Reconhecida como Patrimônio Mundial pela UNESCO, a Planície dos Jarros, que fica localizada no Laos, no Sudeste Asiático, revelou novas pistas sobre a relação entre florestas e ecossistemas aquáticos ao longo de milhares de anos. Um estudo recente mostrou que os antigos recipientes de pedra funcionam como um “experimento natural” que data de cerca de 2 mil anos.
O local abriga milhares de jarros funerários, dos quais mais de 2.100 ainda acumulam água da chuva. Ao analisar 39 desses recipientes em diferentes pontos da região, a pesquisadora Laura Käse, da Universidade de Copenhague, na Dinamarca, identificou uma relação direta entre a densidade da vegetação ao redor e os níveis de oxigênio na água.
Os resultados indicam que os jarros expostos ao céu aberto recebem mais luz, apresentam menor acúmulo de matéria orgânica e concentram maior presença de algas, o que faz com que tenham níveis mais elevados de oxigênio. Já os recipientes localizados sob cobertura arbórea densa acumulam folhas e detritos, criando ambientes mais ricos em nutrientes, mas com menor oxigenação.
Estudo milenar é conduzido em Patrimônio Mundial da UNESCO
Esse processo ocorre porque a decomposição da matéria vegetal libera nutrientes que alimentam organismos que consomem oxigênio. Em áreas mais sombreadas, essa dinâmica favorece a eutrofização, fenômeno caracterizado pelo excesso de nutrientes e crescimento acelerado de organismos, o que altera o equilíbrio ecológico dentro dos recipientes.
Além da química da água, os jarros também abrigam uma variedade de formas de vida, como microrganismos, insetos, plantas aquáticas e anfíbios. Para os cientistas, cada recipiente funciona como um microecossistema independente, permitindo observar, ao longo de séculos, como fatores ambientais moldam habitats de água doce. Os estudos mostram que esses artefatos fazem parte dos mais antigos experimentos ecológicos já registrados na história.





