Há milhões de anos, a América do Sul, precisamente na região em que o Brasil está concentrado, estava ligada à África. No entanto, por consequência do movimento das placas tectônicas, as nações acabaram sendo separadas, originando dois continentes distintos. Repetindo a ação milenar, um novo processo geológico promete repartir o território africano nos próximos anos.
A princípio, uma grande rachadura na porção oriental do continente africano foi notada pelos estudiosos, principalmente por atingir porções da Etiópia, Tanzânia, Quênia e Uganda. A repartição em questão corresponde à região de Afar, conhecida por ser um ponto de encontro de três placas tectônicas (Grande Vale do Rift, Mar Vermelho e Golfo de Áden).

Nos estudos preliminares, foi analisada a ação de magma no planalto etíope com um modelo que pode ser expandido para a ação de vulcanismo por toda a África Oriental. Em suma, as três placas tectônicas pressionam uma placa menor, a Victoriana. Conforme se expande uma fenda nesse encontro de placas, parte da Somaliana pode se desprender em direção ao Oceano Índico, abrindo caminho para o novo oceano.
“Há um pequeno vulcão no subsolo (dessa região da Etiópia) que está impedindo a passagem de um largo corpo de água salgada. Na verdade, não se tratará exatamente de um novo oceano, apesar de comumente chamarmos assim. Visualize como uma expansão do Mar Vermelho”, destaca a geocientista Cynthia Ebinger, em entrevista cedida à BBC Brasil.
Mais detalhes sobre a ação do “novo oceano”
Sobretudo, a ação é o resultado de um processo geológico presente no interior da Terra há anos, com as placas tectônicas da África Oriental e da África Central sendo puxadas para longe uma da outra pelo movimento do manto terrestre. Ao decorrer dos anos, deve ser criada uma divisão definitiva, proporcionando o que aconteceu quando a América do Sul e África se separaram, formando o Oceano Atlântico.
“Esses dois estudos nos permitem observar com clareza um processo geológico de grande magnitude: a formação de um novo oceano, embora, é claro, em escalas de tempo geológicas muito longas, da ordem de dezenas de milhões de anos. Esse movimento não apenas ‘rasga’ a crosta, mas também influencia a subida do magma”, explica a geóloga Carolina Pagli, do Departamento de Ciências da Terra da Universidade de Pisa.





