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MPMS encontrou contratos fraudulentos em 33 prefeituras do Estado neste ano

Em comparação com 2025, operações contra administrações municipais triplicaram, geralmente envolvendo Saúde e Obras

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Contratos supostamente fraudulentos em diversos setores públicos geraram nove operações do Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS) este ano, com 33 administrações municipais sendo alvo de investigações, número três vezes maior que o total de prefeituras visitadas pelo órgão no ano passado inteiro.

Levantamento do Correio do Estado revelou que equipes do Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco) e do Grupo Especial de Combate à Corrupção (Gecoc) investigaram mais de 30 prefeituras por corrupção em contratos públicos este ano.

Quatro municípios aparecem em mais de uma operação: Campo Grande, Nova Alvorada do Sul, Rio Negro e Três Lagoas.

Os quatro municípios estão presentes na Operação Gutenberg, investigação realizada por suspeita de que “contratos de livros paradidáticos tenham sido utilizados para desviar recursos públicos e pagar vantagens indevidas”, como vagas nas filas de hospitais.

O esquema teria movimentado mais de R$ 27 milhões e foi revelado na primeira semana de julho. Outras 25 prefeituras são citadas ao longo do documento que embasou a ação.

AÇÕES NESTE ANO

Terenos foi o primeiro município a ser alvo das equipes do MPMS este ano, nas Operações Collusion e Simulatum, que aconteceram no dia 21 de janeiro.

Ambas tinham como objetivo apurar a “existência de uma organização criminosa voltada à prática de crimes contra a administração pública” por meio de fraudes em licitações.

Menos de 20 dias depois, no dia 10 de fevereiro, a Operação Cartas Marcadas foi deflagrada nas administrações de Corguinho e de Rio Negro, sob “suspeita de uma organização criminosa que se valia de servidores públicos corrompidos para frustrar o caráter competitivo de licitações públicas, direcionando os respectivos certames”.

Nos últimos três anos, as empresas envolvidas somaram mais de R$ 9 milhões neste esquema.

Foi encontrado dinheiro em espécie de vários países na açãoFoi encontrado dinheiro em espécie de vários países na ação - Foto: Divulgação/MPMS

No dia 31 de março, foi a vez da prefeitura de Coronel Sapucaia ser alvo do Ministério Público, na Operação Mão Dupla.

A investigação apontou a “prática de crimes de fraude a processos licitatórios e contratos, peculato-desvio, corrupção passiva e pagamento irregular em contratos públicos, envolvendo políticos, secretários, servidores e empresários” com atuação na cidade.

Em maio, em um intervalo de sete dias, duas operações, apelidadas de Buraco Sem Fim e Rota Desviada, foram deflagradas em Campo Grande e Nova Alvorada do Sul.

A primeira investigou um esquema de desvio de cerca de R$ 113 milhões em contratos de serviços de tapa-buracos na Capital. Já a segunda apurou “esquema ilícito envolvendo recursos públicos destinados ao transporte de alunos”.

Na semana passada, a Operação Máquinas de Areia desmantelou esquema que teria como “finalidade fraudar a execução de contratos de locação e fornecimento de veículos, maquinários e equipamentos pesados para serviços diversos, além da execução de contratos de infraestrutura para revestimento primário”, todos encontrados na administração de Três Lagoas, em acordos que passaram dos R$ 100 milhões.

A mais recente ação aconteceu ontem, no âmbito da segunda fase da Operação Auditus, que apurou a “ocorrência de fraudes em licitações realizadas pela prefeitura de Nioaque que tiveram como objeto a contratação de empresa para a prestação de serviços de especialidades médicas por meio de consultas, realização de exames e procedimentos médicos”.

Horas depois, o médico legista Robson Roosevelt Ferreira Aguilar, que estava lotado em Jardim, foi afastado da Polícia Científica de Mato Grosso do Sul, após ser preso na operação. Porém, conforme nota divulgada, a prisão não está ligada às atividades que o médico desenvolveria até então na instituição. 

ANO PASSADO

Em 2025, foram 11 operações deflagradas pelo MPMS contra administrações municipais do Estado. O órgão já identificou corrupção em contratos de publicidade, engenharia, pavimentação asfáltica, informática, tecnologia, saúde, educação e obras.

