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Golfinhos podem ajudar a entender doenças humanas

Golfinhos podem ajudar a entender doenças humanas

Redação

21/02/2010 - 07h53
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Golfinhos e humanos sofrem de doenças semelhantes, revelam cientistas, e isso poderia ajudar na compreensão sobre o melhor tratamento para a diabete e também na prevenção do câncer de útero; ou ainda determinar os efeitos potenciais no homem da poluição das águas litorâneas. “Os golfinhos, como os humanos, são mamíferos e seu regime alimentar compreende a maior parte dos peixes e frutos do mar que nós consumimos”, destaca Carolyn Sotka da Noaa (Agência Nacional Americana de Oceanos e Atmosfera), apresentadora de diferentes estudos sobre o assunto na conferência anual da AAAS (American Association for the Advancement of Science) reunida de 18 a 22 de fevereiro em San Diego (Califórnia). Estes cetáceos são expostos permanentemente a ameaças do oceano, como a algumas algas altamente tóxicas que produzem ácido domóico ou a poluentes como o PCB (polichorobifenil), proibido nos Estados Unidos desde os anos 70, comenta. As semelhanças entre os golfinhos e os humanos fazem desses animais “sentinelas ecológicas e fisiológicas” importantes para “nos advertir de riscos sanitários” e também “esclarecer sobre a maneira que poderíamos beneficiar nossa saúde”, explica a cientista. Os golfinhos seriam, assim, o primeiro modelo natural do estudo para a diabete, abrindo a possibilidade de descoberta de tratamentos contra a doença responsável por 5% de mortes no mundo por ano, segundo um dos estudos divulgados. O mecanismo resulta, provavelmente, do regime alimentar desses cetáceos muito rico em proteínas e fraco em glucídios. Outros indícios coletados mostram que os golfinhos poderiam também ter doenças crônicas semelhantes às dos humanos ligadas à diabete tais como a resistência à insulina com hemocromatose (taxa excessiva de ferro no sangue) ou ainda cálculos renais. Enfim, revela o autor do estudo, os cientistas pensam que os humanos desenvolveram uma resistência à insulina durante o último período glacial. Da mesma maneira, os golfinhos adquiriram esta mesma resistência quando foram viver no oceano há 55 milhões de anos, passando de uma dieta rica em glucídios enquanto animais terrestres a uma alimentação altamente proteica. Um outro estudo da Universidade da Flórida apresentado em San Diego revela que os golfinhos são infectados, como o homem, pelo papillomavírus que não parece provocar entre eles câncer do colo de útero como entre os humanos.

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