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OPERAÇÃO CORNUCÓPIA II

Polícia Federal investiga mais de R$60 milhões desviados da prefeitura de Corumbá

Operação acontece nove dias após "Offset", que investiga autoridades ligadas à prefeitura
15/10/2020 10:22 - Gabrielle Tavares


A Polícia Federal deflagrou, na manhã desta quinta-feira (15), mais uma operação em Corumbá. É investigado um esquema de desvios de recursos públicos, em mais de R$60 milhões, executado dentro da prefeitura do município entre 2008 e 2013.

O esquema criminoso consistia no aumento ilegal da folha de pagamento de servidores aliados, com consequente aumento na margem para contratação de empréstimos consignados.  

Depois disso, os empréstimos eram aprovados e os valores eram repassados à organização criminosa, gerando prejuízo aos cofres públicos. Policiais estimam que a equipe tenha alcançado ilegalmente a quantia de R$ 60.608.424,58.

 
 

A Operação Cornucópia II, como foi batizada, acontece somente nove dias após a Operação Offset, deflagrada contra autoridades de Corumbá, como Márcio Iunes, irmão do prefeito de Corumbá, Marcelo Iunes (PSDB), e o assessor da prefeitura do município, Edson Panes de Oliveira Filhos, que também é ex-secretário municipal de Segurança Pública.

Além do secretário de Infraestrutura e Serviços Públicos de Corumbá, engenheiro Ricardo Ametlla.

Se confirmado os desvios, o crime se deu na gestão de Ruiter Cunha de Oliveira, eleito prefeito do município em 2004 e reeleito em 2008. Ele faleceu em 2017.  

Em 23 de novembro 2013, na primeira fase da operação Cornucópia, realizada pela PF e Ministério Público Estadual após um ano de investigação, quem estava no comando da pasta era Paulo Duarte, que concorre novamente ao carno neste ano, pelo MDB.

O atual prefeito e também candidato em 2020, Marcelo Iunes – irmão do indiciado na Operação Offset- foi eleito vereador de Corumbá no período que se dá as investigações, em 2008 e 2012. Já entre 2013 e 2014, ele presidiu a Câmara Municipal do município.

Nesta manhã, cerca de 30 policiais federais cumprem sete mandados de busca, sendo seis em Corumbá e um em Campo Grande. As apreensões são realizadas nas residências dos indiciados que integravam a organização criminosa, as identidades não foram reveladas.

Os alvos da operação responderão pelos crimes de peculato e associação criminosa.

De acordo com a PF, o nome da operação faz alusão à riqueza supostamente obtida pelos envolvidos, além da abundância de recursos públicos disponibilizados de forma ilícita, já que cornucópia é o símbolo da abundância na mitologia grega.

 
Uma das residências onde PF cumpre mandados nesta manhã - Divulgação
 

Primeira fase da Operação Cornucópia

Em 2013, houve prisões preventivas e instaurado a Operação Cornucópia II, com o principal objetivo de sequestrar de bens para ressarcir os recursos públicos e investigar outros 101 servidores ligados à organização criminosa, todos indiciados na segunda fase.

Na Cornucópia I, foram desviados cerca de R$ 15 milhões.

Operação Offset

Na operação deflagrada no dia 6 de outubro, a Polícia Federal apreendeu R$25 mil reais na casa de dois investigados e mais R$ 19 mil em uma conveniência em Corumbá.  

A investigação teve início após o recebimento de denúncias apontando a ocorrência sistemática de desvios de recursos públicos no Poder Executivo Municipal, cujas irregularidades seriam decorrentes de contratos de prestação de serviços entre a Prefeitura de Corumbá e uma empresa de engenharia sediada em Campo Grande.

O dinheiro desviado seria direcionado aos servidores e empresários envolvidos. As investigações também indicaram que parte da verba destinada ao pagamento dos contratos é proveniente de repasse de recursos federais.

 

Felpuda


Como era de se esperar, as pesquisas mexeram nos ânimos de candidatos, principalmente daqueles que apareceram com índices pífios.

E assim, muitos deles certamente darão novo rumo às suas campanhas eleitorais.

A maioria, é claro, tenta mostrar otimismo, e o que mais se ouve por aí é que “agora o momento será de virada”.

Como disse atento e irônico observador: “Tem gente por aí que poderá virar, sim. Mas virar gozação!”. Ui...