Foram alvo no ano passado Aquidauana (Operação Ad Blocker), Água Clara e Rochedo (Operação Malebolge), Três Lagoas (Operação Backstage), Coxim (segunda fase da Operação Grilagem de Papel), Sidrolândia (quarta fase da Operação Tromper e Operação Dirty Pix), Nioaque (Operação Auditus), Terenos (Operação Spotless), Miranda (Operação Copertura), Itaporã (Operação Fake Cloud) e Campo Grande (Operação Apagar das Luzes).

CORUMBÁ/BOLÍVIA

PCC e CV viram "inimigos" prioritários na fronteira

Plano para a região foi lançado oficialmente ontem e prevê ações da Polícia Federal e da polícia boliviana entre os países, além de apoio dos EUA

14/08/2026 08h00

Divulgação

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O governo boliviano está com uma ofensiva, em conjunto com a Polícia Federal (PF) brasileira, para tentar bloquear ações criminosas coordenadas que o Primeiro Comado da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) estão implantando no país vizinho.

Esse trabalho conjunto foi chamado de Plano Fronteira Segura e foi lançado ontem, em Guayaramerín, cidade boliviana que faz fronteira com Guajará-Mirim (RO).

Apesar do lançamento oficial dessa estratégia de guerra contra organizações criminosas brasileiras e grupos bolivianos ocorrer na região Norte do País, o Ministério do Governo da Bolívia identificou que as regiões críticas são: Cobija/Brasiléia (AC), Guayaramerín/Guajará-Mirim (RO), Puerto Suárez/Corumbá (MS) e San Matías/Cáceres (MT).

O presidente boliviano, Rodrigo Paz, enfatizou que os operativos vão ser empenhados por tempo indeterminado nas faixas de fronteira consideradas sob maior risco de atuação de facções criminosas. 

“Lançamos o Plano Fronteiras Seguras com empenho permanente da polícia boliviana em cinco pontos fronteiriços para desarticular o crime organizado transnacional, porque um país seguro é um país onde bolivianos investem em seu próprio território”, afirmou.

O comandante geral da polícia boliviana, Mirko Sokol, participou do lançamento do plano e afirmou que as ações ostensivas estão voltadas para dificultar a atuação das facções.

“Estamos atacando estas organizações criminosas no lugar onde elas estão pretendendo atuar. E isso acontece principalmente nas fronteiras. São nesses locais que temos que evitar o ingresso de grupos criminosos e tentar evitar que cheguem nas cidades. Eles geram violência, mortes”, disse.

Pelo lado brasileiro, as autoridades não fizeram manifestação pública. Isso foi atribuído ao período de defeso eleitoral. Contudo, participaram do lançamento do plano o ministro de Segurança e Justiça Pública, Wellington Lima e Silva, além do diretor-geral da PF, Andrei Augusto Passos Rodrigues.

Presidente da Bolívia, Rodrigo Paz, participou do lançamento - Foto: Divulgação

AÇÕES PRÁTICAS

Já foi definido que mais de 300 policiais bolivianos especializados vão atuar no Departamento de Santa Cruz, que envolve as fronteiras com Mato Grosso do Sul e Mato Grosso.

Atualmente, há um conflito em andamento em San Matías, divisa com Cáceres, onde o policial boliviano subtenente Yerson Salazar Aliendres acabou morto, no dia 30 de julho, após uma emboscada.

Já em Corumbá, também em julho, houve um atentado ligado ao PCC que resultou na morte do soldado PM Marcelo Pimenta da Silva. O ataque ocorreu contra um homem que vivia em Ladário e os policiais militares foram alvejados quando tentaram prender os suspeitos.

Todos os criminosos envolvidos, sendo a maioria deles brasileiros, acabaram mortos pela PM do Estado. Nessa resposta da polícia, dois bolivianos também morreram, mas quando estavam em Corumbá.

O governo boliviano apontou que os operativos conjuntos, e principalmente o combate ao crime organizado atuando na fronteira, resultou na expulsão de 17 pessoas apontadas com algum grau de liderança em organizações criminosas, entre elas do PCC e algumas do CV. 

