A relação comercial entre Brasil e Estados Unidos volta ao centro das atenções com a previsão de conclusão, em julho, de um relatório que pode trazer consequências práticas para a economia brasileira. A Representação de Comércio dos EUA conduz a investigação iniciada em 2025 para apurar práticas consideradas desleais pelo governo de Donald Trump.
O processo segue o prazo padrão de até 12 meses e pode resultar em medidas concretas contra o Brasil. Entre os pontos analisados, três se destacam: o Pix, o setor de etanol e o desmatamento ilegal. Na avaliação dos Estados Unidos, esses fatores contribuem para distorções na concorrência internacional e prejudicam empresas americanas. As críticas também aparecem no Relatório de Estimativa Nacional do Comércio de 2026, que dedicou espaço relevante às relações com o Brasil.

No caso do Pix, o governo americano aponta que o modelo adotado cria um ambiente desfavorável à concorrência. Empresas como Visa e Mastercard seriam impactadas, já que o Banco Central atua como operador e regulador do sistema. Para Washington, essa estrutura comprometeria a igualdade de condições no mercado de pagamentos digitais.
Relatório dos Estados Unidos pode gerar sanções ao Brasil
A produção de etanol também é alvo de críticas. Segundo dados apresentados, as exportações dos Estados Unidos para o Brasil caíram de 761 milhões de dólares em 2018 para 54 milhões de dólares em 2024, reflexo de tarifas consideradas elevadas. Ao mesmo tempo, os americanos seguem como principal destino do etanol brasileiro, o que reforça a tensão nesse segmento estratégico.
Além disso, o relatório aborda o desmatamento ilegal, falhas na fiscalização anticorrupção e problemas na proteção de propriedade intelectual. Com base na Seção 301 da Lei de Comércio dos EUA, o documento pode recomendar tarifas ou restrições, como já ocorreu em 2025. O desfecho tende a influenciar diretamente o comércio bilateral e o ambiente econômico nos próximos meses.





