Colunistas

CLÁUDIO HUMBERTO

"Lula falou, falou, falou e não disse nada"

Deputada Adriana Ventura (Novo-SP) sobre Lula passar pano para a Rússia no Brics

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Juízes afastados faturaram R$4,3 milhões este ano

Os rendimentos dos cinco desembargadores do Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul, afastados esta quinta (24) sob suspeita de venda de sentenças, passam dos R$4,3 milhões só este ano.

A soma envolve salários oficiais, diárias e penduricalhos disponibilizados na transparência do próprio TJ-MS. Sérgio Fernandes Martins, Vladimir Abreu da Silva, Alexandre Aguiar Bastos, Sideni Soncini Pimentel, Marcos José de Brito Rodrigues, os afastados, que mico, estão usando tornozeleira eletrônica.

CNJ deu aval

A grana foi turbinada por “gratificação de acúmulo de acervo retroativo”, jeitinho com aval do CNJ que rendeu até R$60 mil extras por mês.

R$134 mil mensais

Em março, o contracheque de Sérgio Fernandes, presidente afastado do TJMS, registra R$134,3 mil. Mais um plus de R$14,5 mil em diárias.

O ‘pobre’ é rico

Marcos José foi o menos abastado entre os colegas, “só” R$737,7 mil em nove meses. Sérgio Fernandes faturou mais: R$1.028.581,14.

RH ostentação

O mês de holerite mais mixuruca foi fevereiro, quando os cinco custaram ao pagador de impostos R$276,1 mil. Em agosto, a fatura foi R$692 mil.

Ausência de Marta na campanha virou ‘estratégia’

Após o candidato de extrema-esquerda Guilherme Boulos (Psol) prometer a vice Marta Suplicy presente “dia e noite” em sua campanha, ficou ainda mais óbvio o sumiço da ex-prefeita paulistana na corrida pela prefeitura de São Paulo. A ausência quase total da petista se percebe até nas redes oficiais de Boulos e do Psol, é como se não existisse. A própria Marta teve de explicar ter agenda “complementar” e que optou por fazer carreatas sozinha. De preferência sem Boulos, faltou dizer.

Outras questões

Segundo a assessoria de Marta, que voltou ao PT para disputar a eleição, problemas de saúde também limitaram sua participação.

Vice de longe

Ex-prefeita que se dizia “fiadora” de Boulos há apenas um mês, Marta não participou nem de 10% de eventos de campanha no primeiro turno.

Erro fundamental

O experiente presidente do Paraná Pesquisas, Murilo Hidalgo, avalia que a escolha de Marta “foi o primeiro erro do PT” na eleição em São Paulo.

O melhor, de novo

Sempre insultado por Lula e ignorantes em economia, Roberto Campos Neto foi eleito pela 3ª vez consecutiva o melhor presidente de banco central do mundo. Receberá a honraria da prestigiada Latin Finance.

Providencial

O suposto acidente livrou Lula de uma série de saias justas, como a viagem de avião, que lhe dá pânico, posar com o amigo ditador Maduro e encarar Putin, para quem passava pano até o discurso da ONU, quando finalmente criticou, mesmo levemente, a invasão da Ucrânia.

Lição de malandragem

Ao abandonar Boulos na reta final, evitando aparecer na foto da derrota, Lula fez lembrar a frase de Zeca do Pagodinho, para quem malandro não é só o que rouba: “malandro é o que sabe a hora de parar”.

Tristes recordes

O deputado estadual paulista Tenente Coimbra (PL) destaca os recordes de Lula neste governo: arrecadou R$1,9 trilhão em impostos criados por Fernando Haddad (Fazenda) e o rombo de R$7,2 bilhões das estatais.

Boquinha garantida

O governo de Sergipe, um dos cinco que aderiram ao “convênio” com a Caixa para tomar do cidadão a grana do novo DPVAT, garantiu uma boquinha comissionada para o neto de apenas 18 anos do presidente.

6 por meia dúzia

Com diversos estados sem vacinas contra Covid-19, o Ministério da Saúde resolveu divulgar nota negando “falta generalizada” do imunizante. Diz que é “desabastecimento momentâneo”. Ah bom...

Viagens e viagens

O governo Lula (PT) já torrou este ano mais de R$870 milhões apenas a título de “diárias” pagas a funcionários em viagens. O valor supera por pouco o orçamento de R$700 milhões pretendido para o AeroLula 2.

