Nos últimos meses, os Estados Unidos e o Brasil travaram embates políticos orquestrados pelos presidentes Donald Trump e Luiz Inácio Lula da Silva. Com as arestas aparadas, o governo norte-americano decidiu contornar o percurso e anunciar investimento de US$ 565 milhões (cerca de R$ 3 bilhões) na região Centro-Oeste.
Na prática, os valores serão destinados à Serra Verde Mineração, mina de terras raras localizada em Minaçu, cidade de Goiás, e que tem a China como um dos pilares do segmento. De acordo com as análises dos especialistas, a jogada das autoridades estadunidenses pode estar diretamente ligada à necessidade de reduzir a dependência do país em relação ao domínio chinês na cadeia global de minerais críticos.
A empreitada financiada pelos Estados Unidos tem o objetivo de dinamizar a produção de terras raras e criar fontes alternativas de fornecimento destes insumos essenciais rumo aos setores tecnológicos e industriais. Por consequência do acordo assinado, a ligação com o Brasil ganha contornos geopolíticos, diversificando o mercado para a criação de um bloco comercial.
De acordo com as projeções iniciais, parcela dos aportes será utilizada para refinanciar dívidas e aumentar a produção da Serra Verde para 6.500 toneladas de óxidos de terras raras por ano até 2027. A imersão dos norte-americanos não é uma aposta, já que o Brasil apresenta a segunda maior reserva do produto em escala mundial.
Desdobramentos da ligação entre os países
Na prática, além dos aportes milionários, os EUA projetam estabelecer uma rede internacional de cooperação para diversificar a origem dos minerais críticos. Isso porque esses produtos são imprescindíveis para o funcionamento de setores como o automotivo e o aeroespacial. A nível de compreensão, a mina de Serra Verde contém 22 milhões de toneladas de reservas em sua conjuntura.
Parceira política do Brasil, a China se opõe à parceria comercial com os Estados Unidos, afirmando que tais blocos comerciais podem comprometer a ordem econômica global. No entanto, mesmo com os impasses evidenciados, Washington segue avançando na construção de elos com nações como Japão e União Europeia.





