O movimento das placas tectônicas ajuda a explicar por que a África já fez parte de um único bloco continental e continua se transformando até hoje. Há cerca de 300 milhões de anos, o planeta era dominado pela Pangeia, uma imensa massa de terra que, com o tempo, começou a se fragmentar e deu origem a dois grandes blocos: Laurásia, ao norte, e Gondwana, ao sul, onde estava o território africano.
Com a continuidade desse processo, Gondwana também se rompeu, separando a África de regiões como a América do Sul, a Antártida, a Índia e a Austrália. Esse fenômeno explica por que os litorais africano e sul-americano apresentam formatos que parecem se encaixar, como peças de um quebra-cabeça, evidência clássica da deriva continental.
Atualmente, o continente africano segue em transformação por meio do processo chamado rifteamento continental. Um dos exemplos mais impressionantes é o Grande Vale do Rift, uma vasta fratura que atravessa o leste da África. Nessa região, as placas tectônicas estão se afastando lentamente, indicando que o continente pode, no futuro, se dividir novamente.
Placas tectônicas separam o continente africano aos poucos
Um dos pontos mais ativos desse fenômeno fica na região de Afar, no norte da Etiópia. Nesse país, três grandes estruturas geológicas, a Fenda do Mar Vermelho, a Fenda do Golfo de Aden e a Grande Fenda Etíope, formam um sistema em formato de “Y”, onde as placas tectônicas se afastam gradualmente e permitem a ascensão de material quente do interior da Terra.
Apesar de impressionante, esse processo ocorre em um ritmo extremamente lento. As fendas avançam poucos milímetros por ano, o que significa que a possível formação de um novo oceano levará milhões de anos. Ainda assim, o fenômeno reforça que a superfície do planeta está em constante transformação, mesmo que essas mudanças não sejam perceptíveis no dia a dia.





