O mundo dos esportes pode ganhar um capítulo surpreendente nos próximos meses. Isso porque um estudo recente comprovou que a hemoglobina M101, extraída do verme Arenicola marina, aumenta o transporte de oxigênio em dez vezes sem alterar o passaporte biológico. Em outras palavras, é possível que a substância ilícita não seja detectável nos exames de antidoping.
Segundo apurações do jornal ‘Corriere’, cientistas da Bielorrússia e da China descobriram uma substância que transforma pequenos roedores em atletas incríveis, desafiando assim a Agência Mundial Antidoping. Batizada de Lance A, é produzida a partir de larvas de tenébrio (Mesocricetus auratus) injetadas com uma molécula chamada M101.

Os primeiros experimentos comprovaram que a hemoglobina presente na Arenicola tem a capacidade de transportar 156 moléculas de oxigênio em comparação com apenas quatro nos humanos. Além disso, funciona a 37 graus Celsius, bem como em condições de calor ou frio extremos. O problema é que os riscos para o esporte são iminentes.
Quais foram os resultados alcançados?
Em resumo, os animais que serviram como cobaia (porquinhos-da-índia, lontras e outros mamíferos) aumentaram sua capacidade de transportar oxigênio em dez vezes. Nesse intervalo, a hipóxia (condição em que os tecidos e células do corpo recebem oxigênio insuficiente para suas necessidades metabólicas) desaparece e sua resistência dispara.
Para uma melhor compreensão, os animais melhoram suas capacidades físicas, o que pode tornar seres humanos mais habilidosos em competições de elevado nível. Um outro detalhe importante levantado pelos pesquisadores é a ausência de efeitos colaterais. Sobretudo, as cobaias não apresentaram hipertensão, vasoconstrição ou trombose, parecendo mais saudáveis, com menos estresse oxidativo e um sistema imunológico fortalecido.
Agência Mundial Antidoping liga sinal de alerta
Ainda que os estudos tenham sido comemorados, principalmente por não representarem riscos aos animais, a substância tem sido severamente criticada. Em síntese, as manipulações sanguíneas violam flagrantemente o Código da WADA, embora o M101 passe despercebido nos controles antidoping. Ele não altera o hematócrito, os reticulócitos ou a ferritina.
No cenário atual, por serem indetectáveis nos exames de antidoping, é possível que diversos atletas se apropriem da substância para melhorar seus rendimentos. O problema fica a cargo da dificuldade que as autoridades terão para identificar manipulações. Isso porque o passaporte biológico é inútil, e a busca por esse “verme EPO” exige uma análise cara e rápida.





