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Juliane Penteado

Entenda se compensa ainda contribuir com 60 anos

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Muitas pessoas chegam aos 60 anos com uma dúvida importante: ainda vale a pena pagar o INSS? Esse é um questionamento comum. A resposta depende de alguns fatores, como o tempo já contribuído, a idade, a quantidade de contribuições feitas ao longo da vida e até mesmo o objetivo da pessoa, se deseja se aposentar, aumentar o valor do benefício ou manter a proteção previdenciária.

A boa notícia é que, em muitos casos, ainda pode compensar contribuir após os 60 anos. Porém, é preciso analisar as regras atuais da Previdência Social para evitar pagamentos desnecessários.

O que a lei exige hoje para aposentadoria?

Após a Reforma da Previdência (EC nº 103/2019), as regras mudaram. Atualmente, na aposentadoria programada (aposentadoria por idade), os requisitos gerais são:

Leandro Provenzano

Golpe do falso advogado: como funciona e como não cair

18/06/2026 00h03

Leandro Provenzano

Leandro Provenzano Foto: Montagem / Correio do Estado

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O golpe do falso advogado é uma das fraudes que mais cresce no Brasil. Criminosos se passam por advogados – usando o nome e até número da OAB de um profissional real - para convencer a vítima a transferir dinheiro às pressas. Quem está no meio de um processo, esperando um acordo, uma indenização ou um levantamento de valores, é o alvo preferido. Neste artigo você vai entender exatamente como o golpe acontece e, principalmente, como não cair.

O que é o golpe do falso advogado

É uma fraude na qual o criminoso finge ser o advogado responsável pelo seu caso (ou alguém do escritório dele) e inventa uma "novidade urgente" no processo. Em geral, a história envolve um valor a ser pago de imediato: custas, uma taxa, um depósito judicial ou a liberação de um suposto crédito. No fim, o pedido é sempre o mesmo - um Pix ou transferência rápida, normalmente para a conta de um terceiro não vinculado ao advogado, ao seu escritório, muito menos ao judiciário.

O golpista costuma ter informações reais sobre você: seu nome, o número do processo, o nome do verdadeiro advogado. Esses dados muitas vezes vêm de consulta pública a processos, vazamentos ou redes sociais, e servem justamente para dar credibilidade à conversa. Eles também falsificam documentos com brasões, nomes de juízes e diversas informações inverídicas.

Como o golpe acontece (passo a passo)

A abordagem geralmente segue um roteiro parecido:

  1. Contato inesperado, quase sempre por WhatsApp, com foto e nome do "seu advogado", ou do escritório de advocacia que lhe atende.
  2. Notícia boa ou problema urgente: "saiu seu dinheiro" ou "precisamos resolver algo hoje, senão você perde o prazo".
  3.  Criação de urgência: o criminoso pressiona para que tudo seja feito agora, rápido, sem você pensar direito. Essa pressa é proposital - vítima apressada não desconfia.
  4. Desculpa para não falar ao telefone: é muito comum dizerem que o advogado não pode ligar nem receber ligação porque está no Tribunal, em audiência ou em sustentação oral. Isso impede que você confirme a identidade pela voz.
  5. Pedido de transferência: vem o número da conta - quase sempre de um terceiro - e a insistência para que você envie o comprovante.

Atenção: a combinação "urgência + advogado indisponível para ligar + Pix para outra pessoa" é a assinatura clássica do golpe.

Os diferentes tipos de golpe do falso advogado

A fraude evolui rápido. Hoje já existem versões muito mais sofisticadas:

1. Pedido direto de dinheiro (conta de terceiros)
A versão mais comum e mais simples. O golpista apenas manda mensagens de texto e o número de uma conta. O grande sinal de alerta é que o titular da conta nunca é o advogado nem o escritório - é o "primo", a "esposa", um "preposto".

2. Áudios com a voz do advogado clonada por IA
Aqui o golpe fica perigoso. Com inteligência artificial, criminosos clonam a voz do advogado a partir de poucos segundos de áudio (de um story, um vídeo, uma mensagem). A vítima recebe um áudio que parece ser do próprio advogado pedindo a transferência. Isso já acontece na prática - não é cenário futuro.

3. Vídeos falsos (deepfake) - a próxima onda
A tendência natural é o surgimento de vídeos falsos do próprio advogado, gerados por IA, em que ele aparentemente fala com você confirmando o pagamento. Por isso, daqui para frente, nem áudio nem vídeo serão prova suficiente de identidade. A regra de ouro abaixo continua valendo independentemente da tecnologia.

