Colunistas

EDITORIAL

O bolso também vai às urnas

Renegociação de dívidas alivia o orçamento, mas não resolve a distância entre o desejo de consumo, a renda e a capacidade de pagamento

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Nesta edição, o Correio do Estado mostra que os feirões de renegociação de dívidas e programas como o Desenrola, embora tenham permitido a milhões de brasileiros reorganizar suas finanças, não têm sido o suficiente para resolver o problema do endividamento. Renegociar uma dívida pode aliviar juros e recuperar parte da capacidade de pagamento, mas não elimina as causas que levaram o consumidor a comprometer sua renda.

A explicação para isso tem várias camadas. Em primeiro lugar, os hábitos de consumo não apenas do brasileiro, mas do cidadão do mundo ocidental, mudaram. O aumento da escala de produção tornou mais acessíveis produtos e serviços que antes eram restritos a uma parcela menor da população. Ao mesmo tempo, as redes sociais turbinaram a exposição a esses produtos, criando e ampliando desejos de consumo que nem sempre correspondem à renda de quem os deseja.

O problema surge quando a expectativa de consumo cresce mais rapidamente do que a capacidade financeira. A sociedade passou a conviver com uma vitrine permanente de viagens, carros, roupas, eletrônicos, restaurantes e experiências. O que antes era visto como excepcional passou a ser apresentado diariamente como algo comum e desejável. O consumidor, porém, continua limitado pela renda que recebe.

Dessa distância entre desejo e capacidade de pagamento surgem dois problemas. O primeiro é a frustração de quem não consegue alcançar aquilo que gostaria de ter. O segundo, ainda mais grave do ponto de vista financeiro, é o superendividamento de quem recorre ao crédito para aproximar sua realidade do padrão de consumo que deseja. O crédito, que deveria ajudar principalmente na aquisição de bens duráveis e no planejamento financeiro, acaba sendo utilizado para antecipar uma renda que não existe.

É por isso que os feirões e programas de renegociação, por mais importantes que sejam, não podem ser vistos como solução definitiva. Eles atacam a dívida já existente, mas não necessariamente modificam os hábitos de consumo, as expectativas ou a relação do cidadão com o crédito. Sem essa mudança, existe o risco de que a renegociação apenas abra espaço para um novo ciclo de endividamento.

Essa realidade também terá reflexos sobre as eleições que se aproximam. O bolso do cidadão é uma dimensão concreta da vida pública e pode pesar na forma como parte do eleitorado avalia governos, políticas econômicas e candidatos. Questões como corrupção, rachadinha e soberania continuarão presentes no debate, mas podem dividir espaço com preocupações muito mais imediatas para quem enfrenta dificuldades para fechar as contas do mês.

No fim, a questão é simples e, ao mesmo tempo, complexa: quanto maior a distância entre aquilo que o cidadão deseja consumir e aquilo que sua renda permite, maior tende a ser a pressão sobre seu orçamento e sua percepção sobre a realidade econômica. Compreender essa relação entre consumo, crédito, renda e frustração será importante para entender uma parcela do comportamento do eleitor nas eleições deste ano.

CLAÚDIO HUMBERTO

"Por que tanto silêncio, Lula?"

Deputado Bibo Nunes (PL-RS) sobre omissão de Lula no escândalo Moraes-Master

04/09/2026 07h00

Cláudio Humberto

Cláudio Humberto

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Brasil à beira da desobediência civil, diz especialista

O Brasil está à beira de uma crise institucional sem precedentes e até da desobediência civil, adverte o cientista político Christian Lobauer, após as reações de pouco caso das autoridades diante do relatório da Polícia Federal documentando a relação de Daniel Vorcaro com Alexandre de Moraes, com o ex-banqueiro tratando o ministro do STF como a um subalterno. Piorou muito depois da divulgação do flagrante em foto de ministros do STF às gargalhadas, entre eles o próprio Moraes.

Vexame histórico

Também mostravam as amídalas de tanto gargalhar os ministros Gilmar Mendes, Christiano Zanin e até o próprio presidente, Edson Fachin.

Ele perdeu a linha

Atônito, Davi Alcolumbre, presidente do Senado, o tribunal que julga o STF, mandou às favas os escrúpulos e a isenção: não terá impeachment.

Brincando com fogo

O País ficou sem respostas: Lula (PT) se omitiu, Hugo Motta (Rep) se escondeu, Fachin gargalhou e Alcolumbre atacou os indignados.

Ilegitimidade, a chave

“Quando as decisões deixam de ser reconhecidas como legítimas”, avisa Lobauer, “entramos no terreno perigoso da desobediência civil.”

