O Brasil está perto de mudar seu posicionamento no cenário mundial no tocante à presença de combustível em suas terras. Isso porque os minerais críticos apresentam potencial para se tornar o novo pré-sal do país nos próximos anos. Diante dos 27% das reservas conhecidas prospectadas, estima-se que as cadeias alcancem US$ 15,6 bilhões (R$ 82,7 bilhões na cotação atual) anuais até 2030.
Para uma melhor compreensão, o volume em questão representa alta de 187% em relação a 2024, fator impulsionado pela transição energética global. Por sua vez, a exploração de petróleo em águas profundas revelou mais de 50 bilhões de barris equivalentes, gerando mais de US$ 40 bilhões (R$ 220,5 bilhões) por ano em produção bruta.

De acordo com especialistas, o Brasil começa a mudar o cenário, passando a ter poder de barganha relevante ao concentrar reservas estratégicas disputadas por Estados Unidos, China e nações europeias. O problema é que o solo brasileiro é grande detentor de reservas, mas pequeno produtor, o que acarreta o desperdício de um enorme potencial econômico em termos de renda, industrialização e tecnologia.
“Se o Brasil repetir o que o pré-sal fez para o petróleo, porém, agora com maior distribuição territorial e maior sofisticação tecnológica, o país poderá: multiplicar exportações; criar novos clusters industriais (Minas Gerais-Goiás-Bahia, Piauí-Ceará, Pará-Amapá); elevar produtividade; atrair pesquisa e desenvolvimento internacionais; gerar receitas públicas perenes pelo pagamento de royalties; e criar uma indústria verde integrada ao comércio global”, explicam os especialistas.
Projeções para além do pré-sal
Embora o pré-sal seja a referência mais imponente de como a exploração de recursos naturais pode alavancar a economia, na análise dos autores, os minerais críticos têm potencial para desempenhar papel equiparável. Em suma, a produção brasileira se assemelha à velocidade média global observada entre 2017 e 2023, mas o país permanece concentrado na extração, sem capacidade relevante de refino e processamento.
Por outro lado, o valor da produção mineral beneficiada de cobre, grafita, manganês, níquel, terras raras e lítio tende a ascender 4,6% ao ano, até 2030, alcançando US$ 7,1 bilhões, ante US$ 5,4 bilhões em 2024, o que representa alta de 31% (a um câmbio médio de R$ 5,5 por dólar). Em outras palavras, a estimativa é de que haja um fluxo mais intenso de investimentos em expansão da capacidade extrativa.





