Pesquisadores brasileiros realizaram abordagem inédita para compreender como funciona as florestas de carbono azul, composta por áreas costeiras, como manguezais. Diante dos resultados, foi comprovado que os minerais encontrados nas regiões em questão evitam a liberação de gases de efeito estufa, reduzindo os impactos negativos das mudanças climáticas.
Considerado um dos ecossistemas mais eficientes na captura de gases de efeito estufa, os manguezais superam as florestas tropicais, como a Amazônia. Devido à ausência de oxigênio no ambiente, a decomposição de matéria orgânica mostra-se retardada, bem como a liberação de dióxido de carbono.
Contudo, as pesquisas descobriram que os óxidos de ferro de baixa cristalinidade (entre eles ferri-hidrita e o lepidocrocita), que são encontrados em manguezais, atuam como estabilizadores do carbono orgânico do solo. Dessa forma, agem na proteção das frações mais instáveis, que de outra forma estariam vulneráveis à decomposição biológica, causando a liberação do CO2.
O problema é que as florestas de carbono azul passam por mudança no uso de suas terras, levando à construção de tanques de camarões e siris, bem como para pastagem. As façanhas em questão apresentam alterações drásticas ao ambiente geoquímico, ocasionando à oxidação ou acidificação do solo. Em resumo, isso significa que os minerais óxidos de ferro menos cristalinos se transforma em formas mais cristalinas, menos eficazes na estabilização do carbono orgânico.
“Nosso estudo traz inovações importantes. Uma delas está na metodologia que criamos. Usamos técnicas já estabelecidas, mas que, em uma sequência inovadora, nos permitiram inferir a importância do ferro na estabilização do carbono. Outro ponto de destaque foi conseguir demonstrar o mecanismo envolvido na proteção das frações mais lábeis da matéria orgânica”, diz o pesquisador Francisco Ruiz, primeiro autor do artigo.
Qual a importância das florestas azuis para o planeta?
- Mitigação das mudanças climáticas: Os manguezais armazenam carbono em seus solos e vegetação, auxiliando na redução da concentração de gases de efeito estufa na atmosfera;
- Proteção costeira: Manguezais e outros ecossistemas de carbono azul atuam como barreiras naturais, protegendo as áreas costeiras de tempestades, erosão e aumento do nível do mar;
- Biodiversidade: A presença de carbono azul fornecida aos habitats é de extrema importância para uma variedade de espécies marinhas e costeiras, contribuindo para a biodiversidade;
- Benefícios econômicos: As regiões em questão sustentam a pesca, o turismo e outras atividades econômicas, beneficiando as comunidades locais;
- Filtragem da água: A vegetação densa em áreas de carbono azul atua como um filtro, auxiliando na remoção de poluentes da água costeira.




