Cientistas brasileiros estão desvendando os segredos da longevidade, focando em super centenários, pessoas que vivem mais de 110 anos. Uma pesquisa recente, publicada no periódico Genomy Psychiatry, revela como esses indivíduos conseguem evitar doenças graves, como câncer e demência, enquanto mantêm sua funcionalidade em idades avançadas.
O estudo foi conduzido pelo Centro de Pesquisas sobre o Genoma Humano e Células-Tronco da Universidade de São Paulo (USP) e destaca a importância da genética na longevidade. A pesquisa identificou que a miscigenação da população brasileira é crucial para entender a longevidade.
A mistura de ancestrais nativos americanos, europeus, africanos e asiáticos resultou em um cenário genético único, com mais de 8 milhões de variantes genômicas não encontradas em bancos de dados globais. Essa diversidade possibilita a descoberta de “genes protetores” que podem não estar presentes em populações mais homogêneas, como as da Europa ou América do Norte.

Mecanismos de resistência biológica
Os pesquisadores apontam três mecanismos principais que contribuem para a resistência biológica dos supercentenários. O primeiro é a adaptação imunológica, onde o sistema imunológico, em vez de perder eficiência com a idade, se adapta e expande células de defesa específicas. Isso permite um controle eficaz de infecções e células doentes.
O segundo mecanismo é a limpeza celular, ou proteostase, que se refere à capacidade das células de eliminar componentes danificados. Nos supercentenários, esse processo de autofagia se mantém ativo, evitando o acúmulo de resíduos celulares que podem levar a falhas no organismo.
O terceiro pilar é a estabilidade do DNA. Variantes raras em genes relacionados ao reparo de danos no DNA foram identificadas, indicando que as células desses indivíduos são mais eficientes em se auto-reparar, reduzindo o risco de doenças.





