Considerada uma das marcas mais consolidadas nas prateleiras dos supermercados argentinos, a Tía Maruca decidiu encerrar as atividades de sua principal fábrica. A companhia de biscoitos surpreendeu seus clientes ao decretar o fechamento dos portões da unidade localizada em Albardón, San Juan. Com mais de duas décadas de operação, o empreendimento deixou de competir com grandes nomes do segmento.
A justificativa por detrás do decreto está diretamente ligada à forte queda nas vendas internas na Argentina, o que comprometeu a sustentabilidade financeira da empresa. Em continuidade, há ainda o aumento no preço de insumos essenciais, como farinha e açúcar. Com a produção dos biscoitos se tornando inviável, o acúmulo de dívidas passou a integrar a realidade dos responsáveis pela fábrica.

Embora o encerramento tenha levantado diversos questionamentos por parte dos clientes, é válido destacar que a Tía Maruca já vinha enfrentando dificuldades financeiras desde 2019. No cenário montado há sete anos, as dívidas estavam acumuladas, assim como eram vistos atrasos salariais e dificuldade de acesso a crédito bancário.
Para entender o palco inoperante da empresa, antes do fechamento final da fábrica de San Juan, a marca já havia fechado uma fábrica menor situada em Chascomús, em setembro de 2025. Na ocasião, 27 colaboradores foram afetados pelo desemprego. Agora, sem munição financeira para continuar, a companhia encerra sua trajetória competitiva em meio à busca pelo protagonismo no setor argentino.
Do prestígio ao declínio
Fundada em 1998 por Alejandro Ripani, a Tía Maruca começou como uma empresa familiar que rapidamente ganhou espaço em todo o país sul-americano. Em seus momentos áureos, chegou a exportar suas mercadorias para outras nações. Nesse ínterim, no ano de 2017, expandiu-se com a aquisição de outra fábrica, mas esse mesmo crescimento acelerado a tornou vulnerável às flutuações econômicas.
A crise se agravou em 2019, ano em que a marca entrou com pedido de recuperação judicial devido a dívidas estimadas em 300 milhões de pesos (cerca de R$ 1,1 bilhão). Já em 2024, ocorreu uma importante transação acionária. O grupo Argensun Foods adquiriu uma participação de 50% e assumiu o controle operacional e estratégico da Tía Maruca.
Como resultado da troca de papeladas, a movimentação permitiu à empresa liquidar pagamentos pendentes, processar cheques devolvidos e finalizar seu processo de falência. No entanto, em abril deste ano, a manutenção da fábrica em Albardón tornou-se inviável, culminando na demissão de dezenas de trabalhadores, que foram notificados da decisão por meio de telegramas.





