Em setembro deste ano, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou o medicamento lemborexante, vendido comercialmente como Dayvigo pela farmacêutica japonesa Eisai. A título de compreensão, o medicamento apresenta um mecanismo de ação diferente dos remédios tradicionais para insônia, reduzindo os riscos de dependência.
Conforme estudo assinado pela Universidade de Oxford, o remédio foi projetado por pesquisadores como o mais eficiente da categoria, tendo em vista sua aceitabilidade e tolerabilidade entre 36 opções avaliadas. Para um melhor entendimento, o Dayvigo atua bloqueando os sinais que mantêm o cérebro acordado, ao contrário dos benzodiazepínicos e das drogas Z, que reduzem a atividade do sistema nervoso central.

A fim de tornar o uso consciente, a dose recomendada diz respeito a 5 mg, uma vez por noite, minutos antes de se deitar, com intervalo mínimo de 7 horas antes de acordar. De acordo com indicativos da Anvisa, é possível aumentar para 10 mg, desde que a aprovação seja assinada por um especialista. Por sua vez, é válido destacar que a medicação é destinada apenas a adultos.
No Brasil, os benzodiazepínicos e drogas Z, como zolpidem e clonazepam, são amplamente disseminados para a população desde a década de 1960. Contudo, a preocupação fica a cargo de sua dependência, déficit cognitivo e efeitos adversos graves, como sonambulismo ou paradas respiratórias. As respostas negativas podem ser destacadas quando combinadas com álcool.
Ainda que seja necessário passar por um médico antes de embarcar no uso de remédios para insônia, estudos clínicos indicam que o lemborexante apresenta menor risco de dependência e efeitos colaterais, podendo ser uma alternativa terapêutica segura. Além disso, o eszopiclona, também com baixo risco de dependência, aparece como uma alternativa segura.
Insônia pode aumentar riscos de declínio cognitivo
De acordo com dados do Instituto do Sono, duas a cada três pessoas apresentam dificuldade para dormir, enquanto cerca de 15% têm diagnóstico formal de insônia crônica. Tratar a insônia não é apenas uma luta contra o cansaço, já que sua insistência pode comprometer o envelhecimento cerebral no futuro, conforme defende a Academia Americana de Medicina do Sono (AASM).
“A principal conclusão deste estudo é que a insônia crônica pode ser um fator de risco modificável para o declínio cognitivo… Não podemos afirmar com certeza que tratar a insônia necessariamente reduzirá esses riscos, porque nos faltam esses dados… mas acredito que existe um interesse crescente nessa possibilidade”, afirmou o Dr. Diego Carvalho, professor assistente de neurologia e especialista em sono.
O primeiro passo indicado diz respeito a mudanças de hábitos, como higiene do sono, prática de exercícios, redução de cafeína e álcool e técnicas da Terapia Cognitivo-Comportamental para Insônia (TCC-I). Para se ter uma dimensão do problema, 8,5% da população brasileira, ou seja, cerca de 18 milhões de pessoas, utilizam medicamentos para insônia.





