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GIBA UM

"Nunca me estressei com Bolsonaro. Nem 'perdi o sono". Eu tomo uísque todo dia antes de dormir"

De HAMILTON MOURÃO, senador eleito, sobre seus tempos de vice-presidente

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Imitador de Dilma Rousseff, Geraldo Mendes (PT) tentou crescer na campanha para deputado em Minas Gerais atacando Nikolas Ferreira (PL), novo queridinho do presidente Jair Bolsonaro.

Mais:  o Youtuber também  é distribuidor de fake news. No final, teve 18 mil votos e Nikolas foi um dos mais votados do país, com 1,5 milhão. Nikolas tem 26 anos e é formado em Direito pela PUC-MG.

In – Caipirinha de caju

Out – Caipirinha de cerveja

Vaidade com limite

A atriz Giovanna Lancellotti, 29 anos, posou para uma das capas da revista Quem digital onde falou sobre carreira, forma física, relacionamento e feminismo. Ela contou que no início de sua carreira, uma das figurinistas lhe disse que ela “estava uma porpetinha”, (gordinha), com isso ela resolveu aos 19 anos reduzir os seios e nunca mais esqueceu a palavra. Ela ainda ressalta que hoje é vaidosa, mas com limite. “Sou sim. E acho que o limite, que é muito particular, está em ter a vaidade como algo que ande de mãos dadas com a nossa autoestima. Se nos aprisiona, eu não acho bom, saudável. É bom quando a gente gosta do que vê no espelho”. Mais:  ela acredita que toda mulher deveria ser feminista e garante que planeja ter filhos e se casar, mas a hora que quiser. Atualmente ela está namorando o empresário Gabriel David, filho de Anísio Abrahão David, presidente de honra da escola de samba Beija-Flor. Longe da TV aberta tem se dedicado ao cinema e teatro e pensa em produzir ou dirigir e em breve estará em outro ramo. Ela e sua mãe entrarão no ramo dos vinhos. 

Começou o êxodo

Mais cedo do que se esperava (uma semana depois do segundo turno e derrota do presidente), já começou o êxodo de políticos e até religiosos que apoiavam o governo de Bolsonaro. PL, PP e Republicanos, que já tiveram relacionamento com Lula no passado, emitem os primeiros sinais de fumaça, embora evitem uma adesão imediata ao novo governo. O Republicanos avisa que não tem intenção de fazer oposição: será “independente”. PP e PL se manifestam por outras vias: Arthur Lira (PP), presidente da Câmara, negocia aprovação rápida da PEC de Transição (em troca, permanece no trono) e Valdemar Costa Neto (PL) cuida do bem estar de Jair Bolsonaro no futuro, mas quer armar bancada sob seu comando (e isso sinaliza futuros acordos) e não sob ordens do Capitão. O Republicanos é uma sigla ligada à Igreja Universal, onde o bispo Edir Macedo não perdeu tempo e é o primeiro a abençoar o novo governo. Agora, diz que Lula foi “escolhido por vontade de Deus”. Em vídeo gravado na Suíça, Macedo tranquiliza seus fiéis: “Não podemos ficar com mágoa porque é isso que o diabo quer”. Outro a pular do barco é Luciano Bivar, que alugou o PSL para a candidatura de Jair Bolsonaro em 2018, agora é presidente do União Brasil e também avisa que “não tem nenhuma objeção a aderir a Lula”. detalhe: o presidente também dizia que era “escolhido de Deus”.

Voltando aos poucos

A super modelo canadense Linda Evangelista, 57 anos, aos poucos vai retornando aos trabalhos depois de 6 anos afastada por conta de um procedimento chamado CoolSculpting que tem o objetivo de “diminuir” as células de gordura, mas que fez exatamente ao contrário e a deixou desfigurada. Aos poucos vai retomando os ensaios, campanha e as passarelas.  Em setembro Linda desfilou para a grife Fendi na Semana da Moda de Nova Iorque (seu último desfile tinha sido há 15 anos). E para mesma grife ela já posou para um ensaio na Vogue e agora estrela a campanha ainda em comemoração dos 25 anos da bolsa baguette da marca. 

