava 6,7% da população brasileira. Posteriormente, em 2023, caiu para 5,4%, enquanto em 2024 o percentual foi de 5,3%, ou seja, 9,1 milhões de pessoas. Confira os índices de analfabetismo calculados no primeiro semestre deste ano:
- Nordeste: 11,1% da população é analfabeta;
- Norte: 6% da população é analfabeta;
- Centro-Oeste: 3,3% da população é analfabeta;
- Sudeste: 2,8% da população é analfabeta;
- Sul: 2,7% da população é analfabeta.