Photo finish

Segundo relatou Murilo Hidalgo, do Paraná Pesquisas, no podcast Diário do Poder, as disputas acirradas pelas prefeituras de Manaus (AM) e Fortaleza (CE) serão definidas somente no dia da eleição.

Pensando bem…

…“Lula lá”, exceto em São Paulo ao lado de Boulos.

PODER SEM PUDOR

O desabafo de Getúlio

A poucos dias de “deixar a vida para entrar na História”, Getúlio Vargas desabafou com o seu ministro da Viação, José Américo de Almeida: “Impossível governar este País. Os homens de verdadeiro espírito público vão escasseando cada vez mais...”. Zé Américo indagou: “E o que o senhor acha dos homens de seu governo?” Getúlio não hesitou: “A metade não é capaz de nada, e a outra metade é capaz de tudo...”

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EDITORIAL

O bolso também vai às urnas

Renegociação de dívidas alivia o orçamento, mas não resolve a distância entre o desejo de consumo, a renda e a capacidade de pagamento

19/09/2026 07h15

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Nesta edição, o Correio do Estado mostra que os feirões de renegociação de dívidas e programas como o Desenrola, embora tenham permitido a milhões de brasileiros reorganizar suas finanças, não têm sido o suficiente para resolver o problema do endividamento. Renegociar uma dívida pode aliviar juros e recuperar parte da capacidade de pagamento, mas não elimina as causas que levaram o consumidor a comprometer sua renda.

A explicação para isso tem várias camadas. Em primeiro lugar, os hábitos de consumo não apenas do brasileiro, mas do cidadão do mundo ocidental, mudaram. O aumento da escala de produção tornou mais acessíveis produtos e serviços que antes eram restritos a uma parcela menor da população. Ao mesmo tempo, as redes sociais turbinaram a exposição a esses produtos, criando e ampliando desejos de consumo que nem sempre correspondem à renda de quem os deseja.

O problema surge quando a expectativa de consumo cresce mais rapidamente do que a capacidade financeira. A sociedade passou a conviver com uma vitrine permanente de viagens, carros, roupas, eletrônicos, restaurantes e experiências. O que antes era visto como excepcional passou a ser apresentado diariamente como algo comum e desejável. O consumidor, porém, continua limitado pela renda que recebe.

Dessa distância entre desejo e capacidade de pagamento surgem dois problemas. O primeiro é a frustração de quem não consegue alcançar aquilo que gostaria de ter. O segundo, ainda mais grave do ponto de vista financeiro, é o superendividamento de quem recorre ao crédito para aproximar sua realidade do padrão de consumo que deseja. O crédito, que deveria ajudar principalmente na aquisição de bens duráveis e no planejamento financeiro, acaba sendo utilizado para antecipar uma renda que não existe.

É por isso que os feirões e programas de renegociação, por mais importantes que sejam, não podem ser vistos como solução definitiva. Eles atacam a dívida já existente, mas não necessariamente modificam os hábitos de consumo, as expectativas ou a relação do cidadão com o crédito. Sem essa mudança, existe o risco de que a renegociação apenas abra espaço para um novo ciclo de endividamento.

Essa realidade também terá reflexos sobre as eleições que se aproximam. O bolso do cidadão é uma dimensão concreta da vida pública e pode pesar na forma como parte do eleitorado avalia governos, políticas econômicas e candidatos. Questões como corrupção, rachadinha e soberania continuarão presentes no debate, mas podem dividir espaço com preocupações muito mais imediatas para quem enfrenta dificuldades para fechar as contas do mês.

No fim, a questão é simples e, ao mesmo tempo, complexa: quanto maior a distância entre aquilo que o cidadão deseja consumir e aquilo que sua renda permite, maior tende a ser a pressão sobre seu orçamento e sua percepção sobre a realidade econômica. Compreender essa relação entre consumo, crédito, renda e frustração será importante para entender uma parcela do comportamento do eleitor nas eleições deste ano.

ARTIGO

Pelo fim dos superpoderes e a defesa da Constituição

19/09/2026 07h00

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Pedro Simon - Advogado, foi governador do Rio Grande do Sul, ex-senador da República e ministro da Agricultura

Ao longo dos meus 96 anos, vivenciei alguns dos piores momentos da história brasileira. Dos autoritarismos da ditadura militar aos maiores escândalos de corrupção da Nova República, estive na linha de frente de todos esses episódios, em defesa de um país melhor, mais justo, livre e igualitário. Confesso que lutei, como disse em meu discurso de despedida do Senado, em 2014: onde vi corrupção, lutei para levar a ética; onde vi impunidade, lutei para levar a justiça.

