Nos meios políticos a pergunta é repetida diariamente: "E se Paulo Henrique falar?". Agora, parece que a delação premiada dele começa a avançar. Ele já enumerou 20 situações de negócios suspeitos e esquemas de fraudes dos quais participou ou teve conhecimento no Banco Master.
MAIS: o nome de Ibaneis Rocha, ex-governador do DF, não chega a ser novidade. O da governadora Celina Leão pode ser uma novidade. Na lista, há também um ministro do TCU, um dirigente partidário do Centrão, funcionários do BC e deputados distritais de Brasília, para começo de conversa.

Maior show da carreira
Shakira dominou o palco do evento Todo Mundo No Rio, proporcionando uma performance memorável, a maior de sua trajetória e também de uma artista latina. Mesmo iniciando com um atraso de 1h20 (problemas pessoais), trouxe toda a magnificência da turnê Las Mujeres Ya No Lloran, que já arrecadou mais de R$ 2 bilhões. Vestindo um traje nas cores do Brasil, a noite começou com drones formando a imagem de um lobo no céu, seguidos por fogos de artifício e efeitos deslumbrantes. No palco, ela apresentou sucessos como “Girl Like Me” e “Estoy Aquí”, com rápidas trocas de roupa que aumentaram ainda mais a energia do espetáculo. Emocionada, fez uma saudação à sua longa relação com os fãs brasileiros, uma conexão que já dura mais de três décadas. No entanto, nem tudo foi impecável: o setlist omitiu canções amadas como “Addicted to You” e “Gypsy” e incluiu faixas menos reconhecidas, o que gerou opiniões divergentes. Os momentos mais intensos surgiram com “Hips Don’t Lie” e as participações de Anitta, Ivete Sangalo, Caetano Veloso e Maria Bethânia, levando quase 2 milhões de pessoas em Copacabana à euforia. Entre os famosos que estiveram na área VIP estavam a vencedora do BBB26, Ana Paula Renault, a jornalista Tati Machado, a atriz Bianca Bin e a cantora Wanessa Camargo. E a artista não para: o grandioso encerramento da turnê será em Madri, em um estádio temporário exclusivo para ela batizado como “Estadio Shakira”. Serão 11 apresentações em 2026, dentro do Iberdrola Music, com uma estrutura inspirada no mundo de Gabriel García Márquez.
Terras raras: Vale e os irmãos Batista
Em meio à corrida global por minerais críticos, todos os caminhos e players se cruzam em alguma esquina. É o caso da Vale e da J&F, holding controladora da JBS e dos demais negócios dos irmãos Batista. Os dois grupos empresariais têm mantido conversas sobre possíveis investimentos conjuntos na exploração de minerais estratégicos, notadamente terras raras. Por enquanto, são tratativas preliminares que tendem a ganhar força diante do crescente interesse pela alta tecnologia. Não é de hoje que a LHG Mining, braço de mineração de Joesley e Wesley, avalia entrar na produção de minerais críticos. Trata-se de um negócio que extrapola as fronteiras brasileiras e conversa com as ambições globais da J&F. Já a Vale é a Vale. A empresa já tem dentro de casa um eldorado com notório potencial de crescimento, a Vale Base Metais, sua subsidiária voltada à produção de minérios estratégicos. A controlada vale quanto pesa e pesa quanto vale, seja pelo que já tem em seu portfólio — operações de cobalto, níquel e cobre no Brasil, Canadá e Indonésia — seja pela possibilidade de avançar sobre outros minerais críticos e terras raras.
Terras raras 2
A Arábia enxergou essa riqueza a valor presente e o valor futuro: pagou US$ 3,4 bilhões por 13% da Vale Base Metais, por meio da Manara Minerais, joint venture entre a Ma'aden e o PIF (Public Investment Fund), fundo soberano saudita. Vale lembrar que o próprio presidente da Vale, Gustavo Pimenta, já disse publicamente que a companhia avalia investimentos em terras raras. Uma eventual parceria entre Vale e J&F/LHG Mining teria forte potencial para ser um dos líderes de investimentos em minerais estratégicos no subsolo brasileiro.

