A Albânia estuda a possibilidade de criar o menor país do mundo dentro de sua própria capital, Tirana. A proposta, liderada pelo primeiro-ministro Edi Rama, prevê a formação de um microestado muçulmano soberano com o objetivo de promover a tolerância religiosa e reforçar uma imagem mais moderada do islamismo no cenário internacional.
O projeto, divulgado inicialmente em 2024, ainda está em fase de elaboração legislativa e não foi votado pelo Parlamento até o momento. Caso avance, poderá ser menor do que o Vaticano, atual menor país do mundo, em dimensão territorial. A área prevista teria cerca de 100 mil metros quadrados, o equivalente a poucos quarteirões de uma grande cidade.
A proposta prevê a instalação do novo Estado em um complexo no leste de Tirana, pertencente à Ordem Bektashi, uma vertente do islamismo conhecida por sua abordagem mais flexível e espiritual. O território funcionaria como um enclave, com administração própria, passaportes e autonomia simbólica, embora sem estruturas tradicionais como exército, polícia ou sistema tributário.
Menor país do mundo pode ser criado na Europa
Segundo Rama, o objetivo é criar um espaço que represente um islamismo moderado e desvinculado de estigmas associados ao extremismo. O líder religioso Edmond Brahimaj, apontado como possível governante do microestado, afirma que a proposta segue uma visão aberta, que permitiria, por exemplo, consumo de álcool e liberdade de vestimenta por mulheres. “Não deixem que o estigma dos muçulmanos defina quem são os muçulmanos”, afirmou.
Apesar do discurso de tolerância, a iniciativa enfrenta forte resistência dentro do país. Entidades religiosas e especialistas alertam para riscos institucionais e possíveis impactos no equilíbrio entre Estado e religião. Críticos afirmam que não há justificativa concreta para a criação do novo país e temem que a medida possa gerar interpretações equivocadas sobre a identidade religiosa da Albânia no cenário internacional.





