A temporada de inverno de 2025 na Argentina, tradicionalmente movimentada por turistas interessados em esportes de inverno, está enfrentando um cenário inesperado. Bariloche, principal destino de neve do país, sofre com a ausência de precipitações suficientes para manter as pistas de esqui operando normalmente. Esse fenômeno climático surpreendeu tanto visitantes quanto empresários locais, gerando impactos diretos sobre a economia da região, que depende fortemente da movimentação turística nesta época do ano.
Estações vazias e turistas frustrados
As imagens mais recentes do Cerro Catedral, principal centro de esqui de Bariloche, mostram montanhas com pouca ou nenhuma neve. A cobertura branca característica do inverno está praticamente ausente, obrigando o fechamento de muitas pistas. Atualmente, apenas áreas voltadas para iniciantes continuam funcionando, enquanto as trilhas intermediárias e avançadas seguem interditadas por falta de condições adequadas. Essa limitação compromete a experiência de muitos visitantes, especialmente os brasileiros, que representam grande parte do público na estação.
O contraste climático chama atenção. Apesar de o país ter enfrentado uma onda de frio intenso em julho, com registro de neve até mesmo em regiões atípicas como o litoral da província de Buenos Aires, Bariloche e outros destinos de inverno tradicionais, como Mendoza, não foram contemplados pela mesma intensidade climática. Ao todo, 16 das 23 províncias argentinas registraram temperaturas negativas, mas os principais polos turísticos de neve acabaram ficando à margem da nevasca generalizada.
A situação afeta severamente setores como hotelaria, gastronomia, agências de turismo e o comércio em geral. Muitos empreendedores haviam reforçado investimentos, contando com uma temporada promissora. A malha aérea foi ampliada, com novos voos diretos, a estrutura de hospedagem foi turbinada e campanhas de divulgação foram lançadas para atrair mais visitantes. No entanto, com a ausência da neve, todas essas ações enfrentam o risco de se tornarem ineficazes.
Em meio à frustração, turistas tentam encontrar alternativas para aproveitar a viagem. Trilhas, passeios por lagos e visitas ao centro da cidade ainda são opções viáveis, mas não substituem a expectativa de brincar ou praticar esportes na neve. A decepção é inevitável entre aqueles que viajaram especificamente com essa intenção.
Especialistas em clima alertam para a possibilidade de que episódios como esse se tornem cada vez mais comuns, resultado direto das mudanças climáticas globais. Com padrões meteorológicos cada vez mais instáveis, o turismo de inverno em Bariloche pode enfrentar novos desafios nos próximos anos. Por ora, as esperanças se concentram na chegada de uma nova frente fria nos próximos dias, que ainda pode alterar o cenário e trazer algum alívio para a temporada. Até lá, o que se vê é um inverno atípico, com paisagens mais marrons do que brancas nas montanhas argentinas.



