A assinatura do decreto da TV 3.0 pelo presidente Lula abriu caminho para uma mudança significativa no setor de radiodifusão brasileiro. Entre as emissoras mais impactadas está a Record, que poderá utilizar a multiprogramação para separar conteúdos comerciais e religiosos em diferentes canais.
Isso significa que a Igreja Universal, liderada por Edir Macedo, pode ter uma faixa exclusiva de transmissão 24 horas por dia, liberando a grade principal da Record para competir diretamente com Globo e SBT em horários estratégicos.
Hoje, a emissora cede parte de sua programação, principalmente de madrugada, para os cultos da igreja. Essa prática afeta sua posição no ranking de audiência, já que o SBT costuma se destacar nessa faixa horária.

A revolução do modelo de negócios na TV aberta
A TV 3.0 representa um avanço tecnológico que vai além da qualidade de imagem e som. Com ela, as emissoras passam a ter a possibilidade de oferecer múltiplos canais em um mesmo sinal. O SBT, por exemplo, poderá levar canais como SBT Novelas e SBT Kids para a TV aberta, enquanto a Globo tem a opção de disponibilizar a Ge TV, dedicada ao esporte.
O decreto de Lula, publicado em 27 de agosto, oficializou essa mudança e transformou o espectro de transmissão em um campo mais competitivo. A previsão é que a tecnologia esteja em pleno funcionamento durante a Copa do Mundo de 2026, momento em que a audiência televisiva costuma alcançar índices elevados.
No caso da Record, a possibilidade de manter a Igreja Universal em um canal próprio representa uma mudança histórica. A empresa poderá ampliar a receita com anunciantes e ajustar a programação para atrair públicos mais variados, sem abrir mão da parceria que sustenta parte de sua estrutura.