Lula tenta colar Messias em votação de Pacheco

Ao saber que o ainda senador Rodrigo Pacheco (PSB-MG) seria indicado para uma vaga no Tribunal de Contas da União (TCU), Lula tentou reabrir o caminho de Jorge Messias, advogado-geral da União, para o Supremo Tribunal Federal (STF). O assuntou até foi pauta em uma das reuniões do petista com Davi Alcolumbre (União-AP), mas ouviu do presidente do Senado que “Bessias” continua sem votos entre os senadores. Eventual indicação pode ocorrer até em outubro, entre os turnos da eleição.

Tanto faz

Apesar dos pesares, Pacheco tem bom trânsito entre os senadores e não precisou de qualquer operação do palácio pela aprovação ao TCU.

Não colou

O petista tentou faturar com a indicação, mas não colou. Pacheco, filiado ao PSB, logo carregou os votos governistas que Lula acredita ter.

Segunda mão

Com o armistício entre Lula e Alcolumbre, Pacheco deve herdar outra cadeira de Bruno Dantas além daquela no TCU, a de eterno cotado.

Promessa de político

Parlamentares ouvidos pela coluna ainda falam na futura possibilidade de indicação do futuro ministro do Tribunal de Contas da União (TCU) Rodrigo Pacheco ao STF. Com ênfase em “futura” e “possibilidade”.

Longe do normal

A Transparência Internacional diz que o Brasil vive simultaneamente o maior escândalo de corrupção orçamentária da História, o maior escândalo de corrupção previdenciária da História e o maior escândalo de corrupção judiciária da História brasileira: “Isto não é normal”, diz.

‘Foi o próprio...’

Hit nas eleições deste ano, o ressuscitado “jingle do Osmarzinho”, música de campanha listando falcatruas políticas, ganhou uma releitura e já viralizou nas redes sociais. É uma “versão Alexandre de Moraes”.

Pro monte

A denúncia contra Davi Alcolumbre (União-AP), protocolada ontem (3) no Conselho de Ética do Senado, não é a primeira. Eduardo Girão (Novo-CE) protocolou o mesmo pedido em março, mas até hoje não andou.

Letargia

A OAB Nacional, enfim, resolveu ao menos ensaiar alguma reação sobre a crise instalada no STF. O presidente da entidade, Beto Simonetti, deve se reunir com o presidente da Corte, Edson Fachin, semana que vem.

Concordância e incentivo

Depoimento de Daniel Vorcaro, no fim de agosto, coloca Gabriel Galípolo no escândalo do Master. Diz o banqueiro que o indicado de Lula tinha “postura de concordância e incentivo à conclusão da fusão” com o BRB.

Coincidência?

No mesmo dia em que o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, defendeu o ministro do STF Alexandre de Moraes, a Casa aprovou o fim da taxa das blusinhas, um dos maiores desejos do governo Lula (PT).

Advertência clara

A conta oficial em português do Departamento de Estado dos EUA avisa: qualquer apoio, patrocínio ou serviço a agentes sancionados de Cuba podem ensejar sanções, incluindo “empresas e bancos estrangeiros”.

Pergunta na Praça

Dois pelo preço de um é promoção ou premonição?

PODER SEM PUDOR

Cláudio Humberto

História secreta da Eco 92

A abertura da Rio+20 sem os principais líderes mundiais lembrou o esforço do Brasil para o êxito da Eco-92. Na ocasião, o americano George Bush não confirmava sua presença, e com ela provocar outras vindas importantes. O oceanógrafo francês Jacques Cousteau, que se fizera amigo do então presidente Fernando Collor, advertiu: “Fernando, olha, se o Bush não vier, isso aqui vai ser um desastre...”, disse. “Mas ele tem de vir, comandante...”, respondeu o presidente. “Vamos lá, você e eu?” propôs Cousteau. Collor avisou o Itamaraty que viajaria a Washington e iria direto do aeroporto à Casa Branca. Ficariam plantados em pé, ele e Cousteau, até serem recebidos pelo presidente dos Estados Unidos. “O sr. me dá 24 horas?”, pediu o chanceler Celso Lafer. No dia seguinte, o presidente americano confirmaria sua presença.

Claudio Humberto

"Se você está endividado, a culpa é do governo Lula"

Flávio Bolsonaro (PL), candidato ao Planalto, ao prometer organizar as contas públicas

23/08/2026 08h00

Cláudio Humberto

Cláudio Humberto

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Oposição critica PGR engajada à defesa de Lula

Opositores estão indignados com o procurador geral da República (PGR), acusado de “engajamento” na defesa de Lulinha, filho de Lula (PT), investigado por tráfico de influência e corrupção. Paulo Gonet tentou retirar a relatoria de André Mendonça, ministro do STF que não se submete a Lula, e depois tentou levar o processo à 1ª instância. “Absurdo”, diz Marcel van Hattem (Novo-RS), lembrando que, nomeado por Lula, Gonet se opôs a 1ª instância julgando casos do 8 de janeiro.