Velocidade

Os petistas estão animados com a velocidade das adesões. Acham que Lula não terá dificuldade em formar maioria na Câmara e no Senado. Terá mais de 20 ministérios, mais 10 secretarias, além de outros cargos para acomodar os novos aliados. Falta apenas acertar as condições. O novo presidente quer isolar Jair Bolsonaro, que quer se transformar em líder nacional da direita ou, segundo muitos, da extrema-direita, o que não fascina boa parte de seus eleitores de segundo turno (fora os antipetistas).

Vaiado

Ministro QueirogaO ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, que já está arrumando as gavetas, foi vaiado pela plateia durante uma agenda em Sergipe na semana passada e em resposta, chamou a plateia de “covarde”. A cena aconteceu durante o 8º Congresso Norte-Nordeste de secretarias municipais de saúde, que reunia profissionais de saúde. Do palco, Queiroga reagiu, enquanto muitos deixavam o local: “Vocês sabem fazer bagunça. Não temos medo. Podem ficar vaiando”.

Alianças

Apesar da “independência” proclamada pelo Republicanos, a sigla que pode integrar uma aliança com PP e PL, no governo Lula. Por outro lado, já se vê demais legendas conversando para tentar formar federações. União Brasil e PSD querem se aliar ao PSDB e Cidadania numa federação, mas os mesmos MDB e PSDB conversam paralelamente com o Cidadania. A ideia básica das federações é conseguir ganhar o comando das mais importantes comissões da Câmara – especialmente à CCJ (Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania) – para controlar o volume de pautas vitais.

POR CONTA

PP, PL e Republicanos são as três siglas do Centrão que somam 187 deputados eleitos. Muitos já começam a debandar por conta própria e Lula conta com esses apoios individuais para governar. O bloco do Centrão é maior do que os 139 parlamentares de partidos que apoiaram formalmente o PT e a sigla quer atrair mais legendas que ficaram neutras como PSD, MDB e União Brasil. Gilberto Kassab, dono do PSD tem jantar marcado para essa terça-feira com as bancadas do partido, para avaliar a adesão ou não ao governo Lula.

Vídeos de fora

Nos dois primeiros dias depois da vitória de Lula, 59 canais bolsonaristas retiraram do ar, por conta própria, mais de 4,2 mil vídeos no Youtube, segundo monitoramento da Novelo Data, a partir de informação da própria plataforma. Entre os canais, está a conta oficial do presidente Jair Bolsonaro intitulado “Lula humilha o Trabalhador Brasileiro em nome da contribuição sindical obrigatória”. Há mais ataques aos adversários sobre Microempresa Individual, alegações sem prova sobre fraude nas urnas eletrônicas, “censura” feita pelo TSE, falsas propostas de Lula sobre “Liberação ordenada de drogas” e “descriminalização de pequenos delitos”.

QUEM VEM

Kamala Harris, vice-presidente dos Estados Unidos, que acaba de visitar a Coreia do Sul após testes de mísseis da Coreia do Norte, deverá estar na cerimônia de posse de Lula em 1º de janeiro. É mais um sinal de que Joe Biden para aumentar as boas relações entre Estados Unidos e Brasil. O próprio vice-presidente e senador eleito Hamilton Mourão acha que Kamala Harris poderá ser o elo de aproximação do país de Biden. Se Jair Bolsonaro fosse eleito, à propósito, viria para sua posse um secretário do segundo escalão.

Holofotes

O TCU, órgão de assessoramento do Poder Legislativo, está tentando supervisionar a transição do governo, atrás de protagonismo. De quebra, presta vassalagem ao futuro presidente. A lei 10.609/02, que disciplina a transição, não faz nenhuma referência ao TCU. Prevê claramente que a supervisão do trabalho será do coordenador da equipe, no caso o vice-presidente eleito Geraldo Alckmin.

