A ideia de receber uma herança inesperada parece sonho, mas muitos brasileiros têm direitos sobre bens e valores sem saber. Com o distanciamento entre famílias e a falta de comunicação após mortes, patrimônios ficam esquecidos em cartórios, bancos e registros de imóveis.
Segundo o advogado Caio Brandão Coelho Martins de Araujo, o primeiro passo é verificar se há parentesco com alguém que faleceu sem deixar herdeiros diretos. Filhos, netos e cônjuges são os primeiros na linha sucessória, mas, se não existirem, sobrinhos, primos e até tios podem ter direito a parte dos bens.
Onde e Como Procurar uma Herança?
A Central Eletrônica Notarial (CENSEC) é uma ferramenta online que reúne informações sobre testamentos em cartórios de todo o Brasil. Basta acessar o site e fazer uma busca com seus dados. Para imóveis, é possível consultar o cadastro de IPTU da prefeitura ou o Registro de Imóveis da cidade onde o falecido morava.
A advogada Júlia Moreira, especialista em direito sucessório, explica que cartórios locais também guardam registros importantes. Com o CPF do falecido, é possível verificar se há bens em seu nome.
Dinheiro em Bancos: O Maior Desafio
O maior obstáculo é descobrir valores esquecidos em contas bancárias, investimentos ou seguros. Essas informações só são liberadas com autorização judicial ou por meio de um inventário. No entanto, o Sistema de Valores a Receber (SVR), do Banco Central, permite consultar se há recursos não reclamados em nome de parentes falecidos.
Para usar o sistema, é preciso comprovar o parentesco ou ter representação legal. Se houver valores disponíveis, o SVR informa como resgatá-los. Vale a pena fazer a busca – pode ser que seu CPF esconda uma surpresa valiosa.
Muitas pessoas só descobrem heranças anos depois, quando já perderam prazos ou enfrentam burocracias maiores. Se desconfia que pode ter direito a algo, consulte um advogado especializado e faça as buscas necessárias.





