Após o desastre nuclear, ocorrido em abril de 1986, Chernobyl tornou-se uma zona inabitável devido à contaminação radioativa de longa duração. Embora não possa abrigar humanos, o local tem sido tomado por um fungo extremamente persistente. Trata-se do Cladosporium sphaerospermum, conhecido por sua alta resistência ambiental (xerotolerante) e capacidade de crescer em condições extremas.
Desde que o reator da Unidade Quatro da Usina Nuclear de Chernobyl explodiu há quase quatro décadas, outros tipos de formas de vida começaram a se alastrar pela região. Por meio de investigações, ficou comprovada a presença do fungo, famoso por ser radiotrófico, ou seja, capaz de utilizar radiação ionizante como fonte de energia para expandir de tamanho.
Ainda que as pesquisas sigam em andamento, especialistas acreditam que a sua coloração escura pode permitir que ele utilize a radiação ionizante por meio de um processo semelhante à forma como as plantas utilizam a luz para a fotossíntese. O ponto principal levantado pelos cientistas é como e o motivo de o fungo conseguir prosperar em uma das áreas mais inóspitas do planeta.
Descoberta em Chernobyl
As pesquisas foram iniciadas no final da década de 1990, quando uma equipe liderada pela microbiologista Nelli Zhdanova, da Academia Nacional de Ciências da Ucrânia, iniciou um estudo de campo na Zona de Exclusão de Chernobyl. O objetivo da empreitada era averiguar qual tipo de vida poderia existir, tendo uma noção do processo de dissipação da radioatividade.
Para a surpresa dos especialistas, foram registradas 37 espécies vivendo em comunidade. Curiosamente, todos os organismos apresentavam coloração escura a preta, ricos no pigmento melanina. Por sua vez, foi descoberto que a exposição do C. sphaerospermum à radiação ionizante não prejudica o fungo da mesma forma que prejudicaria outros organismos.
Para uma melhor compreensão, a ionização pode quebrar moléculas, interferindo em reações bioquímicas e até mesmo destruindo o DNA dos seres humanos. Porém, o fungo mostrou-se extremamente resistente, crescendo ainda mais quando banhado em radiação ionizante. Segundo os pesquisadores, esses microrganismos parecem captar radiação, convertendo-a em energia.