Faz parte da fernanda
A atriz Fernanda Vasconcellos não tenta esconder que, em alguns dias, ao terminar as gravações de “Três Graças”, ela chorava. Na reta final da novela, a atriz de 41 anos se aprofundou no papel de Samira, uma chef de cozinha envolvida com o tráfico de bebês, um papel bastante intenso, especialmente por ser mãe de Romeo, que tem 3 anos. “Samira sente emoções, mas não as revela”. Após uma década longe da atuação, ela enfrenta a seriedade da trama com consciência: “Qualquer pessoa pode ter uma natureza boa ou má. E a mensagem da história é extremamente relevante”. Dividida entre São Paulo e Rio, Fernanda se esforça para manter a rotina de seu filho. Contudo, o momento de “tchau” ainda é difícil: “Não é simples, mas ele está se tornando mais independente.” Como uma mãe superprotetora, reconhece: “Penso em tudo, desde a alimentação até o banho”. Junto de Cássio Reis há 14 anos, ela comemora a parceria: “Somos excelentes companheiros, tudo realmente flui bem.” Após a maternidade, surgiram incertezas e pausas. “Cheguei a pensar que talvez não voltasse a trabalhar novamente.” Retornou com uma visão mais clara: “Ser atriz é uma parte essencial de quem eu sou. Aprendi que esta carreira demanda paciência”. E ela não tem a intenção de parar. “Após a novela, quero elaborar um novo projeto de teatro com a Ana Beatriz Nogueira. Nesse tempo de profissão, aprendi que ela é inconstante, não temos o controle de nada. Mas sei que ainda tenho um longo caminho pela frente.”

Saindo de cena
Lula ainda considera o senador Rodrigo Pacheco candidato ao governo de Minas Gerais. Ledo engano: ele já avisou que não quer ser candidato ao Supremo e tampouco ao governo mineiro. Nos dias que antecederam a votação, Pacheco chegou a dar demonstrações de apoio a Jorge Messias, subscreveu uma nota do PSB ao indicado, almoçou com o advogado-geral da União e apareceu em foto ao lado dele no encontro. Há quem insista em dizer que Pacheco não estava a par das manobras de Alcolumbre, seu grande amigo. O ex-presidente do Senado, contudo, não revelou se votou a favor ou contra Messias. Aos chegados, diz que abandonará a política.
Foto da capa
Na semana passada, depois da segunda derrota do governo pelo Congresso, a foto unindo os senadores Davi Alcolumbre e Flávio Bolsonaro foi estampada na maioria dos grandes jornais brasileiros. Derrubado o veto presidencial ao Projeto de Lei da Dosimetria, Flávio foi abraçar Alcolumbre, e o presidente do Senado preferiu encostar o rosto, de olhos fechados, no peito do pré-candidato ao Planalto, parecendo dizer: "Estamos juntos e vencemos". Há quem tenha ouvido um comentário semelhante. O veto derrubado beneficiará — não exatamente no curto prazo — condenados por golpe, inclusive o ex-presidente Bolsonaro. Enquanto isso, em grande área do plenário, demais senadores davam pulinhos e sacudiam os punhos, numa espécie de dança, ritual que já havia sido cumprido na derrota de Jorge Messias, candidato ao Supremo indicado por Lula. Alguns emocionados da oposição acharam que o momento Alcolumbre-Flávio poderia ser a cena de um filme.
Pérola
"Agora tem uma profissão chamada 'influencer'? Um cara que trabalha na internet e tem 3 milhões de seguidores. Não conheço ninguém que ensina uma coisa séria que tem 4 milhões, mas se fala bobagem, pode ter até 20 milhões",
de Lula, sobre "influencers" nas eleições legislativas.
Roteiro e soberba
O benefício aos condenados, derrubado o veto, não é imediato. Espera-se que algum partido ou a PGR apresente ação no STF questionando a constitucionalidade do projeto de lei. Nesse caso, o tema será julgado pelos atuais dez ministros da Corte. Os senadores gritavam "Fora Lula" e Flávio respondia: "O governo Lula acabou". Mais tarde, já dizia que tem vários nomes para indicar ao Supremo. "Mas não vou adiantar nada. Ainda não sou presidente", emendava o "01", passando a impressão de que já se considera eleito. Bernardo Mello Franco acha que "a soberba pode cobrar um preço alto à campanha".
"Tradição brasileira"
O historiador Carlos Fico, professor da UFRJ e especialista em História do Brasil República, autor de várias obras sobre o assunto, acha que a mobilização do bolsonarismo e aliados para demolir o veto de Lula à Lei da Dosimetria, aprovado pelo mesmo Congresso Nacional, foi mesmo "mais uma vitória da tradição brasileira de tratorar a democracia". Numa tabela pública, ele enumerou 15 golpes (tentados ou consumados) e pronunciamentos militares. Na meia dúzia que fracassou (1902, 1922, 1924, 1956, 1959 e 1961), houve anistia. A sétima, pavimentada pelo Legislativo, facilita a progressão do regime de condenados pela trama golpista de 2022-2023, beneficiando Bolsonaro, três generais e o almirante. O bolsonarismo, ao lado do Centrão, viabilizou um próximo golpe.
