Com aparência que lembra, à primeira vista, a grandiosidade da Grande Muralha da China, uma formação rochosa no interior da cidade de Paraúna, em Minas Gerais, tem despertado curiosidade de pesquisadores e turistas. Conhecida como “muralha de pedra”, a estrutura localizada no Parque Estadual de Paraúna impressiona pelo alinhamento de blocos de basalto negro, que cria um visual semelhante ao de uma construção humana.
Situada entre a Serra das Galés e a Serra da Portaria, a formação integra uma região marcada por paisagens naturais e relevos incomuns. Apesar do impacto visual, a origem da muralha ainda gera debates. Enquanto algumas hipóteses levantam a possibilidade de intervenção humana, outras apontam para fenômenos naturais que ocorreram ao longo de milhões de anos.
Entre as teorias mais controversas, há quem sugira que a estrutura teria sido erguida por civilizações antigas, como Incas ou Maias, ou até que as pedras teriam sido fixadas com substâncias como óleo de baleia. Essas ideias, porém, não têm respaldo científico e são vistas com ceticismo por especialistas.
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De acordo com o geólogo Silas Gonçalves, em entrevista ao portal G1, a formação pode ter entre 130 e 135 milhões de anos, sendo resultado de eventos vulcânicos associados à fragmentação do supercontinente Gondwana. Esse processo deu origem à Província Magmática Paraná, responsável por extensos derrames de lava basáltica na região.
Com o resfriamento da lava, surgiram fraturas naturais que dividiram o basalto em blocos. Ao longo do tempo, a erosão expôs esses alinhamentos, criando o efeito visual que remete a uma muralha. Para os especialistas, portanto, a formação não é obra humana, mas sim resultado da própria dinâmica geológica, o que reforça o valor científico e turístico do parque, que conta ainda com cachoeiras e belas paisagens naturais.





