Política

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100 anos de pura emoção

100 anos de pura emoção

Redação

29/01/2010 - 01h24
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De forma improvisada, com lençol branco na parede de um hotel próximo à igreja Santo Antônio, aconteceu há 100 anos a primeira projeção cinematográfica de Campo Grande – o feito será comemorado hoje, às 21h, no 7º Festival de Cinema de Campo Grande, com a exibição do filme “Alma do Brasil”, de Líbero Luxardo, com acompanhamento musical ao vivo do pianista Adriano Magoo. O título do filme exibido perdeu-se no tempo, como grande parte da produção daquela época, que deveria ser obra com gramática cinematográfica ainda incipiente, porém com poder para fascinar amplo público. De lá para cá, diversas salas possibilitaram à população local sonhar, vibrar e emocionar-se. Inicialmente, com imagens; depois, com sons, cores e outros recursos. Do improviso inicial, a cidade assistiu ao surgimento de espaços diferentes para apreciação cinematográfica. De sala com mais de mil lugares aos cinemas nos bairros, de filmes vistos em carros às projeções regulares em paróquias da cidade, até chegar ao endereço que sedia várias salas de exibição, como o cinema multiplex. O Cine Nova Campo Grande, que existiu no bairro do mesmo nome entre 1975 e 1982, é uma das provas de como a apreciação cinematográfica passou por várias fases na Capital. Atualmente, é difícil pensar num cinema de bairro, mas no período em que este surgiu, ver um filme numa sala de projeção era uma das diversões mais populares que existiam. “Lembro que, aos sábados, depois de ouvir no carro de som a atração do dia, a meninada de toda a região da Nova Campo Grande, lá pelas 16h, ia ao cinema. Era um outro período, não somente do bairro, mas de toda a cidade. A gente vinha pouco para o centro”, lembra o gerente de Ouvidoria da Enersul, Valter José Bortoletto, 46 anos. “Assistíamos bons filmes, não eram novos. Havia atraso de alguns meses quando comparado aos outros cinemas. Vi ‘Tubarão’ lá”. A estrutura era a mesma de qualquer outra sala de exibição: bilheteria, cadeira própria para cinema, bombonière. “Era tudo limpo, muito bem cuidado”. Criado pelo militar Ubirajara Ortega e sua esposa Adelina, o cinema promovia sessões especiais com clássicos do “bangue-bangue”. A estrutura do prédio que abrigava o cinema mantém características do período em que esteve em atividade. Por sua vez, a parte interna alterou-se quase totalmente. “Nos mudamos para cá há 10 anos. Grande parte desse período tivemos no local criação de chinchila”, diz a professora Marysuze Coelho Brandão Fraulob. “Não conhecemos quem criou o cinema, mas achamos muito interessante a estrutura. É possível observar ainda alguns detalhes do que foi o cinema. Agora, fizemos desse espaço um depósito das coisas daqui de casa. Digo para o meu filho que temos um cinema em casa”, brinca. Dificuldades Na década de 1960, assistir a filmes de diretores considerados mais artísticos em Campo Grande era complicado. Foi nessa época, mais precisamente em 1967, que surgiu um cineclube reunindo intelectuais, estudantes, professores, profissionais liberais, entre outros. Coordenado inicialmente pela professora Maria da Glória Sá Rosa e com participações de Abílio Leite de Barros, José Octávio Guizzo, entre outros, o espaço trouxe para a cidade filmes de diretores como Fellini, Bergman, Antonioni. “Começamos num salão na minha casa, depois passamos a exibir em escolas secundaristas e faculdades”, diz a professora. Era o período da ditadura militar e os filmes precisavam passar pela censura. Maria da Glória conta que um filme do sueco Ingmar Bergman, “Silêncio”, foi considerado pornográfico pelo censor. “Nem era, mas tentava catalogar assim, mas conseguimos passar”. Nos anos seguintes, o cineclube passou por outras fases até ser extinto na década de 1980. No período em que esteve atuante, tanto a direção como o público que prestigiou suas exibições mostraram o amor pelo cinema, seja na apreciação dos filmes como nas discussões que aconteciam na sequência da projeção. Outros espaços O engenheiro e pesquisador Celso Higa lembra que não eram somente as salas de projeção comerciais ou de resistência cultural que faziam exibições de filmes na cidade. Cita os colégios Dom Bosco e Paulo VI como pontos nas décadas de 60 e 70. “No caso do Dom Bosco, as crianças ganhavam o ingresso caso assistissem à missa nos sábados”, lembra. Nas sessões, podiam ver obras com temas bíblicos ou seriados note-americanos dos anos 30 e 40. Uma boa viagem pelo assunto é o livro “Salas de sonhos – história dos cinemas em Campo Grande”, de Marinete Pinheiro e Neide Fisher, lançado no ano passado. Assim como os filmes, as histórias envolvendo as salas de projeção trazem muito da emoção do público. No caso de Campo Grande, há 100 anos esta emoção é constante.

