Diante do prestígio acumulado por dirigir e financiar o filme “Ainda estou aqui”, ganhador do Oscar de melhor filme estrangeiro, Walter Moreira Salles Júnior teve sua vida vasculhada pelos brasileiros. Detentor de patrimônio astronômico, o bilionário faz parte do clã que comanda o empreendedorismo no setor do nióbio em escala mundial.
Fundada em 1955, a Companhia Brasileira de Metalurgia e Mineração (CBMM) corresponde a uma das holdings da família Moreira Salles. Em suma, a empresa tornou-se líder mundial no fornecimento de produtos de nióbio. A título de conhecimento, o metal apresenta capacidade de dinamizar as propriedades de outros materiais, aumentando sua resistência e leveza.
Embora tenha parcela nas movimentações empresarias construídas por seu pai, Walther Moreira Salles, Walter optou por desprender energia no cinema brasileiro. Além de dirigir “Ainda estou aqui”, o empresário esteve à frente de “Central do Brasil”, que foi indicado na mesma categoria do Oscar em 1999, que naquele ano foi concedido ao filme italiano “A vida é bela”.
Mesmo sendo o menos rico entre os irmãos, Walter Salles teve sua fortuna avaliada pela Forbes em US$ 4,5 bilhões (o equivalente a R$ 24,5 bilhões na cotação atual). Além das produções cinematográficas, parte do patrimônio do empresário está depositado na extração e exportação de nióbio e no Banco Itaú, instituição na qual a família é sócia.
Nióbio assumiu o protagonismo do Oscar
Ainda que faturar a estatueta do Oscar tenha trazido alegria para toda a nação brasileira, Walter reconhece que o cinema não é a principal fonte para dinamizar a riqueza acumulada em suas mãos. Para se ter uma noção, as movimentações da CBMM garantem a comercialização de 150 mil toneladas de ferronióbio por ano.
Nesse ínterim, o ganhador do Oscar se beneficia com as alianças feitas como os 500 clientes em mais de 50 países, façanha que permite à CBMM operar com uma ampla rede logística de armazéns, escritórios internacionais e distribuidores. Mas afinal, qual a finalidade do nióbio?
- Ferronióbio standard, usado em aços estruturais para construção civil, oleodutos e carrocerias automotivas, promovendo leveza e redução de emissões.
- Ligas de grau vácuo, como ferronióbio e níquel nióbio, utilizadas em motores de aeronaves, turbinas terrestres e aplicações aeroespaciais, pela resistência térmica e química.
- Óxidos de nióbio, com aplicações que vão de baterias ultrarrápidas — com recarga em menos de 10 minutos e vida útil até cinco vezes superior às tradicionais — a lentes ópticas e catalisadores para a indústria química.
- Nióbio metálico, altamente puro, indispensável em equipamentos de ressonância magnética, tomógrafos e aceleradores de partículas, devido à supercondutividade.