Como não cair no golpe do falso advogado

Guarde estas regras - elas resolvem praticamente todos os casos:

  1. Sempre desconfie de números não salvos no seu celular. Salve no seu aparelho de celular o número do seu advogado e o número do escritório de advocacia que te atende. Quando a ligação for de qualquer número não cadastrado, desconfie e ligue imediatamente para os números oficiais do escritório, que pode ser obtido facilmente pelo Google, caso o advogado ou escritório tenha uma presença digital.
  2. Desconfie de pressa. Nenhum prazo verdadeiro se resolve com um Pix em cinco minutos. Urgência é a principal arma do golpista. Pare e respire.
  3. Confirme pelo canal oficial. Ligue para o número do escritório que você já conhecia antes (não o número que mandou a mensagem). Se a pessoa disser que o advogado "está no Tribunal e não pode atender", isso é motivo para desconfiar mais, não menos.
  4. Nunca pague em conta de terceiros. Honorários e valores legítimos não caem na conta do "primo do advogado". Estranhe qualquer conta que não seja do profissional ou do escritório. Há um ditado no direito que diz que “quem paga mal paga duas vezes”.
  5. Não confie em áudio nem em vídeo. Com IA, voz e imagem podem ser falsificadas. Confirmação só por canal oficial.
  6. Cheque o número e o registro. Verifique se o telefone é o mesmo de sempre e confirme a inscrição na OAB pelo site oficial do Conselho.

O que fazer se você desconfiar ou já caiu

  • Pare imediatamente qualquer transferência e não envie mais comprovantes.
  • Entre em contato com o advogado pelo canal verdadeiro para confirmar o que está acontecendo.
  • Se já pagou, acione o banco na hora - pode haver bloqueio ou mecanismo de devolução do Pix.
  • Registre boletim de ocorrência (inclusive em delegacia eletrônica) e guarde prints, números e comprovantes.
  • Avise o escritório: o advogado pode alertar outros clientes e tomar providências.

Conclusão

O golpe do falso advogado se apoia em dois pilares: pressa e dificuldade de confirmar quem está do outro lado. Tire esses dois pilares - desacelere e confirme pelo canal oficial - e a fraude desmorona. Com o avanço da IA clonando voz e, em breve, imagem, a única defesa realmente segura é simples e antiga: nunca pague no susto e sempre confirme diretamente com quem você confia.

Leandro Amaral Provenzano OAB/MS 13.035 – sócio do escritório Provenzano Advogados

direito previdenciário

O que mais reprova na perícia do INSS?

06/06/2026 00h03

Juliane Penteado

Juliane Penteado

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A perícia médica do Instituto Nacional do Seguro Social é uma das etapas que mais gera dúvidas e frustração entre segurados. Todos os anos, milhares de pedidos de benefícios são negados por ausência de incapacidade comprovada, problemas documentais ou falta de cumprimento de requisitos legais.

Dados oficiais do Portal de Transparência Previdenciária mostram que o índice de indeferimentos no INSS chegou a aproximadamente 44% em determinados períodos de 2025. 

Os benefícios mais afetados pelas reprovações são justamente aqueles que dependem de perícia médica, como:

  • Auxílio por incapacidade temporária (auxílio-doença);
  • Aposentadoria por incapacidade permanente;
  • BPC/LOAS para pessoa com deficiência;
  • Auxílio-acidente;
  • Revisões e prorrogações de benefícios.

O que o perito realmente avalia?

Muita gente acredita que basta apresentar uma doença para conseguir aprovação. Porém, o INSS não analisa apenas o diagnóstico.

A perícia avalia principalmente:

  • se existe incapacidade para o trabalho;
  • se essa incapacidade impede a atividade habitual;
  • se há qualidade de segurado;
  • se a carência mínima foi cumprida;
  • se os documentos médicos são suficientes e coerentes.

O próprio INSS informa que a avaliação pode concluir pela inexistência de incapacidade laboral, mesmo quando há doença comprovada.

Os principais motivos de reprovação na perícia do INSS

1. Incapacidade para o trabalho não comprovada

Esse é o motivo campeão de negativas.

A pessoa pode ter uma doença real, mas o perito entende que ela ainda consegue trabalhar. Isso ocorre com frequência em casos de:

  • hérnia de disco;
  • depressão;
  • ansiedade;
  • fibromialgia;
  • dores crônicas;
  • hipertensão;
  • diabetes;
  • artrose leve.

