Nacionalmente conhecido por ter figurado no rol de pessoas mais ricas do mundo, Eike Batista protagonizou uma das maiores derrocadas empresariais do Brasil. No entanto, soube construir alianças estratégicas que lhes renderam destaque, inicialmente, no cenário da mineração. Embora esteja tentando recuperar sua fortuna, o empresário está longe de reviver o dinamismo financeiro outrora ostentado.
A princípio, a construção do império do visionário foi iniciada por meio da extração de ouro, na década de 80. De origem afortunada, Eike usou fatores sociais para expandir seus conhecimentos em outros idiomas e culturas ao acumular viagens ao exterior. Inicialmente, atuou fazendo a ponte entre garimpeiros da Amazônia e compradores de outros países.

Reunindo experiências contínuas, fundou, aos 21 anos, a Autram Aurem, empresa com direcionamento na comercialização de ouro. Para entender o sucesso de Batista no setor, em pouco mais de um ano teve sob posse aproximadamente US$ 6 milhões (R$ 31,7 bilhões na cotação atual), valor extremamente expressivo para o período.
Dinamismo em sintonia com os ganhos
Enxergando a necessidade de dar um passo além, Eike Batista investiu na compra de garimpos e intensificou a busca por técnicas mais modernas de extração. Ao passo que tecnologias europeias desembarcavam em território brasileiro, o empresário ampliou as margens de lucro. Conforme informações do próprio visionário, os vencimentos mensais superaram US$ 1 milhão (R$ 5,2 milhões).
Aumentando consideravelmente seu patrimônio, passou a integrar o processo de mineração em outros países, a exemplo dos Estados Unidos, Chile e Canadá. Durante duas décadas (1980-2000), teve participação na criação de cerca de US$ 20 bilhões (R$ 105 bilhões) em valor nesse período. O prestígio quanto ao ouro e prata o projetou à presidência da companhia canadense TVX Gold.
Porém, uma das minas que tinha sob gestão causou danos irreparáveis na vida financeira do brasileiro. Em síntese, ao longo das proximidades do Parque Nacional de Yellowstone, nos Estados Unidos, a rica área em ouro passou a acumular pendências com as autoridades locais. A título de curiosidade, o negócio ruiu após as multas ambientais superarem os US$ 100 milhões (R$ 529 milhões).
Para a infelicidade de Eike Batista, os negócios se tornaram inviáveis na região, culminando na doação da mina para o governo norte-americano. Em meio ao prestígio financeiro e gana de superfaturar, o empresário deixou de cumprir com as obrigações legais, evidenciando o início do que seria o fim de todo um império anos depois.





