Economia

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Lance da Lottopro em MS supera com folga repasses adotados pela empresa em outras loterias

Enquanto para comandar a loteria de MS o lance da Lottopro foi de 43,46%, na Bahia, o repasse da empresa é de apenas 2%

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A empresa Lottopro Jogos de Apostas e Gestão de Lotéricas LTDA deve ser a responsável por operar a loteria de Mato Grosso do Sul após dar o maior lance em leilão realizado nesta sexta-feira (23). O lance ofertado foi de 43,36% da receita ao governo estadual. 

O percentual, considerado elevado para o setor, chama atenção por ser muito superior aos valores praticados pela própria empresa nas outras oito cidades brasileiras onde atua. 

O Correio do Estado apurou a porcentagem do repasse firmado em contrato com a empresa nos demais municípios. Veja a lista abaixo: 

  • Lotto Assunção, em Assunção do Piauí (PI) - 10%
  • Lotto Patos, em Patos do Piauí (PI) - 25%
  • Lotto Tatuí, em Tatuí (SP) - 10%
  • Lotto Marcolândia, em Marcolândia do Piauí (PI) - 5%
  • Lotto Muquém, em Muquém de São Francisco (BA) - 7,5%
  • Sorte Teresópolis, em Teresópolis (RJ) - 16,8%
  • Loto Quijingue, em Quijingue (BA) - 2%
  • Tutoria da Sorte, em Tutóia (MA) - não foi divulgado

Com isso, é possível observar que o repasse proposto para Mato Grosso do Sul é mais que o dobro da maioria dos contratos mantidos pela empresa e supera até mesmo o maior percentual praticado pela Lottopro em outras cidades. 

O Correio do Estado entrou em contato com a Lottopro para saber qual a razão da diferença de repasse nas cidades e os critérios adotados na proposta apresentada ao governo do Estado, mas não obteve resposta. 

Até o momento, o governo de Mato Grosso do Sul não detalhou como será feita a fiscalização dos valores a serem pagos mensalmente pela Lottopro, nem salvaguardas contratuais para garantir o cumprimento integral do repasse ao longo da vigência do contrato, que pode chegar a 35 anos, se prorrogado. 

Em nota ao Correio do Estado, a Secretaria da Fazenda de Mato Grosso do Sul afirmou que o repasse ofertado ao Estado será feito de forma "automática" e "initerrupta". 

"No modelo lotérico definido pelo Estado, a plataforma de gestão atuará como uma ferramenta de governança, tendo como uma de suas funções primordiais o registro integral de todas as transações financeiras e operacionais realizadas pelos futuros operadores de jogos. Dessa forma, independentemente do percentual de repasse ofertado pela licitante no certame, a base de cálculo para o recolhimento ao erário será aferida de forma automatizada e ininterrupta pelo sistema, que monitorará o fluxo de apostas em tempo real", disse a Sefaz.

"Nesse sentido, a fiscalização dos valores devidos ao Estado ocorrerá por meio da tecnologia de monitoramento de transações, que deverá estar integrada aos meios de pagamento eletrônicos, devidamente autorizados e aderentes às normas e diretrizes do Banco Central do Brasil. Tal estrutura garante que o percentual de repasse definido no Edital incida sobre a receita bruta efetivamente apurada, assegurando a proteção do erário e a transparência pública". 

A operação da loteria estadual ainda passa por etapas formais de homologação, e a expectativa se volta, agora, para a execução do contrato. 

A empresa

A Lottopro é uma empresa jovem, criada em 2024 com sede na cidade de São Paulo. É classificada como uma empresa de pequeno porte e teve um investimento inicial de R$ 20 milhões. 

Segundo apurado pelo Correio do Estado, o faturamento anual já pode chegar a R$ 4,8 milhões. 

Atualmente, a Lottopro tem como sócios os empresários Adriano Aristóteles Vieira de Mendonça, Alex Forte da Silva, Hiago Bezerra de Sousa Lima Piau, Reno Ramalho de Vasconcelos e Thyago Correa Marques dos Santos. 

Dos mesmos sócios, a empresa responsável pelos pagamentos dos sorteios e loterias é a gateway Lottopay, criada em setembro do ano passado. 

O leilão

A disputa pela loteria de Mato Grosso do Sul aconteceu na última sexta-feira (23) pela manhã no formato de leilão. A Lottopro saiu na frente após 35 minutos de lances, quando ofereceu um repasse de 43,36%. Ou seja, a cada R$ 100 milhões arrecadados, o Estado deve receber R$ 43,36 milhões.

A estimativa é que o serviço deva render um faturamento anual de até R$ 1,4 milhão, apenas da estimativa da receita média anual constatada no edital ser de R$ 51,4 milhões. 

Isso porque, de acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o PIB de Mato Grosso do Sul em 2022 foi de R$ 166,8 bilhões. A fatia de 0,85%, portanto, significa uma receita de R$ 1,417 bilhão.

Neste ano, a estimativa da Secretaria de Estado de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação (Semadesc) é ainda mais animadora: de que o PIB chegue a R$ 227,8 bilhões. Se isso ocorrer, o ganho chegará perto dos R$ 2 bilhões ao ano.

Atualmente, a Lotesul (Loteria Estadual de Mato Grosso do Sul) administra e fiscaliza jogos e sorteios no Estado, sob comando da Secretaria de Fazenda (Sefaz/MS). 

