No final dos anos 1990, a reconfiguração do cenário televisivo brasileiro após o fim da Rede Manchete gerou uma corrida por concessões de canais UHF. Na Baixada Santista, o processo para implantação da VTV revelou embates entre celebridades e grupos políticos locais, com Gugu Liberato buscando concretizar seu antigo projeto de criar uma emissora mesclando jornalismo e entretenimento.
A batalha pela frequência 36
Entre 1998 e 2000, sete grupos concorreram à concessão do canal em Santos. Fábio Júnior surpreendeu ao entrar na disputa, enquanto Gugu Liberato articulava parcerias para viabilizar seu modelo de “CNN brasileira com tempero de E!”. O apresentador do SBT investiu em documentação técnica e projetos de programação, mas a licitação foi vencida pelo Grupo PRM – sigla que correspondia a Paulo Roberto Mansur, então prefeito eleito da cidade.
“Fiz tudo certo. Ninguém pode desmoralizar o trabalho de um sujeito assim”, declarou Gugu à imprensa após o resultado. A derrota ocorreu apesar de seu grupo oferecer 28% do capital social a acionistas minoritários, estratégia inédita no setor. Registros do Ministério das Comunicações mostram que a proposta vencedora previa 98% de controle familiar.

Conexões políticas e legado midiático
A família Mansur já operava a Rádio Cultura desde 1957 e utilizou a experiência em telecomunicações para estruturar a VTV. Embora negassem inicialmente o vínculo com o prefeito, documentos comprovaram que 62% das cotas pertenciam a seus parentes diretos. O modelo de gestão familiar permitiu rapidamente a instalação de torres de transmissão em três municípios da região.
Gugu tentaria novamente em 2003, adquirindo a TV Pantanal em Mato Grosso. O projeto durou 11 meses antes de ser vendido ao Grupo Jaime Câmara, mantendo-se como caso emblemático de como concessões de TV no Brasil frequentemente envolvem interseções entre interesses midiáticos e estruturas de poder local.





