Dados recentes do Ministério da Saúde mostram que nos últimos três anos mais de 156 mil procedimentos relacionados a infarto agudo do miocárdio foram realizados em homens com até 40 anos no Brasil. Entre as mulheres da mesma faixa etária, o número ultrapassa 77 mil. Os casos são mais frequentes entre pessoas de 31 a 40 anos, mas também há registros entre adolescentes e até crianças.
Estes procedimentos incluem tanto internações e tratamentos hospitalares quanto atendimentos ambulatoriais, como exames e consultas. Vale observar que um único indivíduo pode responder por múltiplos registros.
Também nos últimos três anos, os infartos em pessoas menores de 40 causaram mais de 7,8 mil mortes: 2.720 em 2022, 2.609 em 2023 e 2.536 em 2024 (até o momento). São Paulo concentra o maior número de óbitos (2.490), seguido do Rio de Janeiro (622).
Pandemia e seus impactos na saúde cardiovascular de jovens
A chegada da pandemia de Covid‑19 teve efeito significativo: houve um aumento de duas horas por dia no tempo médio que as pessoas permanecem sentadas, queda na prática de atividades físicas e piora na alimentação, no sono e no estresse. Esses fatores favorecem o acúmulo de gordura visceral, altamente inflamatória e associada a infartos precoces.
Além disso, a própria infecção pelo coronavírus pode afetar o sistema cardiovascular — estudos internacionais mostram que mesmo jovens saudáveis apresentaram maior incidência de inflamações nos vasos e no coração após a Covid‑19. Outro ponto crítico: durante o isolamento, muitas pessoas deixaram de fazer exames ou consultas, atrasando o diagnóstico e o tratamento dos fatores de risco.
Desigualdade social eleva o risco em determinadas regiões
A mortalidade por infarto também varia conforme a localização e a condição socioeconômica. Regiões como Norte e Nordeste concentram mais casos fatais devido ao acesso precário aos serviços de saúde. Jovens de baixa renda frequentemente chegam ao hospital em estágio avançado da doença e nem sempre recebem atendimento adequado.
Para reduzir essas desigualdades, especialistas defendem políticas públicas que vão além do tratamento hospitalar, promovendo prevenção nas comunidades mais vulneráveis.
Prevenção deve começar cedo
Especialistas enfatizam a importância de:
• Programas educativos nas escolas
• Estímulo a hábitos saudáveis desde a infância
• Combate ao uso de tabaco, drogas e anabolizantes
• Monitoramento precoce de pressão arterial elevada, colesterol e histórico familiar
Essa abordagem integrada pode frear o aumento dos casos de infarto entre os jovens. Reconhecer os sintomas e agir com rapidez ainda é fundamental para salvar vidas.
Se há histórico familiar de doenças cardíacas, colesterol elevado ou uso de substâncias, converse com um médico e comece acompanhamentos preventivos o quanto antes.





