Realizar o sonho de ser jogador de futebol não é tão fácil quanto parece, mas poucas crianças conseguem deslanchar na modalidade. Aposentado dos gramados desde 2018, quando se despediu do Confiança, Diogo Douglas, ex-lateral-direito, tem uma trajetória bastante peculiar. Outrora cobiçado por Santos e Cruzeiro, atualmente trabalha como vendedor de botijão de gás.
Remando contra a maré, ao pendurar as chuteiras, o antigo defensor do Corinthians não investiu na carreira de dirigente ou treinador. Entendendo a necessidade de rotacionar as finanças, decidiu ouvir sua esposa, Tatiana Paz, que abriu uma distribuidora de gás no passado. Como resultado da aliança entre a dupla, o empreendimento trouxe um conforto orçamentário familiar.

“Sem ela, não sei o que seria de mim hoje. Em 2016, 2017, ela já não podia me acompanhar mais nos clubes porque tinha que ficar devido ao negócio. E foi dando certo. Eu falo o seguinte: se eu estivesse no Corinthians, no Flamengo, eu não ia parar de jogar. Mas Deus estava abrindo a porta de outra forma, então decidi parar de jogar para ficar ao lado dela e ajudar na empresa”, explicou ele.
Ainda que a fala do ex-jogador possa parecer imaginária, Diogo comemora o sucesso da distribuidora, que atualmente contempla seis pequenas filiais espalhadas pela Região Metropolitana do Recife. De acordo com as estimativas do lateral, a empresa calcula uma venda média de 25 mil a 30 mil botijões por mês, o que gera uma receita entre R$ 2,5 milhões e R$ 3 milhões mensais.
Descenso como jogador de futebol
Diogo Douglas Santos Andrade Barbosa nasceu em Estância (SE), iniciando sua trajetória no mundo da bola com a camisa do Sergipe. Destacando-se entre os demais atletas, foi realocado para o Mogi Mirim, Porto-PE, Sport, Corinthians, Bahia, Ceará, São Caetano, CRB e Santa Cruz. Porém, descendeu nos últimos anos, servindo o Vera Cruz-PE, Serra Talhada, Confiança, América-RN, Jacobina e ASA.
Seu ponto alto ocorreu em 2008, quando auxiliou o Sport a erguer a taça da Copa do Brasil. A façanha em questão lançou o lateral-direito ao radar de vários clubes da elite nacional. Ainda que apresentasse uma qualidade refinada, seu descenso foi motivado pela falta de disciplina. Nesse ínterim, embarcou em festas e bebidas, deixando de ser cobiçado pelas instituições.
“No futebol, você tem que ter uma família por trás, ter pessoas que possam te orientar, porque no futebol é tudo fácil. Se você não estiver centrado, perde as oportunidades e vai ficando para trás. E comigo foi assim. A gente pensa que já chegou lá em cima, e apenas era um passo. Aí eu comecei a sair: festa, balada, bebedeira… Meu foco já não era mais o futebol”, lamentou o antigo defensor.





