Embora o dia 1º de abril tenha se popularizado entre os brasileiros como o “Dia da Mentira”, a prática de contar inverdades não deve ser vista como uma mera ação. Enquanto algumas pessoas utilizam o recurso para não magoar ou evitar conflitos diretos, outras apresentam comportamento compulsivo. Nesse último caso, a psicologia enquadra a doença como mitomania.
Uma pessoa mitomaníaca corresponde àquela que mente conscientemente, mas apresenta distorções da própria realidade em que vive. De acordo com especialistas, a doença trata-se da deterioração psíquica, em que a pessoa, por autoproteção, inicia um processo de distorcer a realidade para favorecer a si mesma. Em suma, o mitomaníaco sofre com graus distintos, com cada pessoa podendo apresentar características distintas.
“Trata-se de um processo de adoecimento psíquico, onde a pessoa que sofre vive alimentando mentiras. Mentiras que geralmente elevam a importância dela, as realizações e todo esse quadro de poder, vamos dizer assim, que ela cria em função de mentiras que não correspondem exatamente à sua realidade”, explica Hélio Deliberador, professor de psicologia social da PUC-SP.
Por outro lado, é válido destacar que a mentira tem graus e não apresenta, necessariamente, uma conotação grave. Para que a problemática seja instaurada, é necessário que a mentira consciente e compulsiva se transforme em uma distorção grave da realidade. Nesses casos, é possível que o próprio mentiroso se convença da mentira, deixando de ter discernimento sobre o que é verídico ou não.
Como identificar e tratar um mitomaníaco?
Sobretudo, somente quando as mentiras são muito discrepantes em relação à realidade fica fácil de identificar o comportamento compulsivo. Outro fator que pode servir para encaixar as peças do quebra-cabeça diz respeito ao mentiroso querer esconder informações sobre a família, emprego e região onde mora. Isso porque, na visão dele, é mais fácil que a verdade não seja descoberta.
Por se tratar de uma doença psíquica, especialistas indicam nunca confrontar o mitomaníaco, mas optar por acolhê-lo de forma compreensiva. Em alguns casos, quando um indivíduo admite que está mentindo, mas não consegue parar de mentir, fica mais fácil sugerir a procura de um profissional. Nesses casos, aconselhar a desabafar com a família é um dos caminhos assertivos.
Segundo profissionais, a psicoterapia é um dos tratamentos mais indicados para a mitomania. “No processo terapêutico, o mitomaníaco entra em contato com o desejo que não corresponde à realidade dele. Então, devagar, ele vai tomando consciência desse processo e analisando a quais experiências a compulsão pela mentira está relacionada”, esclarece Hélio Deliberador.