Também ocorreram as apreensões de 58 aeronaves, 370 imóveis e 573 veículos durante os últimos oito meses. As ações também destruíram 10 pistas clandestinas e apreenderam 283 toneladas de droga.

“A Bolívia não será terra livre para as máfias. Não há espaço para respostas frágeis, dispersas ou meramente declarativas. Os narcotraficantes não são atores sociais, nem interlocutores políticos. São organizações criminais que destroem famílias, financiam violência, capturam territórios, corrompem instituições, tomam fronteiras e ameaçam a democracia”, declarou o ministro boliviano da Defesa, Ernesto Justiniano.

A Bolívia está alinhada com ações também com os Estados Unidos e neste mês teve reunião com o secretário de Defesa estadunidense, Pete Hegseth, e o general Francis L. Donovan, que atua no Comando do Sul, unidade do exército dos EUA que exerce atividade na América Latina.

107 mortes

Dupla morre em confronto com PM horas após ataques no interior de MS

Rafael e Daniel eram apontados como suspeitos de atirarem contra dois homens, um atingido na cabeça e o outro morto no quintal de casa

14/08/2026 07h50

Com essas duas ocorrências, o número de mortes por agentes de Estado subiu para 107

Com essas duas ocorrências, o número de mortes por agentes de Estado subiu para 107 Foto: Maikon Leal / Coxim Agora

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Na madrugada desta sexta-feira (14), a Força Tática da Polícia Militar localizou uma dupla suspeita de atirar contra duas pessoas no bairro Senhor Divino, em Coxim. Os suspeitos fugiram após os ataques e se esconderam no Vale do Taquari. Durante a ação policial, houve confronto entre os militares e os dois homens.

Os suspeitos foram identificados como Rafael da Silva Nogueira, de 38 anos, e Daniel Braz dos Santos Silva, de 40 anos, vulgo “Nego Drama”. Ambos foram atingidos por disparos na região do tórax.

Os dois foram socorridos ainda com vida e encaminhados ao Pronto-Socorro do Hospital Regional Álvaro Fontoura. De acordo com as informações do site Coxim Agora, eles chegaram com vida à unidade hospitalar e equipes médicas realizaram procedimentos de reanimação, porém, apesar dos esforços, ambos não resistiram aos ferimentos e morreram.

Rafael e Nego Drama são apontados como suspeitos de envolvimento nos ataques que deixaram David Alexandre Morais de Souza, de 36 anos, gravemente ferido, e Almir de Araújo Bernardo, de 37 anos, morto no quintal de sua residência, no bairro Senhor Divino.

A ocorrência mobilizou equipes da Polícia Militar, Força Tática, Polícia Civil e Perícia. As circunstâncias do confronto e a dinâmica dos ataques serão investigadas pelas autoridades.

Ataques horas antes

Dois homens foram baleados na noite de quinta-feira (13), em Coxim, após a dupla que estava em uma motocicleta preta realizar disparos em diferentes pontos do bairro Senhor Divino.

O primeiro caso ocorreu na Rua Walmor Rocha Soares, onde David Alexandre foi atingido por um disparo na cabeça e também agredido com coronhadas. Ele ficou gravemente ferido e foi socorrido por uma equipe do Corpo de Bombeiros.

O segundo ataque ocorreu na Rua Ângelo de Souza, também no bairro Senhor Divino, onde os suspeitos efetuaram quatro disparos na direção de Almir de Araújo Bernardo, no quintal de sua residência. Uma equipe do SAMU (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência) foi acionada e esteve no local, mas os socorristas constataram que a vítima já estava sem vida.

107 mortes

Conforme dados disponibilizados pela Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp), Mato Grosso do Sul já registrou 107 mortes por intervenção legal de agentes do Estado, em 2026.

O painel estatístico da Sejusp mostra que, até julho, os registros vinham aumentando ao longo do ano. Foram 11 vítimas em janeiro, seis em fevereiro, nove em março, 14 em abril, 16 em maio, 16 em junho e 22 em julho. Em agosto, o painel apresenta 13 registros.

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