Hoje, assisto de longe, com angústia, à fragilização das instituições que construímos a partir de 1988, corroídas pela improbidade, pela maximização do interesse pessoal e por novas formas de coronelismo.

Vivemos hoje a maior crise deste século no Brasil: uma crise constitucional, da relação entre os poderes constituídos, que coloca em xeque a credibilidade da República perante a sociedade civil e a comunidade internacional.

Enquanto o Poder Executivo é capturado por projetos de poder que se confundem com projetos de governo, e não por projetos de Estado-nação, o Legislativo sequestra o orçamento republicano por meio de emendas parlamentares sem transparência nem responsabilidade, sob o domínio dos mesmos grupos políticos fisiológicos.

Enquanto isso, o Poder Judiciário, encastelado em uma superioridade autoproclamada, assume uma posição perigosa de tutela absoluta de todos os assuntos da República – mas, sob o comando de alguns de seus agentes e salvaguardadas honrosas exceções, em nada difere, em condutas recentes, dos entes corruptos e corruptores que se propõe a julgar.

As investigações em torno do escândalo do Banco Master e o embate público recente entre ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) expuseram, em todo o País, uma Corte que deveria pacificar a Nação e que, em vez disso, tornou-se palco de disputas que corroem a sua própria autoridade moral. Já disse, e repito: vivemos a página mais triste da nossa história neste século, na qual perdemos a confiança nos Três Poderes da República.

A recente deliberação do STF aprofunda essa crise de credibilidade institucional. Ao expor divisões internas e hesitar no rigor sobre as apurações do caso do Banco Master que envolvem membros da própria Corte, o Tribunal compromete a autocontenção e a neutralidade exigidas da magistratura. O episódio confirma que a ausência de controle externo efetivo e a resistência à transparência corroem a autoridade moral do guardião da Constituição.

Foi no Senado que passei 32 dos meus 60 anos de vida pública, ao lado de Ulysses Guimarães, Tancredo Neves e Teotônio Vilela, na reconstrução da nossa democracia. É por essa vivência que faço um alerta: compete privativamente ao Senado, por força da Constituição Federal, processar e julgar os ministros do STF por crimes de responsabilidade. Esse é um dos pilares do equilíbrio entre os Poderes que ajudamos a erguer em 1988, e hoje ele está, na prática, esvaziado. Dezenas de pedidos de impeachment contra ministros da Corte acumulam-se há anos nas gavetas da mesa diretora, sem parecer e sem votação.

Em toda a nossa história democrática, nenhum ministro do Supremo jamais chegou a ser julgado até o fim por esse rito. O Senado, a quem caberia fiscalizar o Judiciário, tem preferido o silêncio ao exercício desse dever constitucional, seja por cálculo eleitoral, seja pelo receio de turbulência institucional. Um poder que se omite de fiscalizar torna-se, ele também, parte da crise.

O Brasil precisa de uma resposta firme e rigorosa; necessita que se instaure investigação regular e independente sobre os fatos revelados, assegurados o contraditório e a ampla defesa; que o STF retome, sem subterfúgios, a sua autocontenção institucional; que se encerre o inconstitucional inquérito das fake news; que todos os envolvidos com o Banco Master sejam investigados, independentemente do cargo ou partido político; que se restabeleça a atuação dentro dos limites da Constituição, e que ninguém, nem mesmo quem julga a Nação, esteja acima da lei.

Chegou o momento de reformas na Corte, com mandatos fixos, aperfeiçoamento do modelo de indicação e de um Código de Ética efetivo. Volto, então, àquilo em que sempre acreditei: a democracia não se sustenta na força de um só poder, mas no equilíbrio entre todos eles e na vigilância permanente da sociedade civil. Ao povo brasileiro, e sobretudo à juventude que hoje herda esta crise sem tê-la criado, deixo o mesmo apelo que fiz ao deixar o Senado: que não desistam da política, nem do Brasil. 

A pátria é feita de quem rejeita a corrupção, a impunidade e a soberba dos que se creem acima da lei. Que essa pátria, mais uma vez, prevaleça.

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