Um novo formato de varejo alimentar começa a ser testado em São Paulo e propõe mudar a relação entre consumidores e supermercado. Inspirado em cooperativas dos Estados Unidos e da Europa, o modelo participativo prevê que clientes trabalhem algumas horas por mês dentro da loja para ter acesso a preços mais baixos. A proposta chega ao Brasil por meio da Gomo Coop, instalada na região da República, no centro da capital paulista.
Nesse sistema, o desconto não vem de promoções tradicionais, mas da redução da estrutura operacional. Ao substituir parte da mão de obra contratada pela participação direta dos cooperados, o supermercado reduz despesas fixas e repassa essa economia aos membros.

Funcionamento do supermercado participativo
Para acessar os descontos, o consumidor precisa se tornar cooperado da Gomo Coop. Isso envolve a compra de uma cota de capital social de R$ 100 e o compromisso de cumprir um turno de aproximadamente três horas de trabalho a cada quatro semanas. As tarefas incluem reposição de mercadorias, limpeza, organização do estoque e operação de caixa, conforme escala definida pela cooperativa.
O trabalho é uma condição para participação no sistema e para o direito de comprar com preços reduzidos e votar nas decisões internas. Antes de iniciar as atividades, o cooperado participa de uma reunião on-line de apresentação, onde recebe orientações sobre regras, direitos e deveres.
Além do modelo de trabalho, a Gomo Coop aposta em um sortimento que inclui produtos agroecológicos, itens da agricultura familiar e alimentos de cadeias sustentáveis. Esses produtos, que costumam ter preços mais altos no varejo tradicional, são oferecidos com valores menores aos cooperados justamente pela diminuição dos custos operacionais.