LIBERDADE DE IMPRENSA

MPMS rechaça censura de Pollon ao Correio do Estado sobre "Dark Horse"

Promotor de Justiça afirma que publicações trataram de emendas e da atuação parlamentar e não da vida privada do deputado

15/09/2026 07h55

O deputado federal Marcos Pollon acionou o jornal na Justiça

O deputado federal Marcos Pollon acionou o jornal na Justiça Foto: Vinicius Loures/Câmara dos Deputados

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O Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS) afirmou que as reportagens do Correio do Estado questionadas judicialmente pelo deputado federal Marcos Pollon (PL) abordaram fatos de interesse público relacionados ao exercício do mandato parlamentar, e não aspectos da vida privada do político.

O entendimento consta em manifestação assinada pelo promotor de Justiça Júlio Bilemjian Ribeiro no processo nº 0812381-50.2026.8.12.0110, que tramita na 10ª Vara do Juizado Especial Criminal de Campo Grande.

Pollon apresentou queixa-crime contra os jornalistas Eduardo Miranda e Alicia Miyashiro e contra o Correio do Estado. O deputado atribui aos acusados a suposta prática dos crimes de difamação e injúria, previstos nos artigos 139 e 140 do Código Penal. 

O deputado federal Marcos Pollon acionou o jornal na JustiçaFac-símile do parecer do promotor de Justiça Júlio Bilemjian Ribeiro - Foto: Reprodução

A ação questiona duas reportagens publicadas pelo jornal. A primeira, intitulada “Além de Daniel Vorcaro, deputado de MS também ajudou a ‘bancar’ filme sobre Bolsonaro”, foi divulgada no dia 13 de maio. A segunda, “ONG que recebeu repasse de Pollon é alvo de operação em SP”, foi publicada no dia 1º de junho.

Na queixa-crime, Pollon sustenta que as matérias apresentaram informações supostamente falsas, pejorativas e ofensivas à sua honra e reputação.

Ele também alega que os textos criaram uma associação indevida entre sua atuação política, a destinação de emendas federais e possíveis irregularidades envolvendo terceiros.

Para o MPMS, entretanto, os assuntos abordados nas reportagens estão diretamente vinculados às atribuições institucionais de Pollon como deputado federal.

“Observa-se da própria narrativa constante da queixa-crime que as alegadas ofensas não dizem respeito a aspectos da vida privada do querelante, mas sim a fatos diretamente relacionados ao exercício de seu mandato parlamentar federal”, afirmou o promotor.

Na manifestação, Júlio Bilemjian Ribeiro reforçou que as publicações discutiram a destinação de recursos provenientes de emendas parlamentares, a atuação política de Pollon e sua condição de deputado federal. Portanto, abordaram fatos ligados à atividade institucional do parlamentar e de interesse público.

O promotor, contudo, não analisou nessa manifestação se houve ou não difamação ou injúria. O parecer se concentra na definição do ramo do Poder Judiciário competente para processar e julgar a ação apresentada pelo deputado.

Segundo o MPMS, como as supostas ofensas apontadas por Pollon estão relacionadas ao exercício de uma função pública federal, o processo não deve permanecer na Justiça Estadual.

A continuidade da ação nesse ramo do Judiciário poderia provocar um vício de incompetência absoluta e resultar na anulação dos atos processuais.

O Ministério Público citou a Súmula 147 do Superior Tribunal de Justiça (STJ), segundo a qual compete à Justiça Federal processar e julgar crimes praticados contra funcionário público federal quando relacionados ao exercício da função.

Também foi mencionado um precedente do Tribunal Regional Federal da 5ª Região (TRF5), que reconheceu a competência federal para julgar crime contra a honra praticado por meio da imprensa contra um deputado federal.