Batom na cueca
Gonet se esforça para tirar do STF dois dos três inquéritos contra Lulinha relatados por Mendonça. O outro permaneceria nas mãos de Flavio Dino.

Guinada ridícula
Para van Hattem, é até ridículo a PGR mudar de posição sobre 1ª instância quando o investigado é o filho do presidente da República.

Críticas na academia
Professor de pós-graduação da USP e mestre e doutor em Direito Constitucional, Rubens Beçak também se associa aos críticos da PGR.

Escândalo paralelo
Já Evair de Melo (PP-ES) acha que não tem como retirar o caso Lulinha do STF pelas conexões do filho de Lula com o escândalo do INSS.

PL espera ter duas vezes mais senadores que o PT
Nas primeiras pesquisas que já circulam dentro do PL, o partido projeta pelo menos o dobro de senadores em relação ao PT. A Casa Alta é a prioridade da sigla, que pretende lançar candidatura para a presidência do Senado, além de ter força política para andar com as pautas que viraram bandeiras do partido nesta eleição. Entre as principais prioridades, andar com pedidos de impeachment de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), ainda que não haja votos para vitória.

Melhor cenário
Nas contas dos liberais, o partido pode chegar aos 28 senadores. Se Jair Bolsonaro estivesse na ativa, o número poderia bater os 32.

Com calma
Já as previsões mais conservadoras apontam para 20 senadores, mas com mais destaque, já que esperam nomes como Michelle Bolsonaro. 

Olho no vizinho
As planilhas trazem projeções para outras bancadas também. Petistas, nas contas do PL, devem beirar os 10 parlamentares.

Modus Operandi
“Do mar de lama do Sítio de Atibaia à Mansão do Lulinha em Brasília”, Sérgio Moro (PL-PR), juíz que condenou Lula na Lava Jato, sobre o elo de Lulinha, a lobista Roberta Luchsinger e testemunha do caso de Atibaia que voltou ao folhetim por assinar contrato da mansão do QG do Lobby.

Pesos e medidas
Carlos Bolsonaro (PL-SC) comparou o caso de Lulinha, cada vez mais imerso no triângulo com a lobista Roberta Luchsinger e o Careca do INSS, com o do pai, que teve até inquérito por se aproximar de baleia.

Preço artificial
O medo do impacto na campanha eleitoral bateu na equipe de Lula e o governo já estuda prorrogar o subsídio à gasolina. O benefício, que deveria ser provisório, pode ganhar mais 30 dias de sobrevida.

Na gaiola
Ronaldo Caiado, pré-candidato do PSD ao Planalto, lamenta a situação da segurança púbica no país, “O cidadão é obrigado a transformar o próprio carro em uma gaiola para tentar não ter o celular arrancado.”

Sem pudor
Após apontar tentativa de “balão” da PGR no ministro André Mendonça (STF), com pedido de enviar o caso Lulinha à 1ª instância, o candidato a vice-presidente Novo, Eduardo Girão, diz que “eles perderam o pudor”.

Ciência e coragem
Segundo Marcelo van Hattem (Novo-RS), candidato ao Senado, “não basta falar em impeachment [no STF] agora. É preciso conhecer fatos, reconhecer os abusos e ter coragem para agir quando eles acontecem”.

Jogo sujo
Ao anunciar sanções contra autoridades de Cuba, o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, acusa a ditadura comunista de “décadas usando grupos de fachada para infiltrar, corromper e radicalizar americanos”.

Não era genocídio?
O deputado Osmar Terra (PL-RS) lembra da “lacração estúpida” de Lula e da ex-ministra da Saúde Nísia Trindade, que chamaram o governo Bolsonaro de “genocida” por mortes dos Yanomami... mesmo povo que registrou recorde de mortes entre 2023 e 2025, em pleno governo do PT.

Pensando bem...
...quando a propaganda é demais, o santo desconfia.

PODER SEM PUDOR

Cláudio Humberto

Eu nomeio, você paga

O falecido Humberto Lucena (PB) adorava nomear parentes, quando presidiu o Senado. Ao ser tachado de “a caneta mais rápida de Brasília”, chamou o repórter que o ironizara ameaçando processo. E lorotou: “Nomear parentes só é pejorativo no Sul. No Nordeste, o povo até gosta”. O jornalista, nordestino de Pernambuco, perdeu a paciência. Puxou Lucena pelo braço e disse ao seu ouvido, firme, quase gritando: “Nós dois sabemos que o sr. está mentindo, mas vou fingir que não ouvi”. Lucena não tocaria mais no assunto. Nem processaria o jornalista.

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