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Economia Brasileira: o dia a dia desmonta a realidade paralela

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No dia a dia o destaque está no duro e pesado composto de medidas governamentais que impactam o custo de vida e qualidade de vida da maioria dos brasileiros. 

O atual governo lançou em 2023 a Nova Industria Brasil e prometeu 360 bilhões em investimentos públicos para reindustrializar o país. Passados 2 anos, temos que o agronegócio continua sendo o motor da economia brasileira, mesmo sendo impactado pelo clima, desastres, pouco apoio do governo e uma taxa de juros de mercado que desincentiva a produção. 

A anunciada safra recorde de grãos, combinada com investimentos públicos que deveriam ser em infraestrutura logística, como a modernização de portos, ferrovias, menos impostos e seguros de safra eficientes poderiam aumentar a competitividade e o escoamento da produção.

Constantino

Rota para o Pacífico: Pesquisas Mapeiam Desafios e Oportunidades do Corredor Bioceânico para MS

21/03/2026 00h05

Michel Constantino

Michel Constantino Reprodução

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A Rota Bioceânica é um corredor rodoviário que liga o Oceano Pacífico e o Atlântico passando por Brasil, Paraguai, Argentina e Chile. 

As pesquisas sobre os impactos do corredor no Mato Grosso do Sul, Brasil e países desta integração, foram iniciadas a partir de 2015 com o protagonismo dos programas de mestrado e doutorado da Universidade Católica Dom Bosco. Passados 10 anos temos mais de 150 publicações sobre o tema, olhando todas as dimensões do desenvolvimento e seus impactos.

O Corredor Bioceânico, projeto que promete encurtar em até 17 dias a rota das exportações brasileiras para a Ásia, representa uma revolução logística para Mato Grosso do Sul. No entanto, seus impactos transcendem a economia, exigindo um olhar atento e estratégico sobre as políticas públicas.

Uma análise aprofundada, consolidada a partir de oito dissertações de mestrado do Programa de Pós-Graduação em Desenvolvimento Local (PPGDL) da Universidade Católica Dom Bosco (UCDB), foi apresentada pelo Pró-Reitor de Pesquisa e Pós-Graduação da instituição, em evento na Escola de Governo (Escolagov).

A apresentação, intitulada "Corredor Bioceânico e Políticas Públicas: Desafios e Impactos no Desenvolvimento Local", desdobra a complexidade do projeto em sete dimensões cruciais: educação, migrações, biodiversidade, governança, gestão pública, sustentabilidade e segurança.

Os números do Corredor são expressivos. Além da redução no tempo de viagem, estima-se um corte de até 30% nos custos de frete, aumentando a competitividade de produtos como soja, carne e minérios. Contudo, as pesquisas da UCDB alertam que o sucesso da rota não é automático.

O Corredor é uma oportunidade histórica, mas o desenvolvimento não virá apenas com o asfalto. Precisamos de políticas públicas inteligentes, baseadas em evidências, para mitigar os riscos e garantir que o crescimento seja sustentável e inclusivo para toda a população de Mato Grosso do Sul.

Sete Dimensões Sob a Lupa

O estudo, que reflete a excelência do PPGDL (nota 7 na CAPES), revela que o progresso traz consigo novas e complexas demandas. 

Na educação, por exemplo, a pesquisa aponta que a vulnerabilidade social impacta mais o desempenho dos alunos do que a arrecadação municipal, um dado crucial para os municípios que esperam um boom fiscal.

Na área ambiental, a dimensão da biodiversidade acende um alerta para o aumento do risco de colisões com animais silvestres, exigindo medidas de mitigação para proteger tanto a fauna quanto a segurança viária. 

Já a segurança hídrica e a segurança pública enfrentam desafios como a necessidade de ampliar o monitoramento da qualidade da água e gerenciar os riscos associados ao aumento do fluxo de pessoas e mercadorias.

A governança surge como pilar central. As pesquisas destacam a urgência de fortalecer a cooperação entre municípios e o Estado, aprimorar a capacidade institucional das prefeituras e criar mecanismos eficazes para monitorar os fluxos migratórios, que hoje carecem de dados precisos.

O Papel da Ciência no Desenvolvimento Local

Ao conectar os pontos entre economia, sociedade e meio ambiente, a compilação de pesquisas da UCDB oferece um mapa estratégico para gestores públicos. A mensagem final é clara: o Corredor Bioceânico é mais do que uma obra de logística; é um vetor de transformação territorial que exige planejamento, governança e, acima de tudo, conhecimento.