“Não há como dissociar a pretensão deduzida da condição funcional ostentada pela vítima”, registrou Júlio Bilemjian Ribeiro.

Com esse entendimento, o MPMS pediu que a Justiça Estadual reconheça sua incompetência para analisar o processo e determine a redistribuição dos autos à Seção Judiciária da Justiça Federal de Mato Grosso do Sul. O pedido ainda precisa ser analisado pelo juiz responsável pela ação.

INVESTIGAÇÃO

O nome de Pollon aparece na decisão do ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), que autorizou a Operação Make Up, deflagrada pela Polícia Federal (PF) na quinta-feira para investigar suspeitas de desvios de emendas parlamentares.

Dino destacou que Pollon, eleito por Mato Grosso do Sul, destinou R$ 1 milhão a um projeto em São Paulo. 
Conforme o ministro, a situação revela “aparente desconformidade com a exigência de absoluta vinculação federativa” estabelecida pelo Supremo para a aplicação desses recursos.

A operação cumpriu 49 mandados de busca e apreensão em São Paulo, no Rio de Janeiro, no Ceará e no Distrito Federal. Entre as entidades investigadas estão a Academia Nacional de Cultura, o Instituto Conhecer Brasil e a Go Up Entertainment, todos ligados à empresária Karina Ferreira da Gama.

O ministro determinou a suspensão das atividades da Academia Nacional de Cultura (ANC) e proibiu o deputado federal Mário Frias (PL-SP), produtor-executivo de “Dark Horse”, e outros 28 investigados de deixarem o País.

A investigação busca esclarecer o destino de recursos públicos que teriam circulado por entidades e empresas vinculadas entre si, algumas delas instaladas nos mesmos endereços.

A Controladoria-Geral da União também identificou situações consideradas atípicas na contratação de fornecedores localizados em outros estados.

A presença de Pollon na decisão decorre da indicação da emenda de R$ 1 milhão ao projeto paulista e da possível irregularidade na vinculação territorial do recurso. A citação, isoladamente, não comprova que o deputado tenha participado de eventual desvio.

SEM DESTINO

A emenda indicada por Pollon tinha como finalidade o financiamento do projeto audiovisual “Heróis Nacionais”, que seria executado pela ANC.

A ANC é presidida por Karina Ferreira da Gama, também ligada à Go Up Entertainment, produtora responsável por “Dark Horse”, filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) estrelado pelo ator norte-americano Jim Caviezel.

Os registros oficiais mostram que a verba indicada pelo deputado foi transferida ao governo de São Paulo. O recurso, porém, não chegou à Academia Nacional de Cultura, e o projeto audiovisual não foi executado.
Pollon declarou que, diante da inviabilidade da iniciativa, pediu ao governo paulista que o dinheiro fosse redirecionado ao Hospital de Amor de Barretos. 

Até o momento, entretanto, não há confirmação pública de que a instituição tenha recebido a verba.
Os sistemas oficiais consultados indicavam que o dinheiro permanecia sem execução e formalmente vinculado ao projeto cultural. 

O Correio do Estado procurou o Hospital de Amor para confirmar se houve o redirecionamento ou alguma comunicação oficial sobre a emenda e aguarda resposta.

Postura

STF: Dino comenta sobre exclusão de imprensa no plenário e diz que não foi consultado

Secretaria de comunicação do Supremo negou que haja pessoas convidadas

14/09/2026 22h00

Ministro Flávio Dino

Ministro Flávio Dino Foto: Gustavo Moreno/STF

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O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), disse nesta segunda-feira, 14. que não foi consultado sobre a proibição para a imprensa acessar o plenário da Corte no julgamento desta terça-feira, 15, quando o Tribunal vai decidir se autoriza a abertura de uma investigação contra o ministro Alexandre de Moraes em razão do seu suposto elo com o banqueiro Daniel Vorcaro.

O plenário será aberto apenas para pessoas que se credenciaram em link disponibilizado pelo Supremo e tiveram o credenciamento confirmado pelo cerimonial da Corte.

"O ministro Flávio Dino esclarece que não foi consultado sobre esse ponto e, caso consultado, se manifestaria a favor da presença dos jornalistas no plenário. Se estarão presentes centenas de pessoas, algumas inclusive 'convidadas', o ministro entende que não há razão para excluir os jornalistas", afirmou Dino em nota.

A secretaria de comunicação do Supremo negou que haja pessoas convidadas.

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