 

*Matéria alterada às 16h09 para inclusão de resposta da Secretaria de Fazenda de Mato Grosso do Sul

 

ENERGIA ELÉTRICA

Energisa adia decisão sobre reajuste na conta de luz

Aneel recomendou aumento de 12,61% e análise que seria na terça-feira foi retirada de pauta

03/04/2026 13h30

Energisa aceitou adiar em uma semana a análise do processo que tramita na Aneel

Energisa aceitou adiar em uma semana a análise do processo que tramita na Aneel Foto: Divulgação

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Com o intuito de tentar reduzir o impacto do reajuste da energia elétrica que em média deve ser de 12,61%, a Energisa MS aceitou adiar em uma semana a análise do processo que tramita na Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). A diretoria da autarquia iria analisar em reunião colegiada o aumento tarifário na próxima terça-feira, mas retirou de pauta.

No mês passado, a Aneel solicitou que a Energisa MS se manifestasse sobre esta possibilidade de postergar a decisão, atendendo pedido feito pela  Secretaria Nacional de Energia Elétrica do Ministério de Minas e Energia, que comunicou a Aneel que o “Governo Federal encontra-se, neste momento, conduzindo análises e tratativas institucionais voltadas à avaliação de possíveis medidas relacionadas a reajustes tarifários, “destacando que “o objetivo dessas discussões é examinar alternativas que possam mitigar os impactos dos reajustes tarifários para os consumidores, buscando soluções que preservem o equilíbrio regulatório sem impor ônus excessivo à população”.

Com a apresentação desses argumentos pelo ministério, a diretora-relatora do processo de reajuste da Energisa MS na Aneel, Agnes Maria de Aragão da Costa, considera, com base em parecer técnico, que  a “ANEEL não pode promover o diferimento tarifário sem a anuência da concessionária, por configurar alteração unilateral das cláusulas econômicas do contrato de concessão, notadamente aquelas que definem a respectiva equação econômico-financeira”.

Por esse motivo, no dia 24 do mês passado Agnes da Costa encaminhou oficio à Energisa solicitando seu posicionamento sobre o reajuste. No documento afirma que “considerando o pleito do Ministério de Minas e Energia e diante da relevância e sensibilidade do tema, solicito que a EMS (Energisa) se manifeste quanto ao seu interesse e indique a alternativa que entenda mais adequada para o tratamento de sua tarifa no âmbito do presente processo, de modo a subsidiar a deliberação desta Agência, em observância aos limites legais e contratuais aplicáveis.”

Ontem, após a autarquia já ter apresentado estudos com o percentual de reajuste, a Energisa MS apresentou ofício comunicando que aceita o adiamento em uma semana, “com intuito de contribuir com a avaliação de possíveis alternativas destinadas a mitigar os impactos de reajustes tarifários aos clientes”, enfatizando que “concorda com a postergação da homologação do Reajuste Tarifário Anual a ser deliberado no dia 07 de abril de 2026 para o dia 14 de abril de 2026.”

No documento deixa claro que “que o efeito financeiro decorrente da não aplicação das novas tarifas entre o dia 08 de abril de 2026 e a data de publicação da nova Resolução Homologatória, seja compensado e devidamente corrigido no cálculo das tarifas de 2026”.

Com este posicionamento, a diretoria da Aneel retirou ontem o processo do reajuste tarifário da pauta da reunião do dia 7. Agora, o processo deve ser analisado no dia 14 deste mês, com a possibilidade dos índices de reajuste caírem. 

O reajuste médio da tarifa de energia elétrica dos 1,15 milhão de consumidores em 74 municípios sul-mato-grossenses atendidos pela Energisa MS foi definido pela área técnica em 12,61% em média. A Superintendência de Gestão Tarifária e Regulação Econômica (STR) da autarquia apresentou no processo de reajuste percentuais diferentes para as tarifas residências e industriais.  

Os consumidores de baixa tensão deverão pagar 12,49% a mais pela energia consumida, enquanto os de alta tensão devem ter um aumento maior, de 12,88%, segundo  a planilha apresentada  no dia 30 de março, às 17h57min pela STR. Estes percentuais podem sofrer alterações no relatório a ser votado.

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CASO VORCARO

Banco de Brasília pede que delações reservem recursos para cobrir prejuízos

BRB pediu ao Supremo Tribunal Federal (STF) que seja garantida a reserva de dinheiro para cobrir os prejuízos com fraudes envolvendo as operações realizadas com o Banco Master

03/04/2026 11h35

Banco Master teve sua liquidação extrajudicial decretada pelo Banco Central em novembro de 2025

Banco Master teve sua liquidação extrajudicial decretada pelo Banco Central em novembro de 2025 Divulgação: MPC-MS

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O Banco de Brasília (BRB) informou nesta quinta-feira (2) que pediu ao Supremo Tribunal Federal (STF) que seja garantida a reserva de dinheiro para cobrir os prejuízos do banco com as fraudes envolvendo as operações realizadas com o Banco Master.

Em comunicado enviado ao mercado financeiro, o BRB solicitou que os acordos de delação premiada que estão em discussão com a Polícia Federal (PF) a Procuradoria-Geral da República (PGR) levem em conta o ressarcimento das partes lesadas.

“A medida judicial visa, especificamente, à eventual reserva, segregação e vinculação de bens, valores, ativos, créditos e fluxos financeiros que venham a ser identificados, recuperados, bloqueados, repatriados ou ofertados no contexto de investigações em curso, inclusive no âmbito de eventuais acordos de colaboração premiada”, informou o banco.

Até o momento, o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Master, e o cunhado ele, Fabiano Zettel, negociam acordo de delação premiada. Ambos estão presos.

As fraudes são apuradas pela Operação Compliance Zero, deflagrada para investigar a concessão de créditos falsos pelo Master, incluindo a tentativa de compra da instituição financeira pelo BRB, banco público ligado ao governo do Distrito Federal.

 

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