Os dados mais recentes do Governo Federal mostram um cenário relevante nas contas da assistência social no Brasil: mesmo atendendo menos pessoas, o Benefício de Prestação Continuada (BPC) já consome mais recursos do que o Bolsa Família nas capitais. Em janeiro de 2026, o gasto total com o BPC superou o do Bolsa Família em centenas de milhões de reais por mês.
Na comparação com as 27 capitais, o Bolsa Família atende cerca de 3,35 milhões de famílias, com um custo mensal de R$ 2,23 bilhões. Já o BPC contempla aproximadamente 1,46 milhão de pessoas, entre idosos com 65 anos ou mais e pessoas com deficiência, mas gera uma despesa de R$ 2,70 bilhões mensais. Isso representa um gasto maior mesmo com menos da metade de beneficiários, o que aumenta a pressão sobre o orçamento público.

Essa diferença se explica pelo valor pago em cada programa. O BPC garante um salário mínimo por pessoa, fixado em R$ 1.621 no início de 2026, enquanto o Bolsa Família tem valor médio de cerca de R$ 666 por família. Na prática, cada beneficiário do BPC custa quase três vezes mais ao Governo Federal, o que faz com que os gastos se aproximem ou até se invertam conforme a proporção de atendidos cresce.
Governo Federal tem desafio pela frente com o BPC
Quando se observa a realidade local, algumas capitais já refletem esse desequilíbrio de forma mais intensa. Em Florianópolis, por exemplo, o BPC atende menos pessoas do que o Bolsa Família, mas movimenta mais que o dobro de recursos mensais. Situações semelhantes aparecem em outras grandes cidades, especialmente nas regiões Sul e Sudeste, onde o envelhecimento da população ocorre de forma mais acelerada.
Esse movimento tende a se intensificar nos próximos anos. Com base em projeções do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o número de idosos no país deve crescer significativamente até 2050. Como o BPC é um direito garantido pela Lei Orgânica da Assistência Social e não possui limite orçamentário, a expansão ocorre de forma automática, ao contrário do Bolsa Família, que depende de decisões de política pública para ampliação ou redução.





