Em maio deste ano, a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) revelou que a temperatura base para considerar se uma criança está com febre foi alterada. Em um primeiro momento, a enfermidade era diagnosticada quando o termômetro atingia 37,8°C. Contudo, conforme as diretrizes internacionais, equipamentos precisam evidenciar 37,5°C na axila ou, por via oral ou retal, 38°C.
A mudança repentina levantou questionamentos por parte da população, mas a entidade ressaltou que o critério adotado corresponde ao que a maioria dos países segue. A ideia é atualizar o entendimento de que a infecção nada mais é que uma resposta natural do organismo a agressões externas. Portanto, o SBP defende que a temperatura isolada não deve ser o único critério levado em consideração em crianças.
Nesse ínterim, a Sociedade Brasileira de Pediatria expôs um documento que revelou que a variação natural da temperatura corporal ao longo do dia faz com que um mesmo lactente apresente diferenças de até 1°C entre manhã e tarde. Dessa forma, a febre foi enquadrada definitivamente como um sinal fisiológico do corpo humano.
“O aumento da temperatura corporal não é a doença em si, mas uma forma de defesa natural que avisa que o corpo está lutando contra alguma infecção ou problema”, explicou o médico Alexandre Nikolay, coordenador do departamento de emergência pediátrica do Hospital Santa Lúcia Sul, em Brasília.
Quais são os sinais de alerta perante crianças com febre?
De acordo com especialistas, quando a febre for detectada em uma criança, é necessário analisar todo o contexto em que está inserida e os comportamentos perpetuados. Durante todo o processo avaliativo, é importante priorizar a frequência cardíaca e respiratória e o tempo de enchimento capilar, que indicam como está a circulação.
Se não for possível identificar o foco da febre, é aconselhável dirigir-se ao médico. Mas, antes de qualquer alarde criado, é válido ressaltar que a maioria das infecções são benignas e autolimitadas, o que não significa que não precisem ser avaliadas. Contudo, as recomendações da Sociedade Brasileira de Pediatria incentivam os pais ou responsáveis a procurarem um especialista nos seguintes casos:
- A criança tem menos de 3 meses;
- A febre é persistente ou ultrapassa 39,5 °C;
- Há alterações no estado geral, sonolência excessiva, convulsões ou dificuldade para respirar;
- Ou quando a criança tem doenças crônicas, imunossupressão ou desnutrição.