Tiro no pé

O Ministério da Saúde tem sido pressionado por governadores e prefeito a rever portaria que regulamente o trabalho médico nas unidades de atenção primária – notadamente as clínicas de família e os Centros Municipais de Saúde (CMS). As novas regras duplicaram a jornada de 20 horas para 40 horas. O objetivo era ter mais médicos por mais tempo, só que o tiro saiu pela culatra. Muitos profissionais estão se desligando, com a alegação de que a nova jornada impede o trabalho em outros hospitais (e ganhar mais).

ANTIGO NOME

Na reunião entre o coordenador da transição, vice-presidente eleito Geraldo Alckmin e o relator do Orçamento, senador Marcelo Castro, para discussão da PEC de transição (a estimativa inicial é de R$ 100 bilhões para garantir recursos para o aumento real do salário-mínimo e a manutenção do Auxílio em R$ 600) já se registrou a volta do nome Bolsa-Família no lugar de Auxílio Brasil. quem deixou de lado o nome do programa adotado pelo governo Bolsonaro foi o próprio Castro.

MISTURA FINA

HÁ muitas novidades na formação e no volume de candidatos cotados para o novo ministério de Lula. A Secretaria de Políticas para Mulheres deverá ser comandada por Janja Lula da Silva, a mulher do presidente eleito e André Janones poderá assumir a Comunicação Social da Presidência. Para a Secretaria-Geral da Presidência retorna Gilberto Carvalho e o mais citado para a Polícia Federal é Jorge Chastalo Filho.

DENTRO do PT há quem aposte que Lula delegará a ex-presidente Dilma Rousseff o posto de embaixadora do Brasil em Portugal. Alguns aliados próximos defendem que Dilma seja enviada para a Bulgária, terra natal do pai da ex-presidente – e bem longe.

UMA das principais condições de Gilberto Kassab, do PSD, para seu partido apoiar o governo Lula é a recondução de Rodrigo Pacheco à presidência do Senado. Mais: os líderes da sigla no Senado e na Câmara deverão ser, respectivamente, Otto Alencar (BA) e Antônio Brito (BA).

O EX-governador de São Paulo Geraldo Alckmin, vice-presidente de Lula, coordenador do período de transição entre os governos, ganha prestígio na cena política e poder para ir resolvendo problemas da passagem. Ele continua dizendo que quer ser “apenas copiloto”. E mantém hábitos e manias. A gravata cor-de-rosa e o caderno (tipo escolar) de anotações estão de volta.

A POLÊMICA deputada federal (uma das cinco mais votadas) Carla Zambelli (PL-SP) viajou para os Estados Unidos “para estudar meios de assegurar e restaurar a liberdade de expressão no Brasil junto a autoridades americanas”. Ela teve recentemente suas contas em diversas redes sociais bloqueadas, por determinação do TSE. Zambelli avisou que terá “agendas pessoais” nos Estados Unidos, além de encontro com autoridades (não revelou nomes, nem locais).

O MINISTRO da Infraestrutura, Marcelo Sampaio, deverá integrar o governo de Tarcísio de Freitas em São Paulo. Poderá comandar uma super secretaria a ser criada a partir da fusão das Pastas de Infraestrutura e de Logística e Transportes. Também caberia a Sampaio conduzir o programa de concessões no estado e cuidar do projeto do trem intercidades. É uma linha que ligaria a capital à Americana, passando por Campinas, Jundiaí. 

O PLANO de recuperação judicial da Andrade Gutierrez Engenharia enfrenta resistências entre os bancos credores. Muitos acham que a proposta foi feita sob medida para atender os bondholders, fundos internacionais que respondem por mais de 80 do passivo de R$ 2,2 bilhões.

CLÁUDIO HUMBERTO

"É inegável que a crise desgastou a nossa campanha"

Edinho Silva, presidente nacional do PT, sobre os escândalos do Master e do STF

20/09/2026 07h00

Cláudio Humberto

Cláudio Humberto

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Pesquisas previam vida fácil de Lula. Mas a realidade...

