O governo de Mato Grosso, por intermédio da Procuradoria-Geral do Estado (PGE), solicitou à 1ª Vara de Campo Verde a conversão em falência do processo de recuperação judicial da empresa José Pupin Agropecuária e das companhias vinculadas ao grupo econômico. Conhecido nacionalmente como o “Rei do Algodão”, o empresário acumula mais de R$ 1,3 bilhão em dívida.
Outrora dono de 110 mil hectares de plantio de algodão, Pupin está prestes a ver todo o seu império ruir, tendo em vista o pedido de recuperação judicial datado desde 2017. Nesse intervalo, a PGE não revelou a dívida tributária do grupo, mas o processo estima pendência em torno de R$ 10 milhões, que não deve ser sanada.
Diante da falta de garantias em meio ao descenso financeiro, no requerimento enviado à justiça, o Estado solicita ainda que o Ministério Público seja citado para se manifestar sobre o caso e preserve os créditos tributários devidos ao Estado. A dor de cabeça foi potencializada após José Pupin Agropecuária não aderir ao Programa de Recuperação Fiscal (Refis).
Por não ter apresentado propostas de transação tributária e permanecer inadimplente com o fisco estadual, a Procuradoria-Geral entende que houve o descumprimento das obrigações fiscais, evidenciando o declínio do plano de recuperação judicial e a inviabilidade da operação do grupo. Em contrapartida, outros credores cobraram a conversão da recuperação judicial em falência, assim como Ricarte de Freitas Neto.
O empresário alega que o “Rei do Algodão” não cumpriu com as obrigações previstas no aditivo ao plano de recuperação judicial, que foi homologado em outubro de 2024. Segundo a documentação, o planejamento assegurava que credores com garantia real receberiam até R$ 10 mil em parcela única, no prazo de 60 dias após a homologação do acordo. Porém, um ano após, nenhum valor foi depositado.
“Rei do Algodão” se posiciona em meio à crise
A administradora judicial do Grupo Pupin confirmou que o grupo não consegue sequer cumprir com as mínimas obrigações. Em outras palavras, a companhia deixou de encaminhar a documentação básica exigida pela justiça. “Constata-se que o grupo não cumpre com o mínimo de suas obrigações no presente feito, que seria ao menos o envio de documentação à Administradora Judicial”, informou em nota.
Para justificar a falta de apalavramento com seus credores, a defesa alegou que a família teria sido vítima de um “engodo” ao firmar contratos com o Grupo Midas/Fource. Em comunicado, os advogados da companhia afirmaram que o “parceiro” se apresentava como consultor e investidor interessado na reestruturação do grupo, mas as atividades sequer foram executadas para os devidos fins.
Conforme avaliação da empresa, o acordo foi fechado num período de fragilidade do casal, em que José Pupin tratava um câncer e a esposa enfrentava o avanço do Parkinson. Nesse ínterim, foram transferidos poderes à Midas/Fource para operar as finanças do grupo. Dessa forma, as acusações dão conta de que as empresas associadas ao conglomerado assumiram o controle patrimonial da empresa e desviaram recursos milionários sob o pretexto de fazer a reestruturação.





