No agronegócio nacional, as recuperações judiciais atingiram 389 solicitações nos primeiros três meses do ano, demonstrando um aumento de 44,6% em comparação com o mesmo período do ano passado e o aumento de 21,5% na relação com o último trimestre de 2024, de acordo com dados divulgados na última terça-feira, 15 de julho, pela Serasa Experian.
Os produtores rurais que trabalham como pessoa física impulsionaram a alta, com 195 solicitações, aumento de 39,2% sobre o trimestre anterior (140) e expressivos 83,9% em relação aos 106 pedidos registrados no primeiro trimestre do ano passado. A categoria abrange os perfis vulneráveis como arrendatários ou produtores sem posse de terra, que vem enfrentando dificuldade de acessar o crédito e margens de operação reduzidas.
“Essa alta reflete um momento financeiro mais desafiador, marcado por oscilações nos preços das commodities e por uma oferta de crédito mais criteriosa”, diz o head de agronegócio da Serasa Experian, Marcelo Pimenta. “Muitos produtores enfrentam custos altos, prazos longos para receber, exigência crescente de garantias e dificuldade para rolar dívidas.”
Aumento ainda foi menor que o ano passado no setor de agronegócio
Apesar do aumento, Pimenta enfatiza que os pedidos simbolizam uma fatia ainda menor frente ao volume de 1,4 milhão de produtores que pegaram crédito nos últimos 24 meses.
Já entre os produtores pessoa jurídica, foram documentados 113 pedidos no primeiro trimestre de 2024, em comparação com os 110 no trimestre anterior e 86 no mesmo período do ano passado, um aumento anual de 31%. O balanço revela que os setores de criação de bovinos (42 pedidos) e cultivo de soja (59) abrangem a maior parte das solicitações.
Enquanto as empresas da cadeia agroindustrial registraram 81 pedidos de recuperação judicial entre janeiro e março, número 15,7% maior que o trimestre anterior (70) e 5,1% a mais que o total de um ano antes (77).
A Serasa ainda enfatiza que o uso do Agro Score, plataforma preditiva que mapeia os sinais de instabilidade financeira com antecedência, o que possibilita as decisões de crédito mais seguras. “Modelos como esse mitigam riscos e favorecem a sustentabilidade do crédito rural”, finaliza Pimenta.