A duas semanas do primeiro turno em 2022, o Datafolha previa Lula 12 pontos à frente de Jair Bolsonaro no primeiro turno e o Ipec (que era Ibope) chutava vitória de 15 pontos do petista.

Nas urnas, o placar válido foi 48,4% a 43,2%. No segundo turno, o Datafolha previa vitória de Lula com 16 pontos de vantagem, enquanto o ex-Ibope calculava vitória do petista por 19 pontos. Na realidade, a vantagem foi de 1,8% no 2º turno.

Repeteco?

A 15 dias da eleição de 2026, o Datafolha prevê Lula com 39% a 35% de Flávio Bolsonaro no primeiro turno e 46% a 44%, no segundo.

Muro estreito

O Quaest viu vitória de 8% de Lula em 2022 nos dois turnos. Agora prevê Lula à frente por 5% no primeiro, mas derrotado no segundo turno.

Instituto fechou

A duas semanas da eleição 2018, o Ibope errava em 18% o resultado de Bolsonaro no 1º turno. E ainda previu empate com Haddad no 2º turno.

Chegou perto

O instituto Paraná Pesquisa foi quem mais acertou em 2022. A 14 dias da eleição previa vitória de Lula por quatro pontos no primeiro turno.

Especialista vê presidência de Moraes como surreal

Próximo presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), segundo a tradição, Alexandre de Moraes pode ter o comando da Corte sob impedimento perante a opinião pública, é o que avalia à coluna o professor, mestre e doutor em Direito Constitucional da USP Rubens Beçak, caso o Supremo abra investigação contra o magistrado.

Beçak diz ainda que os ministros deveriam examinar administrativamente se Moraes poderia continuar com os processos relacionados ao Master.

Peça o boné

Para Max Kolbe, advogado especialista em Direito Constitucional, Moraes deveria até se abster de disputar a presidência, caso investigado.

Situação surreal

Kolbe considera “estarrecedor” um investigado comandar a instituição responsável por supervisionar a apuração da própria conduta: “surreal”.

Não dá

No campo político, as críticas ao ministro são ainda mais incisivas, “é um escárnio com a cara do povo”, disse à coluna Rodrigo Valadares (PL-SE).

Tradição não é regra

Por tradição, o presidente o Supremo Tribunal Federal é o ministro mais antigo que ainda não tenha ocupado o posto. A eleição para sucessão de Edson Fachin deve ocorrer em agosto de 2027. Kassio Nunes Marques é o próximo da fila após Alexandre de Moraes.

Caravana

A chapa Flávio Bolsonaro e Alfredo Gaspar, do PL, tem investido no Nordeste nestes dias. A meta é percorrer os nove estados da região, tida como prioridade para a campanha.

Arruda no TSE

Derrotado no TRE-DF, José Roberto Arruda (PSD) tenta no TSE validar a indeferida candidatura ao governo do Distrito Federal. Quem vai relatar o recurso na mais alta corte eleitoral é o ministro Dias Toffoli.

Sangria na pauta

O julgamento do dissídio coletivo dos funcionários dos Correios, sem dó da combalida estatal, será nesta segunda-feira (21). Os grevistas querem coisas tipo adicional de 70% sobre férias e 200% sobre repouso ou feriado trabalhado, além de manter regalias tipo vale extra de Natal.

Picadeiro ocupado

Na polêmica sessão do STF que deveria definir se Alexandre de Moraes será investigado pela relação com Daniel Vorcaro, Gilmar Mendes falou durante mais tempo que Cármen Lúcia e André Mendonça... somados.

Foi pouco

Segundo a oposição no Congresso, o aumento do auxílio anunciado por Lula (PT) poderia ser maior do que 15%. “Desde que o imenso rombo da corrupção e do empreguismo público fosse eliminado”, diz um auxiliar.

Nome dado

Rogério Marinho (PL-RN) revelou ao Jornal Gente, da Bandeirantes, que o então líder do governo Lula, Jaques Wagner (PT-BA), recebeu ligação do decano do Supremo Tribunal Federal, Gilmar Mendes, reclamando e “cobrando” após o Senado aprovar projeto que o STF não gostou.