"Olha eu aqui!"
Lula pensa em outros nomes para o Supremo e os mais chegados acham que ele deveria colocar Jorge Messias no Ministério da Justiça no lugar deWellington Lima apadrinhado de Jaques Wagner. Messias queria deixar a AGU, mas Lula o convenceu a ficar até o final de seu mandato. Aliados de Lula aconselham o presidente a escolher uma mulher para o STF, e especialmente uma negra. Gleisi Hoffmann gosta da ideia: "É uma oportunidade para a gente debater a indicação de uma mulher para a Corte". Antes de Flávio Dino ser escolhido para o STF, a própria Gleisi chegou a ter seu nome cogitado para a vaga. Ela é advogada diplomada pela Faculdade de Direito de Curitiba e, claro, gostaria de "usar" toga.
Oito votos 1
Na noite anterior à sabatina de Jorge Messias, o ministro Alexandre de Moraes ofereceu um jantar para recepcionar um velho amigo, o procurador e ex-secretário Nacional de Justiça, Mário Luiz Sarrubbo (ambos fizeram carreira no Ministério Público de São Paulo) e, entre outros convidados, estava o presidente do Senado, Davi Alcolumbre. Também lá estavam os ministros Gilmar Mendes e Cristiano Zanin, além do senador Rodrigo Pacheco. Houve conversas sobre a votação de Messias e, apenas para Alexandre, Alcolumbre teria antecipado que o titular da AGU seria rejeitado pela diferença de oito votos.
Oito votos 2
O ministro Alexandre de Moraes também não era favorável à aprovação de Jorge Messias (ele garante que jamais conversou com algum senador) e permaneceu com a informação na cabeça: "oito votos". Moraes conhece onde aperta o sapato de Alcolumbre. Ele é padrinho de Jocildo Lemos, que pediu exoneração do comando da Amapá Previdência (Amprev) após a Polícia Federal investigar um aporte de R$ 400 milhões feito pelo fundo do Banco Master. Lemos também foi tesoureiro da campanha de Alcolumbre. Depois do encontro entre ele e Moraes no jantar, redes sociais ironizaram um suposto pacto: "Você salva a minha pele e eu salvo a sua".
Mistura Fina
A costura política que levou o veto presidencial da Dosimetria à pauta do Congresso passou por um acordo entre o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, e políticos bolsonaristas para enterrar a CPI do Master, cuja instalação vinha sendo pedida pela oposição. Um grupo de parlamentares planejava utilizar a sessão conjunta entre as duas Casas para cobrar que Alcolumbre autorizasse a abertura da CPI sobre o escândalo do banco de Daniel Vorcaro. A rejeição de Jorge Messias também entrou na conversa.
As tratativas foram conduzidas entre Alcolumbre (rotulado em editorial pelo Estadão de "egresso do baixíssimo clero") e o senador Jorge Seif (PL-SC). Parte dos deputados bolsonaristas diz não ter feito parte da negociação e se queixa de a CPI não ter sido instalada. O deputado Carlos Jordy (PL-RJ), autor do requerimento que pede a criação da comissão, reclamou da manobra e sustentou que ela fere o regimento. Agora, ele quer entrar com mandado de segurança no STF para tentar garantir a criação da CPI.
O presidente Lula e seus assessores mais próximos iniciam a semana estabelecendo uma série de providências a serem tomadas contra Davi Alcolumbre, com o qual não planeja "em hipótese alguma" ter uma reconciliação. De cara, servidores indicados pelo presidente do Senado serão demitidos e informados da causa da demissão. Aliados defendem que Alcolumbre "deve sofrer" sempre que possível por ter causado constrangimento ao próprio presidente. Lula quer força total contra candidatos de Alcolumbre no Amapá para diminuir sua força em Brasília. E nem agendas importantes (caso do 6x1) serão motivo para uma reaproximação.
Mais: enfurecidos governistas estão prevendo que Davi Alcolumbre terá destino semelhante ao de Eduardo Cunha, que liderou o impeachment contra Dilma Rousseff em 2016 e acabou preso. Para alguns deles, o presidente do Senado será afetado (de saída, pelo episódio dos R$ 400 milhões da Amprev no Amapá) por revelações de Daniel Vorcaro e não terá mais o governo para ajudá-lo. E alguns defendem que Lula deixe vago o cargo de ministro do Supremo para não correr risco de nova derrota.
In - Esmalte: rosa fosco
Out - Esmalte: rosa brilhante






