No dia 10 de dezembro, o Ministério da Saúde anunciou as diretrizes para o uso da nova vacina contra a dengue. A informação foi comemorada por cientistas, já que se trata do primeiro imunizante de dose única produzido integralmente no Brasil pelo Instituto Butantan. Embora seja do interesse coletivo, as primeiras doses serão administradas em segmento privativo.
De acordo com a entidade, as primeiras remessas (1,3 milhão) já fabricadas serão destinadas aos profissionais da Atenção Primária, que atuam nas UBS (Unidades Básicas de Saúde) e em visitas domiciliares, seguindo a recomendação da CTAI (Câmara Técnica de Assessoramento de Imunização). A estimativa é de que as doses em questão sejam aplicadas até o final de janeiro de 2026.

Assim como ocorreu com a vacina da Covid-19, os profissionais da saúde foram priorizados, entendendo os riscos de contaminação ao atender os pacientes. No discurso sobre as doses, o ministro Alexandre Padilha repetiu o feito e pontuou a necessidade de colocar no primeiro escalão aqueles que estão na linha de frente todos os dias.
“A vacinação já começa com a produção do Butantan, que vai oferecer volume suficiente para iniciarmos a imunização dos profissionais da atenção primária em todo o país. A atenção primária é a porta de entrada para os casos de dengue, por isso é fundamental proteger o mais rápido possível esses profissionais”, frisou o ministro.
Ampliação da vacina e eficácia comprovada
A fim de reduzir os casos de dengue, o Ministério da Saúde projeta ampliar a vacinação ao público geral nos meses subsequentes. Sobretudo, a campanha deve começar pelos adultos de 59 anos e avançar gradualmente até atingir a faixa dos 15 anos. Por sua vez, é válido destacar que a oferta das doses faz parte da parceria entre o Instituto Butantan e a empresa chinesa WuXi Vaccines, responsável pela produção em maior escala e pela transferência de tecnologia.
De acordo com os estudos apresentados pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), a vacina desenvolvida pelo Butantan demonstrou eficácia de 74,7% contra a dengue sintomática em pessoas de 12 a 59 anos e de 89% contra formas graves e com sinais de alarme. O ponto positivo é que o Sistema Único de Saúde (SUS) já oferece uma outra vacina contra a dengue, fabricada por um laboratório japonês e aplicada em duas doses, destinada a adolescentes de 10 a 14 anos.

