Adquirida em abril de 1998 pelo biólogo paulista Paulo Martuscelli, uma Hilux zero voltou a chamar a atenção dos brasileiros, mas não apenas por se tratar de uma relíquia. O modelo lançado pela Toyota está em excelente estado de conservação, mas seu maior destaque fica a cargo da quilometragem. Com 2,5 milhões de quilômetros rodados e motor original, o veículo continua rodando por todo o Brasil.
O Toyota Bandeirante colocou no mercado automóveis de tração nas quatro rodas, redesenhando os passos subsequentes da concorrência. Diante das várias ofertadas no mercado, a Hilux SR5 4×4 Cabine Dupla de Paulo mostrou ser uma verdadeira máquina. Isso porque a quilometragem acumulada por seu carro corresponde a 62 voltas no globo terrestre.

Segundo o proprietário, o carro foi adquirido em uma concessionária chamada Toyota Tsusho, na zona sul de São Paulo. Dentre suas configurações estão o motor 2.8 diesel aspirado de quatro cilindros, 78 cv de potência e 17,7 kgfm de torque, com câmbio manual de cinco marchas e tração 4×4. Contudo, o desempenho já não é mais um detalhe precioso.
Como resultado de 27 anos de rodagem, o zero a 100 km/h é feito em longos 25,5 segundos e a velocidade máxima é de 133 km/h. Apesar dos ruídos a bordo e engates do câmbio, a Hilux de 1998 não deve ser aposentada nem tão cedo. Lançada no Brasil em 1992, importada de Hamura, no Japão, a máquina foi escolhida pelo biólogo por demandar menos manutenção que as versões mais recentes da época.
Carro da Toyota passou por várias transformações
Surpreendendo a todos, o carro chegou a transitar por vários estados brasileiros, sendo prioridade no trabalho pesado. Para que chegasse aos dias atuais ainda na ativa, o veículo da Toyota passou por várias adaptações na suspensão. Durante os últimos anos, Paulo aumentou os pneus da roda aro 16 para encaixar pneus 33, além de deixar a suspensão apta a encarar condições extremas desbravando o Brasil.
Para se ter uma noção, em apenas dois meses de uso, a Hilux já havia rodado 40 mil quilômetros. Nesse ínterim, os mecânicos colocavam alargador no eixo dianteiro, direto na barra de torção, para conseguir adaptar a Hilux para pneus maiores. As modificações mudaram a geometria e o centro de gravidade do veículo porque, em vez de o peso ficar distribuído no centro do carro, fica mais para as laterais.
Além disso, as alterações também comprometeram a resposta da coluna de direção e mudaram o ângulo de esterço das rodas, o que pode deixar a condução bem perigosa. Por sua vez, na traseira, as oficinas removiam os feixes de mola originais e arqueavam o ferro para aumentar o ângulo e levantar a suspensão. Portanto, com o passar do tempo e os fortes impactos, esses feixes entortados voltavam para a forma original até quebrarem.
“Colocar alargador de eixo é um crime com a engenharia do carro, assim como arquear os feixes de mola. A gente erra por não conhecer. Demorei dez anos para achar um mecânico que conseguiu acertar a geometria correta da Hilux. Ele levantou a carroceria pelo chassi usando bucha de poliuretano e não direto pela barra de torção. Na traseira, coloquei feixes de molas forjados com o ângulo correto, aí a resistência ficou bem maior”, explicou o biólogo.
Novas complicações à vista
Seja se descolando até o Acre ou desembarcando na Bahia, a Hilux acabou com o odômetro rodando até o limite. Com quase 1,2 milhão de km atingidos, no final dos anos 2000, os cabos de aço da engrenagem que giram o medidor arrebentaram e pararam de movimentar a peça. Com a dor de cabeça instalada, o biólogo precisou pensar em nova solução.
Por ter os pneus Geolandar Yokohama ATS 33 trocados, em média, após 80 mil ou até 100 mil km rodados, o proprietário conseguiu ter uma noção de quanto a sua máquina rodou. Dessa forma, desde que o odômetro travou, Paulo baseia-se por meio dos registros das trocas dos pneus para calcular a quilometragem aproximada e programar as revisões da Hilux.
No mais, trocas de óleo, velas, correia dentada, bomba d’água e componentes essenciais do motor são seguidas à risca. Nesse intervalo, a embreagem foi trocada duas vezes, por desgaste natural, sendo a primeira após 1,3 milhão de km percorridos. Os amortecedores especiais são substituídos a cada 100 mil km, enquanto o estofamento no interior já foi trocado por inteiro, mas o estepe e escapamento originais seguem como chegaram de fábrica.




