Em maio de 2024, a Rússia descobriu enormes reservas de petróleo na Antártida, estimando a concentração de 500 bilhões de barris do combustível. Embora seja projetada como a maior reserva do planeta, a extração não será orquestrada pelo país europeu, tendo em vista que a área está protegida pelo Tratado da Antártida de 1959.
De acordo com informações do Comitê de Auditoria Ambiental da Câmara dos Comuns (EAC) do Reino Unido, a descoberta foi assinada por navios de pesquisa russos no Mar de Weddell, que está sob a reivindicação do território ultramarino britânico. Com as reivindicações de propriedade suspensas, não há como o governo do presidente Vladimir Putin se beneficiar do potencial exploratório.

“Esse documento indica que a Antártida é um continente dedicado à ciência e à paz e não reconhece nenhuma soberania em nenhum território, mas, ao mesmo tempo, os países que têm reivindicações territoriais não deixaram de fazê-las, ou seja, congelou a situação que estava na década de 50”, explica Jefferson Simões, vice-presidente do Comitê Científico de Investigação Antártida (SCAR).
Para se ter uma noção do quanto o território é valioso, em 2022, a Arábia Saudita contabilizou metade das reservas de petróleo que a Antártida. Por outro lado, a presença do combustível tem gerado grandes debates econômicos entre os interessados. Não há indícios de que a região será explorada, tendo em vista se tratar de local usado exclusivamente para fins pacíficos.
Impactos da extração do petróleo
Além de ser resguardada por lei, a Antártida não poderia ser explorada devido ao clima proeminente frio, que demandaria mais tempo para que os processos químicos de degradação de óleos fossem removidos. Assim, caso a Rússia conseguisse o direito de acesso, a cadeia alimentar seria prejudicada pela contaminação direta do produto.
“Muito provavelmente este tema será debatido para evitar um novo conflito envolvendo a Rússia e esse cenário ressalta a necessidade de uma abordagem diplomática renovada para discutir a exploração numa região delicada como é a Antártida”, explica o analista de geopolítica e energia do Centro de Estudos das Relações Internacionais (Ceres), Luis Augusto Rutledge.
Abrangendo uma área de 14 milhões de quilômetros quadrados, a Antártida é considerada uma das regiões mais importantes do mundo, mesmo que o clima inóspito se faça presente. Curiosamente, cerca de 90% do volume de gelo do mundo encontra-se lá, representando cerca de 80% da sua água doce.





