Outrora acusado de aplicar o chamado “golpe do ouro“, no Mato Grosso do Sul, o empresário Celso Éder Gonzaga de Araújo tornou-se réu em investigação que aponta lavagem de dinheiro em esquema de corrupção investigado pelo Ministério Público de São Paulo, envolvendo as empresas Ultrafarma e a Fast Shop.
A princípio, Celso afirmava ser herdeiro de R$ 9 trilhões, mas o esquema do empresário veio à tona ao ser acusado de dar golpe em mais de 25 mil pessoas. De acordo com a Polícia Federal, a empreitada consistia em prometer retorno milionário aos investidores que depositassem cifras elevadas em uma mina de ouro, o que nunca aconteceu.
No entanto, seu nome voltou aos holofotes após ser alvo da operação Ícaro, deflagrada nesta quarta-feira (13) e que resultou na prisão também do fundador da rede Ultrafarma, Sidney Oliveira, e do executivo da Fast Shop, Mario Otávio Gomes. Segundo as investigações, Araújo e a esposa, Tatiane da Conceição Lopes, foram apontados como responsáveis pela lavagem de dinheiro para a quadrilha.
Entenda o que foi o ‘golpe do ouro’
Embora as investigações estejam em andamento, os agentes à frente do caso identificaram a ligação entre os dois casos. Isso porque, em 2017, Celso foi apontado pela Polícia Federal como líder da chamada “Operação Celso” ou “Aumetal”. Ela movimentou R$ 48 milhões vindos de vítimas, que teriam investido em uma mina de ouro descoberta no Brasil-Império, cujas riquezas estariam sendo repatriadas e redistribuídas.
Imerso no esquema de lavagem de dinheiro, Araújo e seu tio, Anderson Flores de Araújo, vendiam a “participação” nesses supostos lucros por meio de contratos milionários sem qualquer lastro. Nesse ínterim, as vítimas depositavam valores entre R$ 1 mil a R$ 10 mil, mas nunca conquistaram o retorno prometido pelos criminosos.
Para a surpresa de muitos, em abril deste ano, o ministro Messod Azulay Neto, relator do caso, no Superior Tribunal de Justiça, apontou “falhas processuais” e “inconsistência de provas”. Assim, por unanimidade, a entidade optou por trancar o processo e tornar o investigado livre das acusações.
Esquema de lavagem de dinheiro envolvendo grandes empresas
Depois de vitimar milhares de pessoas com falsas promessas, a casa de Celso Éder Gonzaga de Araújo está prestes a ruir. Iniciado em 2021, o esquema envolvendo a Ultrafarma e a Fast Shop consistia em pagamento a auditores estaduais para conseguirem ressarcimento de créditos de ICMS em meio a contratações de empresas de fachada no nome da mãe do auditor.
“O mesmo serviço que o fiscal prestava para a Fast Shop prestava para a Ultrafarma: da coleta de notas fiscais e documentação necessária até o próprio pedido de ressarcimento na Fazenda, ele acompanhava e deferia o ressarcimento de créditos. Ele tinha o próprio certificado digital da Ultrafarma para fazer os pedidos junto ao sistema”, afirmou o promotor João Ricupero, do MP-SP.