O erro mais comum é apresentar apenas exames ou receitas, sem demonstrar como a doença impede o exercício da profissão.

2. Laudos médicos genéricos ou incompletos

Outro motivo muito frequente de reprovação é a documentação médica fraca.

O INSS costuma negar benefícios quando os documentos:

  • não possuem CID;
  • não informam tempo de afastamento;
  • não explicam limitações funcionais;
  • possuem rasuras;
  • estão desatualizados;
  • não têm assinatura ou CRM;
  • não descrevem tratamento.

Muitos atestados dizem apenas: “Paciente necessita afastamento”. Isso normalmente não basta para aprovação. O INSS e decisões judiciais apontam que documentos sem detalhamento técnico costumam gerar indeferimento.

3. Falta de qualidade de segurado

Mesmo doente, o trabalhador pode ser reprovado se perdeu a qualidade de segurado.

Isso acontece quando a pessoa:

  • ficou muito tempo sem contribuir;
  • Se não está no período de graça;
  • não possui vínculo ativo;
  • parou de pagar INSS como autônomo.

Nesses casos, o sistema entende que o trabalhador não está protegido pela Previdência no momento da incapacidade. É uma das causas mais recorrentes de indeferimento administrativo.

4. Falta de carência mínima

Alguns benefícios exigem número mínimo de contribuições.

No auxílio por incapacidade temporária, normalmente são exigidas 12 contribuições mensais, salvo doenças graves previstas em lei.

Muitos segurados:

  • começam a contribuir pouco antes do pedido;
  • possuem contribuições em atraso;
  • têm períodos sem recolhimento;
  • acreditam que qualquer pagamento garante o direito.

Quando a carência não é cumprida, o benefício é negado mesmo com doença grave comprovada. 

5. Documentação inconsistente ou divergente

Erros cadastrais também reprovam muitos pedidos.

Os problemas mais comuns são:

  • CNIS incompleto;
  • vínculos sem baixa;
  • divergência de datas;
  • nomes diferentes nos documentos;
  • erro em carteira de trabalho;
  • atividade profissional incompatível.

Em muitos casos, o segurado possui direito, mas o sistema identifica inconsistências e indefere automaticamente o benefício. 

O que mais reprova em cada tipo de benefício?

Auxílio por incapacidade temporária (auxílio-doença)

Principais reprovações:

  • incapacidade não comprovada;
  • exames insuficientes;
  • laudo genérico;
  • ausência de tratamento contínuo;
  • doença sem impacto laboral demonstrado.

É o benefício com maior volume de perícias no país. 

Aposentadoria por incapacidade permanente

O INSS reprova principalmente quando entende que:

  • existe possibilidade de reabilitação;
  • a incapacidade não é permanente;
  • o segurado ainda pode exercer outra função.

Muitos pedidos acabam convertidos apenas em auxílio temporário.

BPC/LOAS da pessoa com deficiência

Os principais motivos de negativa são:

  • renda familiar acima do limite legal;
  • deficiência considerada leve;
  • ausência de impedimento de longo prazo;
  • perícia social desfavorável.

O benefício exige avaliação médica e social simultaneamente. 

Auxílio-acidente

As reprovações ocorrem principalmente porque:

  • o INSS entende que não houve sequela permanente;
  • a redução da capacidade laboral não ficou comprovada;
  • a lesão não gera impacto funcional relevante.

O comportamento na perícia influencia?

Sim.

Embora a análise devesse ser exclusivamente técnica, especialistas previdenciários apontam que alguns fatores prejudicam o segurado:

  • contradições durante a entrevista;
  • exageros;
  • informações inconsistentes;
  • desconhecimento do próprio tratamento;
  • ausência de exames recentes.

O perito normalmente possui poucos minutos para avaliar cada caso, o que torna a documentação ainda mais importante. 

Como aumentar as chances de aprovação?

Leve documentos completos

Os melhores laudos possuem:

  • CID;
  • diagnóstico detalhado;
  • descrição das limitações;
  • tempo estimado de afastamento;
  • assinatura e CRM;
  • exames anexados.

Demonstre incapacidade para sua profissão

O foco não é apenas a doença.

É necessário provar: “Por que essa condição impede o meu trabalho?”

Mantenha tratamento contínuo

O INSS observa:

  • consultas frequentes;
  • medicamentos;
  • fisioterapia;
  • acompanhamento psicológico ou psiquiátrico;
  • exames atualizados.

Confira o CNIS antes do pedido

Erros no cadastro previdenciário geram muitas negativas automáticas.

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