O trabalho do PPGDL demonstra o papel fundamental da academia em fornecer as bases científicas para que Mato Grosso do Sul maximize as potencialidades e construa um futuro mais próspero e sustentável a partir dessa nova rota para o Pacífico.
 

Juliane Penteado

O médico servidor e a aposentadoria especial

20/03/2026 00h05

Juliane Penteado

Juliane Penteado

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A medicina é, por natureza, uma profissão de entrega. No setor público, essa entrega ganha contornos de sacrifício sob condições muitas vezes precárias. No entanto, há um descompasso alarmante entre o risco biológico enfrentado no cotidiano e o reconhecimento desse esforço na aposentadoria. Muitos médicos que dedicam décadas de suas vidas ao serviço público em plantões exaustivos, UTIs e prontos-socorros ainda nutrem a ilusão de que a aposentadoria especial é um "selo" carimbado em seus diplomas.

Diferente do que muitos acreditam, não existe aposentadoria especial automática para médicos. O direito não nasce do título de "Doutor", mas da prova técnica de que o profissional esteve exposto a agentes nocivos de forma habitual e permanente. O cenário atual é um labirinto burocrático que exige estratégia, e não apenas tempo de serviço.

A Fragmentação do Direito pós-Reforma

Desde a Reforma da Previdência (EC nº 103/2019), o direito previdenciário do servidor tornou-se um mosaico. A Constituição Federal agora delega aos entes federativos União, Estados e Municípios, a responsabilidade de criar suas próprias leis complementares para regulamentar a exposição a agentes nocivos.

No Mato Grosso do Sul, por exemplo, o médico vinculado à AGEPREV submete-se a regras que exigem um alinhamento cirúrgico entre a realidade do hospital e o que está escrito nos laudos técnicos.

Essa descentralização impôs ao médico a necessidade de observar normas geridas localmente, que seguem critérios rigorosos de enquadramento. O grande desafio é que o médico, muitas vezes com vínculos em diferentes esferas (ex: municipal e estadual), pode se deparar com exigências e cálculos distintos para a mesma atividade insalubre. O direito não é mais uma "cláusula pétrea" de fácil acesso, mas um benefício que depende da simbiose entre a lei local e a realidade fática da unidade de saúde.

Os Três Pilares da Aposentadoria Especial

Para que o médico servidor não veja seu pedido negado após 25 anos de trabalho, ele precisa dominar três pilares fundamentais que sustentam a viabilidade jurídica do seu benefício:

  1. A Prova Técnica (Além do Diploma): O maior obstáculo não é jurídico, mas documental. Documentos como o PPP (Perfil Profissiográfico Previdenciário) e o LTCAT não podem ser genéricos. Muitos órgãos públicos negligenciam a atualização desses laudos ou emitem o PPP com descrições que não refletem a periculosidade real de uma UTI. Sem um documento que detalhe tecnicamente a carga viral ou bacteriana (agentes biológicos) a que o médico está exposto, o pedido é sumariamente indeferido.
  2. A Habitualidade: Não basta estar lotado em um hospital público. É preciso provar que o contato com o agente nocivo era o cerne da atividade, ocorrendo de forma indissociável da prestação do serviço, não sendo apenas ocasional ou intermitente. O profissional acaba sendo vítima de uma burocracia que falha em registrar a insalubridade real de sua rotina.
  3. O Marco Temporal de 2019: A Reforma não mudou apenas a idade, mudou a própria filosofia do cálculo. Antes, era possível a conversão do tempo especial em comum (o famoso "bônus" temporal). Hoje, essa conversão está vedada para períodos posteriores à reforma. Além disso, as novas médias aritméticas podem reduzir drasticamente o valor dos proventos se o pedido não for planejado. O planejamento tornou-se a única forma de evitar que o médico trabalhe cinco ou dez anos a mais do que o necessário.

Por que o erro custa caro?

O erro mais comum é confiar cegamente no RH do órgão público. Muitas vezes, o servidor recebe documentos incompletos que levam ao indeferimento administrativo, resultando em batalhas judiciais de anos ou na aceitação de uma aposentadoria com valor muito inferior ao merecido. O erro previdenciário é, muitas vezes, irreversível ou de correção caríssima.

A atuação de um especialista em Direito Previdenciário não serve apenas para "dar entrada nos papéis", mas para realizar um planejamento de carreira. O planejamento atua como um diagnóstico preventivo: identifica lacunas na documentação, corrige inconsistências e projeta qual regra de transição é a mais vantajosa financeiramente. Proteger a aposentadoria do médico é proteger o patrimônio construído em uma vida de renúncias em prol da saúde pública.

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