País vizinho ao Brasil, a Argentina discute uma proposta de reforma trabalhista que pode alterar regras históricas do sistema bancário, incluindo a possibilidade de cobrança de taxas em contas salário. A medida, que faz parte do debate econômico do governo local previsto para 2026, pode impactar diretamente milhões de trabalhadores que hoje utilizam esse tipo de conta sem custos de manutenção.
Atualmente, cerca de 20 milhões de argentinos recebem seus salários por meio dessas contas, que são tradicionalmente isentas de tarifas bancárias. No entanto, a proposta em análise pretende modificar o artigo 124 da Lei de Contrato de Trabalho da Argentina, retirando a obrigatoriedade de gratuidade. Caso a mudança seja aprovada nos próximos meses, os bancos poderão estabelecer suas próprias políticas de cobrança.

A discussão também envolve uma disputa entre instituições financeiras tradicionais e empresas de tecnologia financeira. Enquanto fintechs defendem a possibilidade de administrar pagamentos de salários por meio de plataformas digitais, bancos tradicionais alertam que uma mudança abrupta poderia afetar a estabilidade do sistema financeiro e o funcionamento do crédito no país.
Reforma trabalhista da Argentina pode mudar critério das contas salário
Até o momento, o Congresso da Argentina decidiu não autorizar que plataformas de pagamento digitais assumam o pagamento de salários. Dessa forma, os bancos permanecem como responsáveis exclusivos pela gestão das contas salário, mantendo o controle sobre o fluxo de pagamentos dos trabalhadores.
No entanto, se a cobrança de tarifas for autorizada, especialistas alertam que os trabalhadores podem enfrentar novos custos no uso de suas contas bancárias. Por outro lado, instituições financeiras enxergam a mudança como uma oportunidade para ampliar a oferta de serviços, incluindo crédito, seguros e outros produtos financeiros voltados para uma base de clientes já consolidada.





