Cientistas identificaram um fenômeno que chama atenção pela relação direta entre plantas e minerais: espécies de eucalipto são capazes de absorver ouro do solo e concentrá-lo em suas folhas. Embora os estudos tenham sido conduzidos na Austrália, a descoberta desperta interesse no Brasil, onde o eucalipto é amplamente cultivado para fins industriais e ambientais.
A constatação ganhou destaque após análises realizadas em áreas sem atividade de mineração recente, demonstrando que o transporte do ouro ocorre de forma natural. Amostras coletadas de folhas apresentaram partículas microscópicas do metal, confirmando que o elemento percorre o sistema interno da planta desde as raízes até as extremidades.

Como o eucalipto absorve e transporta o ouro
O processo começa nas raízes profundas do eucalipto, que podem alcançar dezenas de metros abaixo da superfície, especialmente em regiões de clima seco. Durante a absorção de água e nutrientes, pequenas quantidades de ouro dissolvido acabam sendo captadas junto aos minerais presentes no solo argiloso.
A partir daí, o elemento entra no sistema vascular da planta, responsável pela distribuição interna das substâncias. Pesquisas laboratoriais confirmaram esse mecanismo ao cultivar mudas de eucalipto em solos contendo ouro.
Os resultados mostraram que, mesmo em concentrações baixas, o metal é transportado internamente e se acumula nas folhas. As partículas identificadas são extremamente pequenas, invisíveis a olho nu, e não têm valor econômico direto para extração, mas são relevantes do ponto de vista científico e ambiental.
Apesar de curioso, o ouro é tóxico para o eucalipto. Para evitar danos aos tecidos internos, a planta adota uma estratégia de defesa: desloca o metal para as folhas, onde o impacto é menor. Com o tempo, quando essas folhas caem, o ouro retorna ao solo, reiniciando o ciclo natural de circulação do elemento no ambiente.