Detalhe

O projeto que os ministros e Gilmar Mendes não gostaram, disse Rogério Marinho, determinava prazo curto para o plenário do STF analisar decisões monocráticas, aquelas expedidas por um só ministro.

Pensando bem…

... no Brasil, nada mais real do que o surreal.

PODER SEM PUDOR

O delegado professor

O jovem Tancredo Neves foi ser promotor em São João Del Rey. Foi chegando e arranjando uma namorada. Mal sabia que o delegado havia proibido namoro nas praças, por isso ele se misturou aos muitos casais que ocupavam um dos jardins públicos da cidade.

A polícia chegou de repente e expulsou todo mundo. Tancredo já ia protestar quando o delegado o percebeu. Rápido, o policial mostrou que tinha muito a ensinar a ele: “Doutor, botei esse pessoal para fora para deixar o senhor à vontade...”. Ah, bom.

 

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EDITORIAL

O bolso também vai às urnas

Renegociação de dívidas alivia o orçamento, mas não resolve a distância entre o desejo de consumo, a renda e a capacidade de pagamento

19/09/2026 07h15

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Nesta edição, o Correio do Estado mostra que os feirões de renegociação de dívidas e programas como o Desenrola, embora tenham permitido a milhões de brasileiros reorganizar suas finanças, não têm sido o suficiente para resolver o problema do endividamento. Renegociar uma dívida pode aliviar juros e recuperar parte da capacidade de pagamento, mas não elimina as causas que levaram o consumidor a comprometer sua renda.

A explicação para isso tem várias camadas. Em primeiro lugar, os hábitos de consumo não apenas do brasileiro, mas do cidadão do mundo ocidental, mudaram. O aumento da escala de produção tornou mais acessíveis produtos e serviços que antes eram restritos a uma parcela menor da população. Ao mesmo tempo, as redes sociais turbinaram a exposição a esses produtos, criando e ampliando desejos de consumo que nem sempre correspondem à renda de quem os deseja.

O problema surge quando a expectativa de consumo cresce mais rapidamente do que a capacidade financeira. A sociedade passou a conviver com uma vitrine permanente de viagens, carros, roupas, eletrônicos, restaurantes e experiências. O que antes era visto como excepcional passou a ser apresentado diariamente como algo comum e desejável. O consumidor, porém, continua limitado pela renda que recebe.

Dessa distância entre desejo e capacidade de pagamento surgem dois problemas. O primeiro é a frustração de quem não consegue alcançar aquilo que gostaria de ter. O segundo, ainda mais grave do ponto de vista financeiro, é o superendividamento de quem recorre ao crédito para aproximar sua realidade do padrão de consumo que deseja. O crédito, que deveria ajudar principalmente na aquisição de bens duráveis e no planejamento financeiro, acaba sendo utilizado para antecipar uma renda que não existe.

É por isso que os feirões e programas de renegociação, por mais importantes que sejam, não podem ser vistos como solução definitiva. Eles atacam a dívida já existente, mas não necessariamente modificam os hábitos de consumo, as expectativas ou a relação do cidadão com o crédito. Sem essa mudança, existe o risco de que a renegociação apenas abra espaço para um novo ciclo de endividamento.

Essa realidade também terá reflexos sobre as eleições que se aproximam. O bolso do cidadão é uma dimensão concreta da vida pública e pode pesar na forma como parte do eleitorado avalia governos, políticas econômicas e candidatos. Questões como corrupção, rachadinha e soberania continuarão presentes no debate, mas podem dividir espaço com preocupações muito mais imediatas para quem enfrenta dificuldades para fechar as contas do mês.

No fim, a questão é simples e, ao mesmo tempo, complexa: quanto maior a distância entre aquilo que o cidadão deseja consumir e aquilo que sua renda permite, maior tende a ser a pressão sobre seu orçamento e sua percepção sobre a realidade econômica. Compreender essa relação entre consumo, crédito, renda e frustração será importante para entender uma parcela do comportamento do eleitor nas eleições deste ano.

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