Por mais de três séculos, a Lei de Amontons serviu como base para entender como o atrito ocorre entre superfícies sólidas. De acordo com esse modelo clássico, a força de resistência ao movimento depende principalmente da carga aplicada entre os corpos e não da área de contato. Essa explicação se consolidou ao longo do tempo como um dos pilares da física. No entanto, uma nova descoberta científica indica que esse entendimento pode ser mais limitado do que se imaginava.
Pesquisadores da Universidade de Constança, na Alemanha, liderados pelo cientista Hongri Gu, demonstraram que o atrito pode existir mesmo sem qualquer contato físico direto. Utilizando estruturas magnéticas altamente controladas, o estudo revelou que interações entre campos magnéticos são capazes de gerar resistência ao movimento, ampliando de forma significativa o conceito tradicional de atrito.

No experimento, duas camadas magnéticas foram posicionadas muito próximas uma da outra, mas sem se encostar. Os cientistas registraram uma força de resistência comparável ao atrito convencional. Isso ocorre porque os momentos magnéticos das estruturas interagem entre si, criando padrões de alinhamento que variam conforme a distância entre as camadas, o que influencia diretamente a intensidade da resistência observada.
Descoberta científica pode mudar entendimento da física
Em determinadas faixas de distância, surgem picos de atrito associados à histerese magnética. Nesse processo, parte da energia do sistema é dissipada de maneira não intuitiva, gerando uma força de frenagem mesmo sem contato físico. Quando as camadas estão muito próximas ou mais afastadas, o efeito perde intensidade, mostrando que esse tipo de atrito pode ser ajustado com alto grau de precisão.
A descoberta não invalida a teoria clássica, mas amplia o alcance ao mostrar que o atrito também pode ser controlado por interações invisíveis. Esse avanço abre novas possibilidades tecnológicas, como o desenvolvimento de sistemas com menor desgaste mecânico, maior eficiência energética e materiais inteligentes com atrito regulável, com potencial de impacto em áreas como indústria, transporte, robótica e engenharia de precisão.





