Na última terça-feira (18), foi concedida uma coletiva de imprensa na 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (COP30), em Belém (PA), que chamou a atenção mundial. De acordo com o climatologista Carlos Nobre, a Amazônia pode perder até 70% de sua cobertura florestal nas próximas décadas caso o aquecimento global ultrapasse 2°C.
A informação ligou o sinal de alerta da população e especialistas, que temem o estabelecimento de um cenário irreversível. Para uma melhor compreensão da problemática, a degradação da floresta tende a contribuir significativamente para o risco de novos surtos pandêmicos em escala global. Sob a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), novas propostas foram discutidas.

Com os fundamentos científicos apresentados, um roteiro foi montado a fim de conter o desmatamento e reverter a devastação da Amazônia pelos próximos quatro anos. No entendimento dos especialistas, é imprescindível insistir na ampliação dos compromissos assumidos na COP28, em Dubai, incrementando novas metodologias.
“Se ultrapassarmos entre 26% e 25% de desmatamento, perderemos a floresta. Já estamos em 18%. A degradação florestal pode liberar mais de 250 bilhões de toneladas de carbono e criar condições propícias para epidemias e pandemias em larga escala. Precisamos zerar o desmatamento de todos os biomas e reduzir 75% das emissões de combustíveis fósseis”, explicou Carlos Nobre.
Cobrança em meio ao desmatamento da Amazônia ganha forças
Conforme dados regulamentados, a temperatura global está próxima de superar 1,5ºC. Dessa forma, caso os termômetros marquem 2ºC, o temor é que nenhum plano de contingência sirva para salvar a floresta mais importante do planeta. Enfrentando dificuldades de encontrar aliados na luta, a diretora-geral do WWF Internacional, Kirsten Schuijt, exigiu uma mudança de postura.
“Não estamos apenas perdendo florestas e biodiversidade, mas arriscando perder completamente os serviços ecossistêmicos que elas prestam ao planeta. A ciência é clara: a maior parte do desmatamento profundo ocorre nas florestas tropicais, essenciais para mitigar e adaptar o clima. Esta é a maior participação indígena que já vi. Eles estão pedindo o fim do desmatamento e exigindo restauração”, ressaltou.





